Sunamitas

Os sunamitas eram os habitantes de Suném, uma cidade localizada no norte de Canaã, no fértil vale de Jezreel. Mencionada diversas vezes no Antigo Testamento, Suném é lembrada como o local onde o exército filisteu se acampou antes da batalha do Monte Gilboa, na qual Saul e seus filhos morreram (1Sm 28:4).

Suném também é conhecida como a cidade da mulher sunamita que acolheu o profeta Eliseu em sua casa (2Rs 4:8-10). Essa mulher, cujo nome não é revelado na Bíblia, demonstrou grande hospitalidade e fé, sendo recompensada com o nascimento de um filho e, posteriormente, com a ressurreição desse filho por Eliseu (2Rs 4:

Tofete

Tofete, localizado no Vale do Filho de Hinom, ao sul de Jerusalém, era um lugar infame na história de Judá, associado ao sacrifício de crianças. O nome “Tofete” deriva de uma paranomásia, um jogo de palavras que combina as consoantes da palavra aramaica para “lareira” com as vogais da palavra hebraica para “vergonha”.

Reis como Acaz e Manassés teriam oferecidos seus filhos como holocaustos a Baal em Tofete (2Cr 28:3; 33:6), uma prática condenada pelos profetas como uma abominação (Jr 7:31; 19:5). O rei Josias tentou acabar com essa prática, profanando o altar em Tofete (2Rs 23:10), mas foi retomada após sua morte.

Evidências arqueológicas em colônias fenícias, como Cartago, revelaram possíveis prática do sacrifício de crianças. Na região foram encontrados restos mortais de milhares de bebês dedicados a Baal e Tanit. Inscrições dedicatórias nesses locais usam o termo “moloch” (moloque) para descrever a oferenda, o mesmo termo usado na Bíblia para proibir o sacrifício infantil (Lv 18:21). Ainda é inconclusivo se seria sacrifícios ou mortalidade infantil por outras causas.

Em contraste com a visão do sacrifício infantil, uma corrente crescente de estudiosos questiona a narrativa de sacrifícios de crianças como prática regular e sancionada em Israel. Essa perspectiva se baseia na reinterpretação de termos bíblicos, na natureza polêmica dos textos, na falta de evidências arqueológicas conclusivas e na inconsistência com a teologia de Javé. Estudiosos como Moshe Weinfeld, Francesca Stavrakopoulou, John Day e Benjamin Beit-Hallahmi argumentam que as descrições de sacrifícios infantis podem ser metafóricas, hiperbólicas, exageradas para fins polêmicos ou representativas de desvios da norma religiosa, e não da prática normal.

Belial

Belial, termo hebraico que pode ser traduzido como “inútil”, “perverso” ou “sem valor”, é usado no Antigo Testamento para descrever indivíduos ímpios e ações malignas. Em Juízes 19:22, homens descritos como “filhos de Belial” tentam abusar de um levita, demonstrando sua depravação moral. Em 1 Samuel 30:22, “homens de Belial” são excluídos do despojo de guerra por sua covardia e deslealdade.

O termo “Belial” também pode ser usado como um nome próprio para uma entidade maligna, como em 2 Coríntios 6:15, onde Paulo o associa a Satanás, representando a oposição entre a luz e as trevas, o bem e o mal.

A figura de Belial evoluiu ao longo da história bíblica e da tradição judaica, passando de um termo genérico para a maldade à personificação do mal, um arquétipo do adversário de Deus e da humanidade, tal como aparece na literatura do Segundo Templo e Antiguidade Tardia como Beliar.

Beemote

Beemote, em hebraico בהמות, criatura colossal mencionada em Jó 40:15-24. O texto bíblico o descreve como um animal de força extraordinária, com ossos como barras de bronze e membros como barras de ferro. Sua dieta consiste em grama, e ele habita rios e pântanos.

Alguns intérpretes associam o Beemote a um hipopótamo, enquanto outros o veem como uma criatura mitológica, um símbolo do poder indomável da criação. Na literatura judaica extrabíblica, como o Livro de Enoque e o Apocalipse de Baruque, o Beemote é retratado como um monstro terrestre invencível, criado por Deus no quinto dia.

Em algumas tradições, o Beemote e o Leviatã (monstro marinho) serão mortos e servidos como banquete para os justos no final dos tempos.

BIBLIOGRAFIA

Ansell N (2017) Fantastic Beasts and Where to Find The(ir Wisdo)m: Behemoth and Leviathan in the Book of Job. In van Bekkum J, et al. (eds) Playing with Leviathan: Interpretation and Reception of Monsters from the Biblical World. Leiden: Brill, pp. 90-114.

Batto BF (1999) Behemoth. In van der Toorn K, Becking B, van der Horst PW (eds) Dictionary of Deities and Demons in the Bible. Leiden: Brill, pp. 165-169.

Serafim

Serafins, mencionados em Isaías 6:2-7 e Apocalipse 4:6-8, são seres celestiais de alta ordem, associados à presença e ao serviço de Deus. Descritos como tendo seis asas, com duas cobrem o rosto, com duas cobrem os pés e com duas voam, os serafins clamam “Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória!” (Is 6:3).

Em Isaías 6, um serafim purifica os lábios do profeta com uma brasa viva do altar, preparando-o para sua missão profética. Essa ação sugere que os serafins desempenham um papel na mediação entre Deus e os humanos, purificando e consagrando aqueles que são chamados a servir.

No Apocalipse, os serafins estão ao redor do trono de Deus, adorando-o e proclamando sua santidade sem cessar. Sua presença intensifica a imagem da majestade e da glória divina, criando uma atmosfera de reverência e adoração.