Aijelete-Hás-Saar

Aijelete-Hás-Saar (em hebraico: אַיֶּלֶת הַשַּׁחַר) é uma expressão enigmática que aparece no título do Salmo 22 na Bíblia Hebraica. A tradução mais comum é “A Corça da Manhã”, embora o significado preciso e a função dessa frase no contexto do salmo sejam objeto de debate entre estudiosos.

Interpretações:

Existem diversas interpretações para Aijelete-Hás-Saar:

  • Indicação musical: A interpretação mais aceita é que a frase se refere a uma melodia ou estilo musical conhecido na época. “A Corça da Manhã” pode ter sido uma canção popular ou uma melodia específica à qual o Salmo 22 deveria ser cantado. Essa interpretação encontra paralelo em outros salmos que também mencionam melodias nos seus títulos, como o Salmo 56 (“A Pomba Silenciosa em Terras Distantes”) e o Salmo 57 (“Não Destruais”).
  • Referência simbólica: Alguns estudiosos sugerem que “A Corça da Manhã” possui um significado simbólico. A corça, um animal ágil e gracioso, pode representar a inocência, a pureza ou a busca por Deus. O amanhecer, por sua vez, simboliza a esperança, a renovação e a vitória sobre as trevas. Nessa interpretação, o título prenuncia o tema do salmo, que se inicia com lamento e sofrimento, mas termina com confiança na salvação divina.
  • Título litúrgico: Outra possibilidade é que Aijelete-Hás-Saar seja um título litúrgico ou uma referência a um contexto específico de uso do salmo no culto. Alguns estudiosos associam a expressão à “Shekinah”, a presença divina que habitava o Tabernáculo e o Templo.

Relação com o Salmo 22:

O Salmo 22 é um salmo de lamento individual que expressa profunda angústia e sofrimento. O salmista se sente abandonado por Deus e cercado por inimigos. No entanto, a segunda parte do salmo apresenta uma mudança de tom, com o salmista expressando confiança na libertação divina e louvando a Deus por sua fidelidade.

A relação entre o título “A Corça da Manhã” e o conteúdo do Salmo 22 é complexa. Se a frase se referir a uma melodia, a escolha pode parecer inadequada para um salmo de lamento. Por outro lado, se a interpretação simbólica for correta, o título pode indicar que o sofrimento do salmista é temporário, como a escuridão da noite que precede o amanhecer.

Abandono de Jesus na cruz

Abandono de Jesus na cruz é o termo dado ao relato de desespero registrado nos evangelhos de Mateus e Marcos. Os versículos em questão, Mateus 27:46 e Marcos 15:34, registram o clamor comovente de Jesus (“E, perto da hora nona, exclamou Jesus em alta voz, dizendo: Eli, Eli, lemá sabactâni, isto é, Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” “E, à hora nona, Jesus exclamou com grande voz, dizendo: Eloí, Eloí, lemá sabactâni? Isso, traduzido, é: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?”)Este clamor gerou discussões e interpretações teológicas ao longo dos séculos.

Este lamento não é uma expressão direta, mas uma citação do início do Salmo 22. A expressão poética,atribuída a Davi, em salmo que, no seu conjunto, transmite uma profunda confiança em Deus e uma certeza de que a assistência e a vitória divinas estão asseguradas. Portanto, interpretar o grito de Jesus como um sinal de abandono literal é desafiado pelo tema abrangente da confiança encontrado no Salmo 22.

O silêncio de Jesus na cruz em relação a muitos dos seus próprios sofrimentos contrasta com a sua articulação da sede (João 19:28) e o subsequente uso do Salmo 22. Ao fazê-lo, Jesus invoca o salmo para vindicar que os sofrimentos e as indignidades profetizados pelos profetas cumprem-se precisamente nele, o verdadeiro Messias.

Os Evangelhos Sinópticos apresentam variações no retrato dos momentos finais de Jesus. Mateus e Marcos enfatizam um grito de aparente desespero, em uma versão aramaica seguida de tradução, enquanto Lucas registra uma declaração mais serena: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito” (Lucas 23:46). João retrata a morte de Jesus com um ar de calma. Estas diferenças nos relatos dos Evangelhos levantam questões sobre a exatidão histórica e as implicações teológicas das últimas palavras de Jesus.