Donald Bloesch

Donald George Bloesch (1928–2010) foi um teólogo evangelical congregacionalista americano.

Bloesch criticava tanto o misticismo fundamentado primordialmente nas experiências quanto um racionalismo que confiava no conhecimento intelectualizado. Estudou exaustivamente vertentes teológicas globais e apresentou uma síntese da teologia evangelicalista.

Criticava tanto vertentes nos polos liberais e fundamentalistas do protestantismo americano. Bloesch era tido como “evangélico progressista” ou “ortodoxo ecumênico” e visto como “conservador” dentro da Igreja Unida de Cristo, da qual era membro e ministro ordenado.

Donald Bloesch enfatizou a importância da autoridade bíblica e a necessidade da fé cristã para se envolver com a modernidade. Bloesch é autor de vários livros, incluindo “The Christian Foundation” (1978) e “The Church: Sacraments, Worship, Ministry, Mission” (2002).

Brevard Childs

Brevard Springs Childs (1923 – 2007) foi um biblista americano especializado no Antigo Testamento. Proponente da crítica canônica, considerava a totalidade das Escrituras como foi recebida pelas suas comunidades de fé como o objeto de análise. Assim, Childs afastou o foco da exegese do contexto, intenção autoral ou circunstância histórica da composição em benefício do foco no próprio texto.

Walter Brueggemann

Walter Brueggemann (1933-2025) foi um biblista e teólogo congregacionalista americano.

Como exegeta, Brueggemann investigou o Antigo Testamento. Escreveu vários comentários acerca de diversos livros do Antigo Testamento. Neles, combinou uma análise pela tradição profética hebraica e mediante a imaginação sociopolítica da Igreja.

Em sua teologia, Brueggeman enxerga na Igreja a missão de fornecer uma contra-narrativa para as forças dominantes do consumismo, militarismo e nacionalismo.

Central para o pensamento de Brueggemann é o conceito de imaginação profética, introduzido em seu livro de 1978, The Prophetic Imagination. Ele argumenta que os profetas bíblicos, como Moisés, Jeremias e Isaías, não eram meros adivinhos, mas vozes alternativas que se levantavam contra sistemas opressores dominantes, sejam eles o Faraó do Egito, a monarquia corrupta de Israel ou os impérios invasores.

A imaginação profética opera em duas frentes principais: primeiro, ela envolve a crítica da consciência dominante, desmascarando as ideologias desumanizadoras que sustentam o poder político e econômico. Segundo, ela canaliza a energia para a realidade alternativa, articulando esperança e novas possibilidades enraizadas na aliança e na justiça de Deus. Brueggemann salienta que a linguagem poética é fundamental para essa tarefa profética, pois as metáforas, lamentações e doxologias dos profetas rompem com o pensamento convencional e abrem espaço para novas visões.

Brueggemann consistentemente sublinha a centralidade da aliança na fé bíblica, seja a aliança abraâmica, mosaica ou davídica. Para ele, a aliança estabelece o fundamento relacional da conexão de Yahweh com Israel, caracterizada por fidelidade e obrigações mútuas.

Essa teologia da aliança não é meramente histórica; ela possui uma ética subversiva intrínseca. Ao priorizar a justiça para os vulneráveis — viúvas, órfãos e imigrantes — a aliança desafia e subverte sistemas exploradores. Consequentemente, a tensão com o império é uma característica recorrente da identidade da aliança de Israel, que frequentemente entra em conflito com potências imperiais como o Egito, a Babilônia e Roma.

Brueggemann aborda as Escrituras não como um texto estático, mas como uma conversa contínua. O biblista reconhece a presença de testemunho e contra-testemunho dentro da Bíblia, onde vozes diversas, por vezes conflitantes, apresentam diferentes facetas de Deus — justo e misterioso, presente e ausente.

Sua abordagem é marcada por uma interpretação pós-crítica, que integra métodos histórico-críticos com leituras literárias e teológicas, valorizando o poder transformador do texto. Para Brueggemann, a Escritura funciona como um roteiro, oferecendo um guia para uma vida fiel e convidando as comunidades a reimaginar suas próprias histórias dentro de sua vasta estrutura.

Brueggemann revitalizou a teologia do lamento, notavelmente em The Message of the Psalms (1984). Argumentava que o luto, expresso nos salmos de lamento, é necessário para perturbar um otimismo falso e superficial, abrindo caminho para uma esperança autêntica. Para ele, a esperança não é uma passividade, mas um ato de resistência contra o desespero, firmemente enraizado nas promessas e nos atos libertadores de Deus, como o Êxodo, o retorno do Exílio e a Ressurreição.

A teologia de Brueggemann não se restringe ao domínio acadêmico; ela se estende a um engajamento com questões sociais contemporâneas. Foi um crítico ferrenho da justiça econômica moderna, denunciando o neoliberalismo e o consumismo e defendendo uma redistribuição mais equitativa dos recursos, como explorado em God, Neighbor, Empire (2016).

Além disso, Brueggemann incorporou a ecoteologia em seu pensamento. Aliava o cuidado com a criação como uma responsabilidade intrínseca à aliança de Deus. Também promovia ativamente a promoção da paz, questionando o militarismo e a violência com base nas tradições proféticas da Bíblia.

A influência de Brueggemann se estende à pregação e ao ministério. Encorajava os pregadores a ver a pregação como subversão, desafiando as suposições culturais dominantes e capacitando as vozes marginalizadas. Sua teologia pastoral enfatiza o papel vital da igreja no cultivo de comunidades alternativas de esperança, onde a fidelidade a Deus se manifesta em práticas de justiça e compaixão.

BIBLIOGRAFIA SELETA
Brueggeman, Walter. The Prophetic Imagination (1978).

Brueggeman, Walter. Theology of the Old Testament (1997)

Brueggeman, Walter. The Message of the Psalms (1984)

Brueggeman, Walter. Sabbath as Resistance (2014).

Nikolai Berdyaev

Nikolai Alexandrovich Berdyaev (1874 – 1948) (também grafado Berdiaev e Berdiaef) foi um filósofo existencialista e teólogo russo.

Berdyaev enfatizou o significado espiritual existencial da liberdade e da pessoa humana.

Perseguido tanto por czaristas quanto pelos soviéticos devido suas críticas e seus posionamentos morais, Berdyaev foi exilado no “navio dos filósofos” — a expulsão movida contra cerca de 200 filósofos, cientistas e outros intelectuais russos em 1922.

Para o teólogo, o mundo espiritual (noumenal) tem precedência sobre o mundo objetivo das aparências físicas (fenomenal). O conhecimento é a apreensão desse mundo espiritual, não sendo uma recepção passaiva de fatos. Contrário disso, o ser humano ativamente transforma-se e passa a existir quando compreende melhor o mistério da existência.

BIBLIOGRAFIA

Daniel, Mary L. “Berdyaev and Guimarães Rosa: The Paradox of Necessity and Freedom.” Luso-Brazilian Review (1981): 295-310.

Lowrie, Donald Alexander. Rebellious Prophet. A Life of Nicolai Berdyaev. New York, 1960.

Delwin Brown

Delwin Brown (1935-2009) foi um teólogo cristão progressista e uma das poucas vozes da teologia liberal no final século XX.

Brown atuou como decano emérito da Pacific School of Religion e ocupou a cátedra Harvey H. Pontoff de Teologia Cristã na Iliff School of Theology. Seu livro To Set at Liberty: Christian Faith and Human Freedom abordou a interseção entre fé e liberdade humana. Sua teologia valorizava a liberdade e a responsabilidade humanas, entendendo que Deus confere aos indivíduos a capacidade real de moldar suas vidas e o mundo ao redor. Comprometido com a justiça bíblica, defendeu os marginalizados e propôs a fé como um motor para construir uma sociedade mais justa e equitativa.

Brown também defendia o diálogo entre a teologia e o pensamento moderno, abraçando a investigação crítica e as contribuições da ciência e da filosofia contemporâneas. Defendia a abertura intelectual e o compromisso com a inclusão que marcaram o cristianismo progressista.