Inspiracionistas

Os inspiracionistas foram um movimento religioso pietista fundado em 1714 na Alemanha por Eberhard Ludwig Gruber e Johann Friedrich Rock, sob influência parcial do movimento francês dos Camisards. Este grupo religioso defendia a crença de que seus membros recebiam inspirações ou revelações diretas de Deus, enfatizando uma conexão imediata e pessoal com o divino, em contraste com a intermediação institucional das igrejas tradicionais.

As doutrinas dos inspiracionistas enfatizavam a espiritualidade individual e a orientação direta pelo Espírito Santo, levando a uma rejeição de dogmas rígidos e rituais formais. Essa abordagem atraiu tanto adeptos quanto opositores, especialmente dentro do contexto religioso e social da Alemanha do início do século XVIII. A rejeição de estruturas eclesiásticas hierárquicas e sua insistência em experiências espirituais imediatas colocaram os inspiracionistas em confronto com as autoridades religiosas e políticas da época, o que levou a perseguições e à necessidade de buscar refúgio em outras regiões.

No século XIX, a maior parte dos seguidores inspiracionistas decidiu emigrar para os Estados Unidos, buscando liberdade religiosa e a oportunidade de estabelecer comunidades baseadas em seus ideais. Em 1842, fundaram uma colônia chamada Ebenezer, localizada perto de Buffalo, no estado de Nova York. Essa colônia serviu como um refúgio para o movimento e permitiu a continuidade de suas práticas religiosas e culturais em um ambiente mais favorável.

Posteriormente, a comunidade mudou-se para o estado de Iowa, onde estabeleceu uma série de vilarejos interligados que se tornaram conhecidos como Amana Colonies. Estes vilarejos operavam sob princípios de vida comunitária, com propriedades compartilhadas, trabalho coletivo e uma ênfase na simplicidade e na espiritualidade. Essa organização era administrada pela Amana Society, que servia como a entidade administrativa da comunidade.

Hoje, a herança dos inspiracionistas persiste na forma da Amana Church Society, que conta com aproximadamente 1700 membros. Eles continuam residindo em sete vilarejos próximos a Iowa City, formando um grupo coeso que mantém elementos da tradição religiosa e cultural inspiracionista, ao mesmo tempo em que se adaptaram às realidades modernas.

Amnom

Amnom, filho primogênito do rei Davi com Ainoã, a jezreelita, ocupa um lugar sombrio na história bíblica devido ao seu ato de violência sexual contra sua meia-irmã Tamar e sua morte subsequente às mãos de Absalão. A narrativa de Amnom em 2 Samuel 13 revela as consequências devastadoras do abuso de poder, da paixão desenfreada e da vingança dentro da própria família real.

Amnom é retratado como um personagem dominado por uma paixão obsessiva por Tamar, descrita como uma jovem bela e virtuosa. Incapaz de controlar seus desejos, Amnom elabora um plano ardiloso para atrair Tamar a seus aposentos, onde a estupra. Esse ato de violência sexual quebra o laço familiar e desencadeia uma série de tragédias que abalarão o reino de Davi.

O estupro de Tamar não é apenas um crime hediondo em si, mas também uma violação da lei e da ordem social. Amnom, como primogênito de Davi, era o herdeiro presuntivo do trono e, portanto, deveria ter sido um exemplo de justiça e retidão. No entanto, ele abusa de seu poder e status para satisfazer seus desejos egoístas, causando dor e sofrimento à sua própria família.

A reação de Davi ao crime de Amnom é ambígua e tem sido objeto de debate entre os estudiosos. Embora o texto bíblico afirme que Davi ficou “muito irado” (2 Samuel 13:21), ele não toma nenhuma ação punitiva contra Amnom. Essa aparente passividade pode ser interpretada como uma falha de liderança, uma incapacidade de lidar com a crise familiar ou uma relutância em punir seu próprio filho.

Absalão, irmão de Tamar, assume o papel de vingador, planejando e executando o assassinato de Amnom durante um banquete. Esse ato de vingança, embora compreensível à luz da cultura da época, perpetua o ciclo de violência e desencadeia uma nova crise no reino, com a rebelião de Absalão contra Davi.

BIBLIOGRAFIA

  • Alter, Robert. The David Story: A Translation with Commentary. New York: W. W. Norton & Company, 2000.
  • Fokkelman, J. P. Narrative Art and Poetry in the Books of Samuel: A Full Interpretation Based on Stylistic and Structural Analyses. Assen: Van Gorcum, 1981.

Amasa

1. Amasa, figura militar durante o reinado de Davi, com papel ambíguo na rebelião de Absalão e trágico fim nas mãos de Joabe. Filho de Itra, um israelita, e Abigail, irmã de Davi, Amasa era, portanto, primo do rei. Essa relação familiar, contudo, não impediu que Amasa se juntasse à revolta de Absalão contra o próprio tio.

As razões que levaram Amasa a trair Davi e aliar-se a Absalão permanecem obscuras e são objeto de debate entre os estudiosos. Alguns sugerem que Amasa, talvez motivado por ambição pessoal ou por ressentimentos não explicitados na narrativa bíblica, viu na rebelião uma oportunidade de ascensão ao poder. Outros argumentam que Amasa poderia ter se sentido injustiçado por Davi em algum momento, ou que tenha sido influenciado por laços de lealdade com seu pai, Itra.

Independentemente de suas motivações, Amasa demonstrou habilidade militar ao liderar as tropas rebeldes. Absalão, reconhecendo sua competência, nomeou-o comandante do exército em lugar de Joabe, o experiente general de Davi. Essa substituição pode ter gerado ressentimentos em Joabe, que via em Amasa um rival e uma ameaça à sua posição.

Após a derrota de Absalão e a restauração do reinado de Davi, Amasa recebeu perdão real e foi nomeado comandante do exército no lugar de Joabe. Essa decisão de Davi, possivelmente motivada por um desejo de reconciliação e de apaziguar os ânimos após a rebelião, demonstra a complexidade política da situação e a habilidade de Davi em lidar com as diferentes facções dentro do reino.

No entanto, a nomeação de Amasa como comandante teve consequências trágicas. Joabe, movido por ciúmes e ressentimento, aproveitou-se de um encontro com Amasa para assassiná-lo a traição, fingindo um abraço de reconciliação. Esse ato brutal revela a crueldade e a ambição desmedida de Joabe, que não hesitou em eliminar um rival, mesmo que isso significasse desobedecer ao rei e manchar sua própria reputação.

A figura de Amasa, marcada pela ambiguidade e pela tragédia, representa um personagem complexo na narrativa bíblica. Sua história levanta questões sobre lealdade, ambição, perdão e as consequências da violência. A morte de Amasa, vítima da traição e da ambição de Joabe, serve como um alerta sobre os perigos do poder e a importância da justiça e da reconciliação na construção de uma sociedade justa e pacífica.

2. Amasa, um efraimita mencionado em 2 Crônicas 28:12, distingue-se por sua compaixão e senso de justiça. Quando o rei Peca de Israel derrotou o rei Acaz de Judá, levando numerosos cativos, Amasa se colocou contra a opressão de seu próprio povo e liderou um movimento para resgatar os judeus cativos.

Altar

O altar, elemento central no culto israelita, era uma estrutura consagrada à oferta de sacrifícios a Deus. Construído com materiais diversos como madeira, terra ou pedras, o altar representava o ponto de encontro entre o divino e o humano, o local onde a oferenda era consumida pelo fogo, simbolizando a aceitação da divindade. As dimensões e os materiais do altar variavam de acordo com sua função e localização. Altares de madeira, revestidos de bronze ou outro metal, eram utilizados para holocaustos e ofertas de paz, enquanto altares de terra ou pedra, muitas vezes construídos em locais elevados, serviam para sacrifícios de animais.

Um elemento característico dos altares eram os “chifres” – projeções nas quatro extremidades, que possuíam significado simbólico e funcional. Os chifres, possivelmente revestidos de metal, eram ungidos com o sangue da vítima sacrificial, representando a consagração do altar e a transferência da vida do animal para a esfera sagrada. Além disso, os chifres serviam como local de refúgio para aqueles que buscavam proteção, como ilustrado na história de Adonias, que se agarrou aos chifres do altar para escapar da ira de Salomão (1 Reis 2:28). Essa prática, embora não explicitamente prescrita na lei, refletia a crença de que o altar, como espaço sagrado, oferecia proteção divina.

Além dos altares para sacrifícios de animais, havia também o altar do incenso, localizado no Santo Lugar do Tabernáculo e, posteriormente, no Templo de Jerusalém. Feito de madeira de acácia e revestido de ouro, o altar do incenso era utilizado para a queima de incenso aromático, cuja fumaça ascendia como uma oferenda agradável a Deus, simbolizando as orações dos fiéis. A oferta diária de incenso, realizada pelos sacerdotes, representava um ato de adoração e intercessão, reafirmando a comunhão entre Deus e seu povo.

O altar, em suas diversas formas e funções, desempenhava um papel fundamental na vida religiosa de Israel. Ele representava o ponto de contato entre o sagrado e o profano, o local onde o ser humano se aproximava de Deus por meio da oferenda e da súplica. A análise do simbolismo e da função do altar nas Escrituras revela a importância do sacrifício, da expiação e da busca pela comunhão com a divindade na experiência religiosa do antigo Israel.

BIBLIOGRAFIA

  • Milgrom, Jacob. Leviticus 1-16: A New Translation with Introduction and Commentary. New York: Doubleday, 1991.

Al-Tachete

Embora Al-Tachete, em hebraico  אַל-תַּשְׁחֵת, seja um termo que aparece no título do Salmo 57, seu significado e origem permanecem obscuros. A palavra Al-Tachete não possui um sentido claro no hebraico, levando a diferentes interpretações e especulações. Uma tradução mais comum seria “não destruas”.

Algumas hipóteses sugerem que Al-Tachete possa ser uma expressão musical, indicando uma melodia específica ou um estilo de execução para o Salmo 57. A indicação de que este salmo deveria ser cantado com a melodia de “não destruas” reforça essa possibilidade. No entanto, a natureza precisa da melodia “não destruas” se perdeu ao longo da história.

Outra interpretação propõe que Al-Tachete seja uma palavra ou frase em uma língua estrangeira, possivelmente aramaico ou outra língua semítica, incorporada ao texto hebraico. Essa hipótese se baseia na presença de termos estrangeiros em outros textos bíblicos, refletindo o contato cultural e linguístico entre os israelitas e outros povos da região.

BIBLIOGRAFIA
Kraus, Hans-Joachim. Psalms 1-59: A Commentary. Minneapolis: Augsburg, 1988.