Crítica histórica

A crítica histórica visa compreender tanto o conteúdo (eventos, discursos) quanto os próprios textos que os registram, considerando autoria, circunstâncias da época da composição e funções do texto para suas primeiras audiências.

A crítica histórica utiliza métodos e teorias da historiografia aplicada à Bíblia.

A crítica histórica é, por vezes, sinônimo de exegese. No entanto, trata-se de uma abordagem diacrônica, sem precisar levar em conta outros aspectos como recepção teológica ou literária. Visa reconstruir os sentidos propostos no texto.

Há duas grandes vertentes, o método histórico-crítico e o método histórico-gramatical. Alguns autores e tradições tratam essas duas vertentes como sinômimos. Ambas surgiram da historiografia do Iluminismo, consolidando-se no final do século XVIII e passaram por transformações posteriores. Hoje, o método histórico-crítico é o preferido em ambiente acadêmico enquanto o método histórico-gramatical é popular em contextos pastorais, devocionais e confessionais. Não se sustenta uma susposta diferenciação ideológica entre método histórico-gramatical servindo a teólogos “conservadores” e o método histórico-crítico servindo a teólogos “liberais”. Ambos métodos são empregados por exegetas de orientações teológicas diversas ou mesmo sem ter filiação religiosa.

Desde os anos 1970 consolidaram-se críticas às abordagens históricas. Abordens sincrônicas — literárias, canônicas — ou contextuais demonstraram as limitações dos métodos históricos para a leitura bíblica. No entanto, essas críticas refinaram os métodos e uma leitura histórica da Bíblia é possível.

BIBLIOGRAFIA

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Sparks, Kenton L. God’s word in human words: An evangelical appropriation of critical biblical scholarship. Baker Academic, 2008.

Crítica das tradições

A crítica das tradições (Traditionskritik e Traditio-historical criticism) é um método exegético diacrônico que, com a crítica das formas, tenta traçar o desenvolvimento da tradição oral que tenha atencedido a fixação escrita dos textos bíblicos.

Essa crítica geralmente foca em tradições sobre pessoas, ensinos e lugares sobre os quais houve uma preservação de tradições. A crítica das tradições também se ocupa de motif — motivos literários — frases e conceitos que se repetem ao longo da Bíblia, como “Filho do Homem”, a tradição do êxodo, Sião, dentre outros.

Empregando técnicas de análise transmissão oral, a crítica de tradições faz comparações como cotejar o Salmo 78 com textos narrativos da história de Israel. É uma abordagem importante para resgatar as logias e as ágrafas de Jesus.

Seus expoentes foram Gerhard von Rad (1901-1971) e Martin Noth (1902-1968). Baseados no trabalho de Gunkel, aplicaram a crítica das tradições principalmente no livro de Deuteronômio e na História Deuteronomista.

Crítica das fontes

A crítica das fontes é um método de exegese diacrônico que visa determinar as fontes e secundariamente, a autoria, a autenticidade e o contexto de composição dos textos bíblicos.

Na crítica das fontes os exegetam examinam pistas no texto (mudanças de estilo, vocabulário, repetições e similares) para determinar quais fontes possam ter sido usadas por um autor bíblico. Algumas fontes inter-bíblicas podem ser determinadas em virtude do fato de que a fonte ainda existe, por exemplo, os livros de Crônicas citam ou recontam os relatos dos livros de Samuel e Reis.

A crítica das fontes é importante para compreender a tansmissão do texto bíblico, principalmente na manuscritologia e nas traduções.

Por vezes, esse método é referido como sinônimo de hipótese documentária, problema sinóptico, método histórico-crítico (do qual é um dos métodos que integra essa abordagem) ou Alta Crítica (conceito hoje obsoleto).

A crítica das fontes procura saber de onde veio e como um texto foi transmitido. Sua origem remonta da filologia alexandrina e foi aplicada na Antiguidade Tardia por exegetas como Jerônimo e Teodoro de Mopsuéstia. No Renascimento, Lourenço Valla aplicou esse método ao Novo Testamento e deixou suas anotações que, mais tarde, Erasmo utilizou para sua edição grega do Textus Receptus.