Conflito de Adão e Eva com Satanás

Conflito de Adão e Eva com Satanás (O Livro de Adão e Eva) é um obra cristã parabíblica do século VI em Ge’ez, traduzida de um original árabe O Conflito de Adão e Eva com Satanás, também conhecido como O Livro de Adão e Eva.

Esta obra é notável por seu retrato dos acontecimentos imediatamente após a expulsão de Adão e Eva do Jardim do Éden.

No Livro 1, o foco é a profunda tristeza e sensação de desamparo de Adão ao entrar no mundo além do Éden. Esta seção descreve a punição da serpente, suas tentativas fúteis de prejudicar Adão e Eva e a intervenção de Deus, que deixa a serpente muda e a bane para a Índia. Um incidente memorável envolve Satanás atirando-lhes uma pedra, apenas para que Deus intervenha, prenunciando assim a futura Ressurreição de Cristo. Além disso, as declarações proféticas de Deus neste livro predizem eventos futuros significativos, incluindo Noé e o Grande Dilúvio.

O Livro 2 investiga as identidades dos “filhos de Deus” mencionados em Gênesis 6:2 como descendentes de Sete, e das “filhas dos homens” como mulheres descendentes de Caim. A narrativa descreve a sedução bem-sucedida dos descendentes de Sete para descerem de sua morada montanhosa e se juntarem aos Cainitas no vale abaixo, orquestrada por Genun, filho de Lameque. Genun é creditado por inventar instrumentos musicais e armas de guerra, atributos tipicamente associados a Jubal e Tubal-Caim, respectivamente. Os Cainitas, conhecidos por sua maldade, envolvem-se em atos hediondos como assassinato e incesto. Os descendentes dessas uniões tornam-se os Nefilim, os “homens poderosos” de Gênesis 6, que morrem no Dilúvio, um tema também explorado em outras obras antigas como 1 Enoque e Jubileus. Mas, contrárias às interpretações de que os “filhos de Deus” seriam seres angelicais, essa obra assegura uma linhagem humana.

Os livros 3 e 4 continuam a narrativa, narrando a vida de figuras bíblicas como Noé, Sem e Melquisedeque. A história prossegue através de eventos significativos, culminando na destruição de Jerusalém por Tito no ano 70 d.C. De particular interesse é a genealogia de Adão a Jesus, espelhando a estrutura encontrada nos Evangelhos. No entanto, este texto distingue-se por também nomear as esposas de cada um dos antepassados de Jesus, uma característica distintiva raramente encontrada em outros relatos.

O Conflito de Adão e Eva com Satanás é digno de nota por se afastar das versões hebraicas e siríacas conhecidas dos textos bíblicos. Apresenta aspectos únicos, como a oferta de sacrifícios de animais por Caim, em oposição às ofertas agrícolas de Abel, e variações nas idades dos patriarcas pré-diluvianos, diferenciando-o de outras versões contemporâneas.

Almeida Revista e Corrigida

A Bíblia Almeida Revista e Corrigida (ARC) é uma versão da Bíblia em português. Consiste em diversas impressões com algumas poucas variações textuais. Pertence à família de versões da Bíblia Almeida.

A linhagem da Almeida Revista e Corrigida são as edições das sociedades bíblicas britânicas e americana. Em 1840, o capelão anglicano inglês Edward Whiteley coordenou a Almeida edição Revista e Emendada, publicada na cidade do Porto, sendo uma ligeira revisão da edição de 1693. Em 1847, esse texto passaria por outra revisão, designada Revista e Reformada, coordenada por Thomas Boy da Sociedade Bíblica Trinitariana. Em 1875, surge a edição Revista e Correcta, que corrigiu a ortografia e outros erros, revisão liderada pelo português João Nunes Chaves. Em 1894 apareceu a Edição Revista, publicada em Londres.

Em 1898 surgiu a versão Revista e Corrigida, feita em Lisboa. Combina as revisões de 1875 e 1894. Teve participação de revisores brasileiros, mas pouco se sabe sobre essa revisão, quais foram os textos bases e os critérios, como bem nota Herculano Alves. Considerando o ambiente britânico, é possível que tenha tido influências da Revised Version (RV), revisão inglesa da King James Version publicada em 1881 (Novo Testamento) e 1885 (Velho Testamento).

Seria publicada pela primeira vez no Brasil em 1944 pela Imprensa Bíblica Brasileira da Junta de Educação Religiosa e Publicações da Convenção Batista Brasileira (JUERP). A primeira impressão teve tiragem de cerca de 22.000 exemplares. Passou por revisões ortográficas em 1966, 1995 e 2009.

Hoje há três variantes brasileiras. Uma é publicada pela Sociedade Bíblica do Brasil e outra pela editora Geográfica, esta última com copyright da Imprensa Bíblica Brasileira. Outra edição é feita pela Casa Publicadora Paulista. Essas edições são virtualmente idênticas, com notável exceção em 1 João 1 e 1 Coríntios 13. Há ainda a edição da Sociedade Bíblica de Portugal.

A Almeida Revista e Corrigida serviu de base para as versões Almeida Revista e Atualizada (1959), Almeida Revisada de acordo com os Melhores Textos em Hebraico e Grego (1968, 1986), a Almeida Edição Contemporânea (1990), Almeida Corrigida e Fiel (1994), Almeida 21 e Nova Almeida Atualizada. Essas novas versões ganharam seus públicos, mas a Almeida Revista e Corrigida ainda mantém sua audiência, sendo a versão distribuída pela Congregação Cristã no Brasil.

Albarda

A albarda é um tipo de sela para transporte de carga ou pessoa. É um tipo rústico feito de palha e madeira, por vezes distribuída nos dois lados do animal.

O termo albarda aparece em Gênesis 31:34, quando Raquel esconde os terafins de Labão nas albardas do camelo. Aqui, albarda traduz o hebraico כָּר, o qual também pode ser traduzido como sela.

Apônio

Apônio, em latim Apponius, é um autor patrístico latino e comentarista bíblico sobre o qual quase nada se sabe.

Provavelmente baseado em Roma, Apônio escreveu por volta de 405-415 d.C. um comentário sobre o Cântico dos Cânticos, Expositio in Cantica Canticorum ou Veri Amoris. A obra existe em manuscritos do século VIII ao início do século XVI. Teve uma recepção na França, Irlanda, na Renânia e nos Países Baixos, sendo citado pelo Venerável Beda e por Gregório Magno.

Sua exposição pode ser chamada de místico-profética, com uma exegese cristológica. Considera que Cântico dos Cânticos como um quadro contínuo da história da revelação, desde a criação até o juízo final.

Os doze livros da Explanatio baseiam-se no texto da Vulgata de Jerônimo, além de ser familiar com o comentário dos Cantares atribuído a Hipólito de Roma.

Enredo de salvação

  • Cantares 1:1-2:6 — Israel sob a antiga dispensação;
  • Cantares 2:7-15 — encarnação;
  • Cantares 2:16-3:11 — a crucificação, a ressurreição, a conversão da Igreja de Jerusalém e a introdução do evangelho aos gentios por Paulo.
  • Cantares 2:16-3:11 4-6 perdem o fio cronológico, mas falam de um tempo de perseguição e martírio, e de uma queda na heresia por parte da Igreja.
  • O tema cronológico é retomado em Cantares 7:1-9, que é visto como uma referência à conversão de Roma ao cristianismo.
  • Os capítulos 7:10-8:4 tratam das invasões bárbaras do Império Romano, encaradas de uma forma positiva, uma vez que permitiram que os bárbaros se convertessem a Cristo.
  • Fica pendente apenas a conversão dos judeus, e Apônio antecipa esse evento na exposição de Cant. 8:5-14, depois de muito sofrimento.

A Expositio foi impressa pela primeira vez em Freiburg em 1538 e novamente em Lyon em 1677.

BIBLIOGRAFIA

Bottino and Martini “Aponii scriptoris vetustissimi in Canticum Canticorum explanationis libri 12 / Quorum alias editi, emendati et aucti, inediti vero hactenus desiderati e codice Sessoriano monachorum Cisterciensium S. Crucis in Jerusalem Urbis nunc primum vulgantur. Curantibus Hieronymo Bottino [Bottino, Gerolamo], Josepho Martini [Martini, Giuseppe]. Romae 1843: Typ. S. Congregationis de propaganda fide. XIX, 256 S., 1 Taf.” Archive.org here.

Matter, Ann. The Voice of My Beloved: The Song of Songs in Western Medieval Christianity. Philadelphia: 1990.

Turner, Denys. Eros and Allegory: Medieval Exegesis of the Song of Songs. Kalamazoo, MI: 1995.

Aarael

Aarael, Aarel ou Aharahel, em hebraico אֲחַרְחֵל, foi um descendente de Judá, talvez da linhagem de Calebe. É mencionado em 1 Crônicas 4:8 como filho de Harum. A Septuaginta traduz esse nome como “Irmão de Raquel” (adelphou Rechab), o que indica não ser um nome próprio, mas um apelido dado em relação à sua irmã talvez mais relevante.