Textus Receptus

O Textus Receptus (sigla TR), em sentido estrito, é o nome dado à família de versões impressas do Novo Testamento entre o século XVI e o final do século XIX.

Trata-se de um texto eclético feito da comparação de alguns poucos manuscritos bizantinos tardios. Não é a mesma coisa que Texto Majoritário ou Texto Bizantino. Por exemplo, entre o TR de Scrivener e o Texto Majoritário da edição de Hodges e Farstad (1985) há 1,838 diferenças.

As versões mais conhecidas do Textus Receptus são as de Erasmo, Stephanus, Beza e Scrivener. Outras edições contemporâneas da Reforma, como a Aldina 1504 e a Complutense, são semelhantes, mas não foram influenciadas pelo TR.

O termo “Textus Receptus” vem do prefácio da edição de Elzevir (1633) em Leiden, o qual afirmaram o consenso da época:

Textum ergo habes, nunc ab omnibus receptum: in quo nihil immutatum aut corruptum damus. “Então você mantém o texto, agora recebido por todos, no qual nada é corrompido”.

BIBLIOGRAFIA

Metzger, Bruce M. The Text of the New Testament, 2d ed. Oxford: Oxford University Press, 1968.

Bruce Metzger

Bruce Metzger (1914-2007) foi um biblista e crítico textual americano.

Metzger trabalhou na crítica textual dos manuscritos e outras fontes antigas usadas para reconstruir o texto do Novo Testamento.

Trabalhou junto da Sociedade Bíblica Alemã, American Bible Society e da Sociedades Bíblicas Unidas em edições acadêmicas e traduções do Novo Testamento. Desenvolveu sua longa carreira no Princeton Theological Seminary. Era ministro ordenado presbisteriano.

BIBLIOGRAFIA

Metzger, Bruce M. The Text of the New Testament: Its Transmission, Corruption, and Restoration. New York, Oxford University Press, 1964.

Metzger, Bruce Manning. A textual commentary on the Greek New Testament. Vol. 31975. London: United Bible Societies, 1971.

Metzger, Bruce M. The canon of the New Testament: Its origin, development, and significance. Clarendon Press, 1997.

Morreu ontem Bruce Metzger. Observatório Bíblico, 2007.

Versões hebraicas do Novo Testamento

Apesar de raras, traduções do Novo Testamento para o hebraico surgiram por vários motivos. Originalmente feitas para fins privados, polêmicos ou servindo conversos, o Novo Testamento foi traduzido do grego, latim ou outras línguas para o hebraico.

Traduções de Mateus. Há pelo menos 50 versões do Evangelho de Mateus para o hebraico. A maioria datam do Renascimento em diante.

Mateus de Du Tillet. Heb.MSS.132 da Biblioteca Nacional, em Paris. Contém reminiscências de uma antiga versão hebraica, talvez remontando da Antiguidade Tardia. O manuscrito foi obtido pelo bispo Jean du Tillet dos judeus italianos em uma visita a Roma em 1553, e publicado em 1555.

Sefer Nestor ha-Komer . “O Livro de Nestor, o Sacerdote”, século VII. Contém citações significativas de Mateus, aparentemente de um texto latino.

Toledot Yeshu. “Vida de Jesus”, século VII. Uma paráfrase polêmica.

Mateus de Shem Tov ben Isaac ben Shaprut. Feita em Aragão em 1385.

Mateus de Sebastian Münster, 1537, versão impressa do Evangelho de Mateus, dedicado ao rei Henrique VIII da Inglaterra.

Mateus de Ezekiel Rahabi, Friedrich Albert Christian e Leopold Immanuel Jacob van Dort , 1741-1756. Edição hoje perdida.

Travancore Hebrew New Testament of Rabbi Ezekiel. Um exemplar comprado por Claudius Buchanan em Cochim, Índia.

Mateus de Elias Soloweyczyk, 1869.

Epístolas aos Hebreus de Alfonso de Zamora (1526).

Bíblia dodecaglota de Hütter. O Novo Testamento completo publicado por Elias Hütter, em sua edição poliglota em doze idiomas. Feita em Nuremberg, em 1599, 1600, em dois volumes.

A partir do século XIX surgiram várias edições completas do Novo Testamento em hebraico, boa parte publicadas pelas sociedades bíblicas e traduzidas diretamente do grego.

Bartolomeu

Bar-Tolomai, “filho de Tolomeu” (Βαρθολομαῖος בַּר תַּלְמַי). Variantes do nome aparecem em Josefo. Antiquidades 20.1.1; 14.6.1,15.6. Guerra Judaica 1.16.5; bem como em Inscrições nabateias (Lidzbarski 1898, p. 386). O nome Talmai aparece no Texto Massorético para um dos filhos de Anaque (Nm 13:22; Js 15:14; Jz 1:10) e para um rei de Gesur e avô de Absalão (2 Sm 3:3; 13:37. 1 Cr 3:2).

Foi um dos doze apóstolos (Mt 10:3; At 1:13). Supõe-se que seria o mesmo que Natanael. Nos evangelhos sinóticos, Filipe e Bartolomeu são sempre mencionados juntos, enquanto Natanael nunca é mencionado; no evangelho de João Filipe e Natanael são mencionados juntos, mas não Bartolomeu.

Bartolomeu testemunhou Jesus ressurreto no Mar de Tiberíades (João 21: 2) e sua ascensão (Atos 1: 4, 12, 13). É tratado como um verdadeiro israelita (João 1:47).

Ásia Menor

Ásia Menor ou Anatólia é a região peninsular mais ocidental do continente asiático, correpondente à grande parte da Turquia atual.

Possui um platô central montanhoso, cuja atitude variam entre em média entre 600 e 1200 metros, com seu pico mais alto sendo o Monte Argeu (turco, Erciyes Dağı), vulcão na antiga Capadócia.

A posição estratégica conecta a Europa e a Ásia (o continente), além das bacias dos mares Negro, Mediterrâneo e Egeu. Lá desenvolveram várias sociedades e civilizações.

Um dos mais antigos centros urbanos da humanidade encontra-se no leste da Anatólia, Göbekli Tepe (1000-8800 a.C.). Este centro cerimonial seria o templo mais antigo encontrado, composto de monumentos megalíticos em formato de T, decorado com alto relevo de animais e figuras humanas. O espantoso é que essa população não praticava a agricultura, não conhecia a cerâmica, os metais ou a roda. As ricas fauna e flora eram suficientes para manter essa população semi-urbana, sendo comparável ao Jardim do Éden.

A Ásia Menor foi lar de uma sucessão de povos: hititas, frígios, armênios, Mitani, gregos, selêucidas, romanos, bizantinos e finalmente turcos.

Durante o período romano consolidou-se a divisão histórica das regiões: Bitínia, Paflagônia, Ponto, Capadócia, Cilícia, Licaônia, Pisídia, Panfília, Lícia, Cária, Frígia, Lídia, Mísia e Galácia.

Era uma área rica em recursos naturais floresceu indústria artesal. A mineração e produção de moedas iniciou na Lídia, afluíam a Laodiceia os produtos de tecidos de lã, e mercalização via grandes portos como o de Esmirna.

Paulo, ele próprio originário de Tarso, na região da Cilícia, na Ásia Menor, desenvolveu seu ministério por várias de suas regiões e cidades. João de Patmos destinou suas sete cartas para igrejas da Ásia.

Na história do cristianismo, as igrejas da Capadócia, Frígia, Esmirna, Éfeso, Sinope, Niceia, Calcedônia e Constantinopla foram marcantes.

Joana, esposa de Cuza

Joana, a esposa de Cuza, mordomo de Herodes Antipas ao ser listada como uma das mulheres que “foram curadas de espíritos malignos e enfermidades” que acompanharam Jesus e os apóstolos, e “providenciaram para ele de seus bens” em Lucas 8: 2 -3.

Ela provavelmente era de Séforis (Lc 8:3), cidade a menos de seis quilômetros da pequena aldeia de Nazaré (cuja população variava entre 200 e 400 habitantes). Séforis era uma das cidades capitais de Herodes Antipas na Galileia, Séforis. Esta cidade possuía cerca de 30.000 habitantes. Situada estrategicamente próxima à Via Maris, era um centro de cultura e arte, construída conforme a arquitetura greco-romana.

Joana é citada entre as mulheres mencionadas em Lucas 24:10, que, junto com Maria Madalena e Maria, mãe de Tiago, levaram especiarias ao túmulo de Jesus e encontraram a pedra removida e o túmulo vazio. Os relatos nos outros evangelhos sinóticos não mencionam Joana como parte do grupo de mulheres que observam o sepultamento de Jesus e testemunham sua Ressurreição.

Fonte Q

A fonte de Q (do alemão Quelle, fonte) seria uma hipotética fonte comum – oral ou escrita – que os autores dos evangelhos de Mateus e Lucas teriam usados independentemente de Marcos.

A teoria das duas fontes é dada como a solução primária para o problema sinótico na maioria dos livros introdutórios ao tema.

O material compartilhado por Mateus e Lucas, mas não encontrado em Marcos, consiste quase inteiramente em ditos de Jesus.

Alguns eruditos supõem que Mateus seja seu autor. No século II d.C., Papias disse que Mateus teria escrito os Oráculos ou Logia de Jesus. Contudo, outro autor do século II, Irineu, diz que Mateus teria compilado um evangelho em língua semítica, mais tarde traduzido para grego.

A fonte Q conteria as beatitudes, o grande mandamento, diversas parábolas (construção sobre a rocha, ovelha perdida, das bodas, talentos, fermentos, cegos guiando cegos, pássaros dos céus e lírios dos campos), vários ensinos e a oração do Pai Nosso.

As críticas a essa hipótese incluem a falta de evidência direta para a existência do documento Q. Nenhum manuscrito ou fragmento de Q jamais foi encontrado, e sua existência é inferida apenas com base nas semelhanças de conteúdo e linguagem entre Mateus e Lucas. Adicionalmente, as semelhanças entre Mateus e Lucas podem ser explicadas por outros fatores, como a tradição oral ou o uso de uma fonte escrita comum diferente de Q. Alguns eruditos argumentam que Q parece ter sido escrito depois dos Evangelhos de Mateus e Lucas, o que significaria que não poderia ter sido uma fonte para eles. Por fim, a composição do documento Q também é um ponto de discórdia. Não há consenso se o Q seria um documento coerente e completo ou uma coleção solta de ditos e histórias que foram compiladas ao longo do tempo.

BIBLIOGRAFIA

Kloppenborg, John S. Q, the earliest Gospel: an introduction to the original stories and sayings of Jesus. Westminster John Knox Press, 2008.

Reino de Deus

O reino sobre o qual Deus governa e a vontade de Deus é cumprida. No Evangelho de Mateus, aparece o evidente sinônimo “reino dos céus”, aparentemente uma circunlocução para “reino de Deus” e contraste entre o reino celestial de Deus e os reinos humanos terrestres. Aparece proeminente na proclamação de João Batista, Jesus e apóstolos.

Várias passagens do Antigo Testamento contenham expressões correlatas, nenhuma explicitamente diz “reino de Deus”. Deus é descrito como o rei de todo o mundo (Sl 22:8; 1Cr 29:11) e do povo de Israel (Êx 19:6; Sl 114:2).

Os Evangelhos sinópticos referem-se claramente à vinda do reino como um evento dramático. O reino, às vezes, é mencionado como uma bênção futura (Mt 7:21; 8:11), às vezes como uma realidade presente (Lc 16:16; 17:20; Jo 3: 3-5). Há indicações que aconteceria durante a vida dos ouvintes da mensagem de Jesus (Mt 4:17; 6:10; 10:7; Mc 1: 14-15; 9:1; Lc 10:8-12; 11:2; 21:31). Outras passagens falam da “vinda” do reino, sem indicar se Jesus quis dizer que já havia chegado ou que viria no futuro (Lc 4:43; Lc 9:11). Outras passagens mencionam pessoas “entrando” no reino, mas não fica claro se no presente ou apenas uma possibilidade futura.

Em João, Jesus fala do reino de Deus em apenas uma passagem (Jo 3: 3-5).

Fora dos Evangelhos, é mencionado em Atos (Atos 1:3; 6-8: 3; 3: 17-21; 28:23; 28:30-31) e algumas vezes nas cartas de Paulo (1Co 6: 9; Gl 5:21; 1Ts 5: 1-2; 1Ts 5:23; 2Ts 1:5).

O reino de Deus ultrapassa as questões de adesão à Lei veterotestamentária ou da busca pelo domínio material, pois o reino consiste na justiça, paz e alegria no Espírito Santo (Rm 14:17). Quando Jesus disse que o reino de Deus estava próximo (Mc 1:15), anunciou que Deus governaria as vidas humanas pelo perdão dos pecados. Não seria um reino externo como o de Davi ou o Império Romano, mas para algo espiritual e universal. Nesse reino, há o mandado de cristãos cumprirem seu decreto de cuidado com os pobres e necessitados (Mt 25:35; Tg 1:27), perdão e reconciliação (Mt 18: 21-35; Ef 4: 1-6), trazer vida e luz a todas as nações (Mt 5: 13-16).

O cristianismo ocidental tende a enfatizar Jesus como o servo sofredor, enquanto o cristianismo oriental destaca Jesus como rei — o Pantocrator.