Merle D’Aubigné

Jean Henri Merle D’Aubigné (1794-1872) foi um ministro e historiador protestante suíço. Ele nasceu em Eaux-Vives, Genebra, em uma família de origem huguenote. Recebeu sua educação na Universidade de Genebra, onde estudou teologia.

Estudou a Bíblia com o escocês Robert Haldane, líder do Avivamento Continental evangélico de Genebra. Merle mais tarde se referiria essas reuniões com Haldane como “o berço da segunda reforma de Genebra”.

Depois de completar seus estudos, D’Aubigné serviu como pastor em várias cidades suíças, incluindo Lausanne e Genebra. Ele também se envolveu na Sociedade Evangélica Suíça, que buscava promover o renascimento do protestantismo na Suíça.

A obra mais famosa de D’Aubigné é sua “Histoire de la Réformation du XVIe siècle”, ou “História da Reforma do século XVI”, publicada em cinco volumes entre 1835 e 1853. Esta obra traça a história da Reforma Protestante desde suas origens no século 16 até sua disseminação por toda a Europa.

Além de seu trabalho sobre a Reforma, D’Aubigné também foi um escritor prolífico em outros tópicos relacionados ao cristianismo, incluindo estudos bíblicos e teologia. Ele morreu em Genebra em 1872, deixando um legado como um dos historiadores mais influentes da Reforma Protestante.

Manuscrito Ashkar-Gilson

O Manuscrito Ashkar-Gilson (cerca de 600-700 d.C.) é um fragmento de um rolo da Torá contendo Êxodo 9:18–13:2 em forma consonantal proto-massorética. É um dos raros manuscritos intermediários entre o Texto Massorético e o Manuscritos do Mar Morto.

Desde os grandes códices massoréticos, a Canção do Mar foi transmitida com cuidado por copistas massoréticos com um layout específico. Os copistas usaram uma diagramação simétrica especial centralizada em blocos, com espaços em branco marcando o fim das unidades poéticas. Esse layout é encontrado em todos os rolos da Torá usados nas sinagogas atualmente e também aparece no Manuscrito Ashkar-Gilson sem qualquer desvio do arranjo posterior. Contudo, estão ausentes nos manuscritos do Mar Morto. Assim, o Manuscrito Ashkar-Gilson é um exemplar transicional entre os textos proto-massorético e massorético.

O manuscrito foi encontrado em Beirute, Líbano, em 1972, talvez venha da Geniza do Cairo. Continha Êxodo 13:19–16:1, a Canção do Mar. O Manuscrito Ashkar-Gilson foi doado à Universidade Duke. Em 2007, a universidade emprestou o fragmento ao Museu de Israel em Jerusalém, onde foi exibido no Santuário do Livro.

Enquanto estava em exibição, dois especialistas israelenses, Mordechai Mishor e Edna Engel, notaram que a caligrafia e o layout do Manuscrito Ashkar-Gilson eram semelhantes a outro fragmento de pergaminho conhecido como Manuscrito de Londres, que contém uma passagem anterior do Êxodo (Êxodo 9:18–13:2). Pesquisas adicionais confirmaram que ambos os manuscritos faziam parte do mesmo rolo da Torá, datado do século VII ou VIII d.C. O rolo reunido, contendo seções dos capítulos 9 a 16 do Êxodo, preenche uma lacuna crucial na história da transmissão do texto bíblico, fornecendo evidências de um estágio intermediário entre os Manuscritos do Mar Morto e os textos massoréticos.

BIBLIOGRAFIA

Sanders, P. “The Ashkar-Gilson Manuscript: Remnant of a Proto-Masoretic Model Scroll of the Torah”. The Journal of Hebrew Scriptures, vol. 14, Jan. 2014, doi:10.5508/jhs.2014.v14.a7.

Visões de Anrão

As Visões de Anrão são uma obra descoberta nos achados de Qumran. Anrão, a figura a quem o documento é atribuído, é identificado na tradição bíblica como pai de Moisés, Aarão e Miriã.

O documento é preservado em cinco cópias em aramaico (4Q543-547), sendo razoavelmente populares em Qumran. Ainda assim, como o documento não exibe nenhuma das linguagens distintas ou ideias associadas a documentos como a Regra da Comunidade (1QS), os Hinos de Ação de Graças (1QHa), as Visões de Anrão podem ter sido compostas e lidas fora do grupo de Qumran. O documento provavelmente foi escrito em aramaico em algum momento do século II a.C., provavelmente na Judeia ou na região circundante.

Anrão, com 136 anos, celebra o casemento de Miriã com Uziel e reúne sua família para contar sua história. Seus antepassados construíram túmulos em Canaã. Houve uma separação da família devido à guerra com uma reunião após 41 anos.

A Visão de Anrão descreve figuras divinas contendendo sobre o julgamento, as quais Anrão questionam suas autoridades. Apresenta-se as opções de destino. Aparecem Belial e Melkirisha, bem como Melquizedeque. Segue um pequeno tratado da Diferenciação entre Luz e Trevas, discorrendo do destino dos filhos de cada um, o triunfo da Luz.

Hivi al-Balkhi

Hivi al-Balkhi (820-893 EC) foi um médico, filósofo e poeta judeu que viveu no mundo islâmico medieval. Sua posição cética influenciou o racionalismo judaico.

Hivi al-Balki nasceu na cidade de Balkh, no atual Afeganistão, e passou a maior parte de sua vida no Califado Abássida, onde ganhou fama como médico e como membro proeminente da elite intelectual e cultural. Fazia parte de uma viva comunidade intelectual e cultural judaica no mundo islâmico. Seu trabalho reflete a influência das tradições intelectuais judaicas e muçulmanas.

Além de seu trabalho médico, Hivi al-Balkhi também foi filósofo e poeta. Escreveu livros sobre filosofia, entre eles um tratado sobre ética chamado “Kitab al-Mahasin” e um trabalho sobre metafísica chamado “Kitab al-Talim”.

Como médico, Hivi al-Balkhi fez avanços em farmacologia e abordagens inovadoras para o tratamento médico. Escreveu vários livros sobre medicina, incluindo uma enciclopédia médica abrangente chamada “Kitab al-Musta’ini”, amplamente usada por médicos em todo o mundo islâmico.

Em 875 al-Balkhi escreveu um livro com duzentas objeções à origem divina da Bíblia. Assim, foi considerado um epikoros (apóstata). Saadia Gaon escreveu um livro para refutá-lo, mas ambas as obras foram perdidas.

David ben Abraham al-Fasi

David ben Abraham al-Fasi (ou Alfasi) (morte em 1026) foi um lexicógrafo e biblista originário de Fes, Marrocos.

Al-Fasi nasceu em uma família judia caraíta, o que implicava em estudar somente a Bíblia hebraica como fonte da lei e prática judaica. Mudou-se para a Palestina, onde compilou seu dicionário.

David ben Abraham al-Fasi tornou-se um estudioso prolífico e uma autoridade respeitada em lexicografia hebraica. Sua contribuição mais significativa para este campo foi o Kitāb Jāmiʿ al-Alfāẓ, também conhecido como “O Livro dos Significados Coletados”. Este foi um dos primeiros dicionários judaico-árabe conhecidos e o primeiro dicionário de hebraico bíblico.

Neste trabalho, David ben Abraham al-Fasi classificou as raízes das palavras hebraicas de acordo com o número de suas letras. Esse sistema facilitou a busca de palavras no dicionário e permitiu que os leitores entendessem o significado de palavras desconhecidas na Bíblia Hebraica.

O Kitāb Jāmiʿ al-Alfāẓ não era apenas um recurso valioso para estudiosos do hebraico, mas também um importante artefato cultural por si só. Foi escrito em judaico-árabe, uma língua que misturava hebraico e árabe e era falada por comunidades judaicas em todo o Oriente Médio e Norte da África. O dicionário ajudou a preservar esse idioma único e a herança cultural do povo judeu que o falava.