Tiago

Várias pessoas no Novo Testamento são chamadas de Tiago, a forma aportuguesada de Iago, derivada de Jacó, suplantador.

(1) Tiago, pai do apóstolo Judas: não o Judas Iscariotes. (Lc 6:16; At 1:13).

(2) Tiago, filho de Zebedeu: irmão de João e um dos doze apóstolos de Jesus Cristo. (Mt 10:2). Possivelmente sua mãe era Salomé. Tiago e seu irmão João deixaram a pesca para seguir a Jesus Cristo (Mt 4:18-22; Mc 1:19, 20; Lc 5:7-10), sendo Tiago geralmente mencionado primeiro (Mt 4:21; 10:2; 17:1; Mc 1:19, 29; 3:17; 5:37; 9:2; 10:35, 41; 13:3; 14:33; Lu 5:10; 6:14; 8:51; 9:28, 54; At 1:13). Receberam a alcunha de Boanerges“Filhos do Trovão” (Mc 3:17).

Pedro, Tiago e João são mencionados em íntima comunhão com Cristo. O três estiveram com Cristo no monte da transfiguração (Mt 17:1, 2), na ressurreição da filha de Jairo (Lc 8:51) e no Getsêmani, enquanto ele orava (Mc 14:32-34). Os três junto e André perguntaram a Jesus quando ocorreria o fim do templo de Jerusalém. (Mc 13:3, 4). Teria sido martirizado por Herodes Agripa I (At 12:1-3).

(3) Tiago filho de Alfeu, outro apóstolo, tradicionalmente chamado de Tiago, o menor. (Mt 10:2, 3; Mc 3:18; Lc 6:15; At 1:13). Se Alfeu for o mesmo que Clopas, caso em que a mãe de Tiago era Maria, a mesma Maria que era “a mãe de Tiago, o Menor, e de Josés”. (Jo 19:25; Mc 15:40; Mt 27:56).

(4) Tiago, irmão do Senhor (Mc 6:3; Gl 1:19). Não aparece seguindo a Jesus Cristo durante seu ministério terreno, mas depois aparece como líder da igreja em Jerusalém (At 12:17) e o provável autor da epístola com seu nome (Tg 1:1) Aparece mencionado dentre os quatro irmãos de Jesus: Tiago, José, Simão e Judas. (Mt 13:55). É provável que fosse casado (1Co 9:5). Seria a ele que Cristo ressuscitado apareceu (1 Co 15:7).

A tradição deu-lhe a alcunha de “Tiago, o Justo” e teria sido um nazireu. Josefo, relata que o sumo sacerdote Ananias “convocou os juízes do Sinédrio e levou perante eles um homem chamado Tiago, irmão de Jesus, que era chamado o Cristo, e alguns outros. Ele os acusou de terem transgredido a lei e os entregou para serem apedrejados” Antiguidades Judaicas, 20:200 (9, 1).

Epístola de Tiago

A fé no evangelho ocorre de modo embutido nas boas obras para com o próximo.

Epístola destinada a um público cristão geral, sua autoria é creditada a Tiago, o qual é interpretado como o irmão do Senhor e líder da Igreja em Jerusalém.

O historiador Eusébio observou que esta epístola teve lenta aceitação no cânon cristão, apesar do fato de ter um uso regular em muitas igrejas (Hist. Ec. 2.23; 3.25). O Cânon Muratoriano (final do século II) não menciona Tiago, mas a carta foi incluída nos cânones do bispo Atanásio (c. 367 d.C.). Sua canonicidade manteve-se então amplamente estável até a Reforma Protestante, quando Martinho Lutero a moveu (junto com Hebreus, Judas, e Apocalipse) até o final do Novo Testamento na seção chamada de Antilegômena. Segundo Lutero, faltavam elementos essenciais do evangelho e sua mensagem contrastava com outros escritos do Novo Testamento. Contudo, a epístola de Tiago continuou no cânon luterano.

A homília chamada de Primeiro Clemente (c. 95 d.C) é o primeiro documento a utilizar extensivamente esta epístola. Essas alusões são visíveis ao comparar 1 Clem 30.3; 31.2 e Tg 2:14–26; 1 Clem 29.1; 30.1–5 e Tg 4:1–10.

Seu gênero epistolar segue o padrão de outras cartas do Novo Testamento. A introdução é seguida por vários temas específicos: consistência da palavra e ação (1:22-2:13); fé e obras (2:14-26); moderação no falar (3:1-18); relações com os outros e com Deus (4:1–12); e o julgamento vindouro (4:13-5:9). Conclui (5:10-20) com breves exortações sobre as responsabilidades dos destinatários para com outros membros da congregação.

A epístola de Tiago é recepcionada de forma que não faz jus ao seu valor. Frequentemente é contrastada com Paulo em um debate sobre a justificação ou como reação do cristianismo judaico contra a igreja gentia. Na realidade, há poucos paralelos entre Tg 2:14-26 e os ensinos de Paulo sobre os temas da justificação “pela fé sem as obras” (cf. Rm 3.28). Em comum há o uso de Abraão como exemplo em Rm 4:1-25 e Tg 2:20-24. Ambos veem a fé principalmente como confiança em Deus (Rm 4:5; Tg 1,5-6). Ambos concordam que a fé deva produzir obras na vida de uma pessoa (Rm 2,13; Fp 2,12-13; Tg 2,18). No entanto, nem as questões de justificação, nem as relações entre judeus e gentios dentro da igreja são temas do conteúdo desta epístola como um todo.