Boaventura (1217-1274) ou Giovanni di Fidanza foi um frade franciscano e teólogo italiano.
Escreveu extensivamente sobre misticismo e espiritualidade cristã. Dentre suas obras estão lItinerarium Mentis in Deum”, “Breviloquium”, “De Reductione Artium ad Theologiam”, “Soliloquium” e “De septem itineribus aeternitatis”.
A perspectiva filosófica de Boaventura estava enraizada em sua execução franciscana de princípios filosóficos. Embora a influência de Aristóteles seja evidente em sua obra, a abordagem de Boaventura à filosofia divergia da dos dominicanos como Tomás de Aquino. Ao contrário dos dominicanos, Boaventura não se envolveu num estudo textual detalhado de Aristóteles, mas adoptou princípios aristotélicos gerais dos seus mentores durante os seus estudos de artes. Então aplicou esses princípios para desenvolver suas próprias conclusões filosóficas, influenciadas mais por figuras como Alexandre de Hales.
A teologia e a filosofia de Boaventura estavam interligadas, com o seu trabalho focado em tornar a fé inteligível. A teologia seria uma “ciência” que adaptava o método de argumentação de Aristóteles para elucidar as verdades encontradas nas Escrituras e na fé. Embora a própria fé tivesse Deus como única causa eficiente, tanto a filosofia como a teologia tinham a mente humana como causa eficiente, embora com a influência de Deus.
No que diz respeito à causa material ou tema da teologia, Boaventura baseou-se em várias perspectivas, enfatizando em última análise o papel da teologia em tornar o “objeto da crença” inteligível através do raciocínio. Sua teologia abrangia tanto crenças religiosas reforçadas por argumentos baseados na razão natural quanto verdades racionais complementadas por argumentos baseados na fé. Esta fusão de fé e razão dentro dos argumentos teológicos foi central para a abordagem de Boaventura.
A metodologia de Boaventura é exemplificada em sua obra, com questões divididas em duas: primeiramente fundamentava-se em premissas racionais. Depois, utilizava-se premissas derivadas da fé. Esta integração de argumentos racionais e baseados na fé sublinha o cerne da teologia boaventurana, enfatizando a sinergia entre estas duas abordagens. O raciocínio filosófico ocupa, portanto, um lugar integral na estrutura teológica baseada na fé de Boaventura, harmonizando fé e razão na busca da compreensão teológica.
Boaventura possuía uma perspectiva complexa sobre salvação e santificação. Em seu Itinerarium Mentis Dei descreve um processo de seis etapas através do qual a alma ascende à união com Deus, contemplando a Trindade através dos vestígios da criação, através da imagem divina e através dos atributos essenciais e pessoais de Deus.