Teologia credal

A teologia credal é o ramo da teologia sistemática que discorre sobre métodos e tópicos relacionados à formulação, interpretação e aplicação de credos e confissões de fé nas comunidades religiosas.

Enquanto a teológica dogmática discorre sobre as implicações das doutrinas formuladas pelos credos e confissões, a teologia credal preocupa-se com a elaboração e aplicação das declarações de fé. Entretanto, como se ocupam de proposições doutrinárias, há sobreposição entre as duas subdisciplinas.

Alguns dos principais tópicos abordados pela teologia do credo incluem:

  1. Natureza da declaração de fé: examina os papeis como norma normata e regra da doutrina (regula doctrinæ). Discorre sobre os limites e mutabilidade (ou não) das proposições doutrinárias. Compara as declarações de fé com o uso de textos litúrgicos como hinos, com textos normativos como cânones denominacionais, com as Escrituras na vida da igreja.
  2. Desenvolvimento histórico de credos e confissões: Examina as origens, as modificações e o contexto histórico de vários credos e confissões dentro de diferentes tradições religiosas.
  3. Interpretação da declaração de fé: analisa os significados e implicações teológicas de declarações de fé, incluindo a interpretação de conceitos e princípios doutrinários fundamentais.
  4. Teologia comparada: Compara e contrasta os credos e confissões de diferentes tradições ou denominações religiosas para identificar semelhanças, diferenças e pontos de convergência e divergência.
  5. Metodologia teológica: explora as metodologias empregadas na formulação, interpretação e aplicação de credos e confissões, incluindo abordagens exegéticas, históricas e sistemáticas.
  6. Teologia doutrinária e dogmática: investigar os ensinamentos doutrinários e afirmações dogmáticas contidas nos credos e confissões, e explorar suas implicações teológicas para a crença e a prática.
  7. Eclesiologia: Examina o papel dos credos e confissões na formação da identidade, unidade e limites das comunidades religiosas, incluindo o seu significado para a autoridade e governação eclesial. Também inclui os empregos das declarações de fé para fins apologéticos, respostas a desafios internos ou para questões sociais, bem como a utilização da declaração de fé para o exercício da disciplina.
  8. Hermenêutica: Reflete sobre os princípios e métodos de interpretação aplicados aos textos de credos, incluindo considerações de contexto, linguagem e tradição teológica. A crítica confessional aplica elementos hermenêuticos dos credos e confissões na leitura das Escrituras.
  9. Autoridade confessional: Também a teologia credal ocupa-se da questão hermenêutica e de autoridade do confessionalismo, na distinção entre quia e quatenus se adesão a um credo ou confissão deva ser “quia” (porque) ou “quatenus” (na medida em que) a declaração de fé expressa as verdades evangélicas oriundas das fontes teológicas.
  10. Relevância contemporânea: avalia o significado contínuo e a aplicação de credos e confissões no cenário religioso contemporâneo, incluindo o seu papel na abordagem de desafios teológicos e no envolvimento com questões culturais e sociais. Aqui entram as questões como os credos e confissões servem para a vida da Igreja, se prioriza o discipulado ou se prioriza seu uso como disciplina.
  11. Ecumenismo: explora o potencial de diálogo, reconciliação e cooperação entre diferentes tradições ou denominações religiosas através do estudo e interpretação de credos e confissões.
  12. Teologia prática: Investigar as implicações práticas da teologia de credo para evangelização, adoração, discipulado, cuidado pastoral e missão dentro de comunidades religiosas.

BIBLIOGRAFIA

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Wilhite, David E. “The Baptists ‘and the Son’: The Filioque Clause and non-Creedal Theology”. Journal of Ecumenical Studies 44 (2 2009): 285-302.

VEJA TAMBÉM

Crítica confessional

Artigos de Fé

Teologúmena

Credos e confissões de fé

Salvação

Salvação, em sentido lato, é o livramento, o resgate, a remissão, o estado de segurança ou de proteção, bem como o estado de sanidade. No grego, o termo é σωτηρία (sōtēria) e deriva da raiz σῴζω (sōzō), que significa livrar, proteger, curar, salvar, sarar, tornar bem, restaurar a integridade. O próprio nome Jesus, do hebraico יֵשׁוּעַ (Yeshuaʿ), significa “Deus é salvação” ou “Deus salva”.

Nem todas as religiões buscam ou possuem o conceito de salvação. Por essência, o cristianismo é uma religião de salvação. Os ensinos do Novo Testamento referente à salvação resumem-se em que a humanidade é salva do afastamento de Deus, da sua própria culpa e dos poderes demoníacos através da experiência do poder expiatório do Novo Ser em Jesus como o Cristo. Essa nova criatura, então, possui a viva esperaça de glorificação corporativa com Deus na nova criação (novos céus e nova terra) ou reino.

A soteriologia é o ramo da teologia que estuda as doutrinas da salvação.

Biblicamente, a salvação refere-se ser salvo de alguma coisa, dentre elas:

  1. Libertação de escravidão: Refere-se à libertação do povo de Israel do cativeiro no Egito, como registrado em Êxodo 14:30 e 15:2. Salmos 106:21 também relembra essa salvação como um ato de redenção divina. Romanos 6:6-7 relata a libertação do pecado que escraviza.
  2. Salvação do exílio: A salvação é associada ao retorno do povo de Israel do exílio babilônico, como em Isaías 45:17, que apresenta a libertação como um ato de restauração nacional.
  3. Resgate do perigo: Salmos 27:1, 51:12, 65:5 e 69:2 destacam a salvação como livramento de situações perigosas ou ameaçadoras, demonstrando a proteção contínua de Deus.
  4. Salvação do pecado: Nos Evangelhos, a salvação assume um significado espiritual. Em Marcos 2:1-12, Mateus 9:1-8 e Lucas 5:17-26, Jesus perdoa os pecados do paralítico. Em Lucas 7:48-50, Ele perdoa os pecados de uma mulher que unge Seus pés, e em Lucas 23:34, na cruz, Jesus clama por perdão para aqueles que o crucificam. Em João 9:1-12, salva o cego de nascença não só de sua cegueira mas do estigma social do pecado.
  5. Salvação de doenças: Diversos relatos demonstram o poder de Jesus para curar doenças físicas, incluindo a cura do paralítico (Marcos 2:1-12), da mulher com fluxo de sangue (Marcos 5:25-34), do servo do centurião (Mateus 8:5-13) e do leproso (Marcos 1:40-45).
  6. Salvação da morte: Jesus manifesta Seu poder sobre a morte em eventos como a ressurreição da filha de Jairo (Marcos 5:21-43), de Lázaro (João 11:1-44) e do filho da viúva de Naim (Lucas 7:11-17).
  7. Salvação da cegueira: Exemplos incluem a cura do cego de Betsaida (Marcos 8:22-26) e de Bartimeu (Marcos 10:46-52), que ilustram o poder restaurador de Jesus.
  8. Salvação do medo: Jesus traz paz e segurança aos discípulos ao acalmar a tempestade (Marcos 4:35-41) e ao caminhar sobre as águas (Mateus 14:22-33).
  9. Salvação da violência: O ensino de Jesus em Mateus 5:38-48 enfatiza a superação da violência por meio do amor e do perdão. Sua resposta pacífica durante a prisão (Mateus 26:47-56) também demonstra a rejeição à violência. Em João 7:53-8:11, Ele salva uma mulher acusada de adultério.
  10. Salvação da opressão imperial. O Magnificat de Maria, em Lucas 1:46-55, anuncia a derrubada dos poderosos de seus tronos e a dispersão dos soberbos, situando a ação salvífica de Deus em oposição às estruturas de dominação política. O Apocalipse de João retoma essa mesma tensão ao anunciar a queda da Babilônia, símbolo do poder imperial romano, em Apocalipse 18:2. A proclamação inaugural de Jesus em Nazaré, registrada em Lucas 4:18-19, ao citar Isaías, anuncia libertação aos cativos e aos oprimidos, o que também comporta uma dimensão de resistência à opressão política e econômica de seu tempo.
  11. Salvação do domínio de potestades malignas. Efésios 6:12 descreve o combate cristão como luta contra principados, potestades e forças espirituais do mal nas regiões celestes, e Colossenses 2:15 afirma que, na cruz, Cristo despojou os principados e potestades, triunfando publicamente sobre eles. Os relatos de exorcismo reforçam essa dimensão da salvação: em Marcos 5:1-20, Jesus liberta o endemoninhado geraseno da possessão por Légion, restaurando-o à comunidade da qual estava excluído. Nessas passagens, a salvação assume caráter cósmico, estendendo-se à derrota das forças espirituais hostis à criação.
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