Cronista

Cronista (Autor Hipotético de Crônicas, Esdras e Neemias). Originalmente proposto como um único autor para os livros bíblicos de Crônicas (1 e 2), Esdras e Neemias, o conceito do “Cronista” representava uma figura literária a quem se atribuía a redação final dessas obras, com base em semelhanças de estilo, vocabulário, interesses teológicos (especialmente o foco no templo, na linhagem davídica e no culto levítico) e na perspectiva histórica pós-exílica. A teoria do Cronista ganhou força ao reconhecer a unidade temática e o propósito teológico subjacente nesses livros, que reinterpretavam a história de Israel para a comunidade judaica restaurada após o exílio babilônico.

No entanto, o consenso acadêmico contemporâneo evoluiu significativamente. Embora a inegável ligação entre Crônicas, Esdras e Neemias seja reconhecida, a visão predominante agora é que esses livros são obras compósitas, resultantes de um complexo processo redacional que envolveu múltiplas mãos, diferentes fontes e possivelmente diversas camadas de edição ao longo do tempo. Análises linguísticas detalhadas revelaram variações de estilo e vocabulário, enquanto estudos teológicos apontaram para nuances e diferentes ênfases entre os livros. A forma como as fontes mais antigas são utilizadas e adaptadas também demonstra abordagens editoriais distintas.

Assim, em vez de um único “Cronista”, há ainda uma possibilidade de uma “escola cronística” ou de um movimento literário e teológico que produziu e editou esses textos. Essa perspectiva reconhece a unidade geral de propósito e temática, mas atribui a forma final dos livros a um processo mais colaborativo e diacrônico. A pesquisa atual se concentra em identificar as diferentes camadas redacionais, as possíveis comunidades ou grupos por trás da produção desses livros e as diversas fontes que foram incorporadas ao longo do tempo, buscando uma compreensão mais matizada da formação dessas importantes obras do Antigo Testamento. O termo “Cronista” ainda é usado como uma convenção para se referir à tradição literária e teológica subjacente a esses livros, mas com a ressalva de que sua produção foi um processo mais complexo do que se imaginava inicialmente.

Teoria da Autorização Imperial

A Teoria da Autorização Imperial do Pentateuco postula que a legislação proposta pelas autoridades locais dentro do Império Persa foi endossada pelo governo central a ponto de se tornar lei imperial. Essa política teria levado à promulgação da Torá (Pentateuco) como lei para judeus e samaritanos sob o domínio persa.

Esta teoria, introduzida pelo biblista da Universidade de Zurique Peter Frei em 1984, sugere que os livros bíblicos de Esdras, Neemias e Ester refletem exemplos deste fenômeno. Adicionalmente, Erhard Blum, Frank Crusemann e Joseph Blenkinsopp exploraram a conexão entre a missão de Esdras e as iniciativas legais persas em Yehud, e a adoção do Pentateuco como texto dotado de autoridade civil e religiosa pelos judeus e samaritanos. A teoria não pretende explicar a composição do Pentateuco, mas utiliza as tradições de Esdras como evidência do processo de autorização imperial.

BIBLIOGRAFIA

Knoppers, Gary N. and Bernard M. Levinson., eds. The Pentateuch as Torah: New Models for Understanding Its Promulgation and Acceptance. Winona Lake: Eisenbrauns, 2007.

Frei, Peter; Klaus Koch. Reichsidee und Reichsorganisation im Perserreich. Orbis biblicus et orientalis 55. Fribourg: Universitätsverlag Freiburg Schweiz, 1984.

Ska, Jean-Louis. Introduction to Reading the Pentateuch. Winona Lake: Eisenbrauns, 2006.    

Watts, James W. (org.). Persia and Torah: the theory of imperial authorization of the Pentateuch. Symposium series. Society of Biblical Literature, 2001.

Amoque

Amoque, em hebraico עָמוֹק, é contato entre os sacerdotes retornados do exílio babilônico em Neemias 12:7,20, descendente de um sacerdote do reinado de Joiaquim chamado Éber.

Notoriamente, James Orr em sua edição do International Standard Bible Encyclopedia comete um equívoco no verbete Amok, dizendo-lhe anacronisticamente como um ancestral de Éber, um sacerdote da época de Joiaquim. No entanto, na lista de Ne 12:12-21 está listado o ancestral, no caso Éber para Amoque, e seu correspondente sucessor nos dias de Zorobabel.