Constituições Apostólicas

As Constituições Apostólicas, também conhecidas como Constitutiones Apostolorum, são uma compilação cristã de Ordenanças da Igreja, um gênero literário que abrange diretrizes morais, disciplina, liturgia e organização eclesiástica. É a coleção mais extensa de leis eclesiásticas sobreviventes do início do cristianismo.

Data e Atribuição
Esta obra é considerada pseudoepigráfica, falsamente atribuída aos apóstolos, e geralmente acredita-se que tenha sido escrita ou substancialmente editada por Juliano de Antioquia, um teólogo pró-ariano, por volta dos anos 375 a 380 d.C. As versões em grego das Constituições provavelmente foram compiladas na Síria. Embora existam algumas atribuições aos apóstolos, é consensualmente aceito que a obra tenha uma autoria posterior.

Em partes ou totalmente foi traduzido para o siríaco, latim e ge’ez. A versão grega foi impressa no século XVI.

Conteúdo
As Constituições Apostólicas são compostas por oito livros:

  1. Livros 1 a 6 constituem uma versão reformulada da Didascalia Apostolorum, uma obra anterior do mesmo gênero.
  2. Livro 7 é parcialmente influenciado pela Didache, com capítulos 33-45 contendo orações reminiscentes das orações litúrgicas judaicas usadas em sinagogas.
  3. Livro 8 é mais intrincado e também foi circulado em uma versão editada como o “Epítome do oitavo livro das Constituições Apostólicas”, ou às vezes intitulado “As Constituições dos Santos Apóstolos sobre ordenação através de Hipólito” ou simplesmente “As Constituições através de Hipólito”. Este livro é composto por:
    • Capítulos 1-2, que incluem um trecho de um tratado perdido sobre os carismas.
    • Capítulos 3-46, com base na Tradição Apostólica, substancialmente expandida, juntamente com outro material.
    • Capítulo 47, conhecido como os “Cânones dos Apóstolos”, que teve uma circulação mais ampla do que o restante do livro. O Cânon 85, nesta seção, lista livros canônicos da Bíblia, omitindo o Livro do Apocalipse, mas incorporando as Constituições Apostólicas e as duas cartas de Clemente no cânon das Escrituras. Também lista três livros dos Macabeus, o Sirácida e, em alguns manuscritos, Judite.

Canonicidade
As Constituições Apostólicas foram rejeitadas como apócrifas pelo Decretum Gelasianum. O Concílio Quinissexto de Trullo em 692 rejeitou a maior parte da obra devido a interpolações heréticas. No entanto, a parte do Livro 8 referida como os Cânones dos Apóstolos foi aceita no Cristianismo Oriental. Foi reconhecida como canônica por João de Damasco e, em uma forma modificada, foi incluída no cânon mais amplo da Igreja Ortodoxa Etíope. Notavelmente, William Whiston a considerou autêntica e autoritativa.

As Constituições Apostólicas servem como uma fonte significativa para compreender a história da liturgia no rito antioqueno.

Convenção Internacional das Congregações Cristãs

A Convenção Internacional das Congregações Cristãs é uma comunhão e uma associação de fato sob direito privado de denominações nacionais com similares bases históricas, doutrinárias e organizacionais.

As bases de comunhão foram firmadas em 19 de abril de 2003 por signatários representando vinte denominações nacionais da Congregação Cristã, reunidos em São Paulo, Brasil.

Uma retroversão em português

Congregacionalistas

Congregacionalismo é tanto (a) uma estrutura eclesiológica e política de organização denominacional que enfatiza a autonomia da igreja local, bem como (b) as denominações de origem angloamericanas que adotam tal estrutura.

A tradição denominacional congregacionalista

Originárias reuniões puritanas e separatistas na Inglaterra do século XVI, os congregacionalistas velam pela autonomia das congregações locais sob a liderança imediata de Cristo. Esta abordagem enfatiza o cuidado mútuo entre as igrejas, inicialmente expresso em associações locais e posteriormente evoluindo para uma denominação nacional.

Entre seus pioneiros estavam os puritanos Robert Browne e John Robinson. A congregação de Robinson mais tarde viriam ser os Peregrinos que migraram para Plymouth, Massachusetts.

O congregacionalismo segue tradição teológica reformada, evoluindo a partir de suas raízes calvinistas para abraçar a diversidade teológica. Ao invés do confessionalismo, adota pactos doutrinários. A Plataforma Cambridge define a igreja como um corpo reunido de crentes, com uma natureza pactual influenciando tanto a eclesiologia como os sistemas políticos.

Figuras notáveis incluem Horace Bushnell, Nathaniel Taylor e outros.
Expressões nacionais são a União das Igrejas Congregacionais na Inglaterra e o Conselho Nacional das Igrejas Congregacionais na América, surgiram nos séculos XIX e XX. Fusões incluem a formação da Igreja Unida de Cristo nos EUA, a Igreja Unida do Canadá e a Igreja Reformada Unida do Reino Unido.

A International Congregational Fellowship, criada em 1974, serve como um órgão global não representativo para congregacionalistas de várias nações.

Congregacionalismo no Brasil

O congregacionalismo é a mais antiga tradição denominacional a fazer cultos em português e realizar missões entre brasileiros. O congregacionalismo brasileiro tem suas origens históricas não no congregacionalismo britânico ou norteamericano, mas no trabalho missionário indenominacional do médico-missionário escocês Robert Reid Kalley e de sua esposa Sarah Poulton Kalley.

Chegando ao Brasil em 1855, fundaram a Igreja Evangélica Fluminense no Rio de Janeiro. Igrejas semelhantes surgiram em Recife e Niterói, todas independentes de laços denominacionais no exterior.

Embora batizado na Igreja Livre da Escócia, Kalley distanciou-se da afiliação denominacional, enfatizando a unidade entre os cristãos, independentemente da denominação. Esta abordagem, divergindo do denominacionalismo estrito do presbiterianismo, introduziu uma estrutura congregacionalista onde cada igreja local era autônoma.

Os principais grupos são.

  1. União das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil (UIECB) – Formada em 1913, representa igrejas congregacionalistas estabelecidas através dos esforços missionários de Robert Reid Kalley e enfatiza a autonomia congregacional.
  2. Igreja Cristã Evangélica do Brasil – Originada da missão de Kalley, fundiu-se com a UIECB em 1942 e reflete sua abordagem indenominacional do Cristianismo.
  3. Igreja Evangélica Congregacional do Brasil – Influenciada pelo pietismo alemão, surgiu separada do trabalho missionário de Kalley e mantém presença principalmente no Sul do Brasil.
  4. Aliança das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil – Formada em 1967, representa igrejas congregacionalistas com ênfase na doutrina pentecostal e movimentos de renovação dentro de igrejas protestantes históricas.

Conflito de Adão e Eva com Satanás

Conflito de Adão e Eva com Satanás (O Livro de Adão e Eva) é um obra cristã parabíblica do século VI em Ge’ez, traduzida de um original árabe O Conflito de Adão e Eva com Satanás, também conhecido como O Livro de Adão e Eva.

Esta obra é notável por seu retrato dos acontecimentos imediatamente após a expulsão de Adão e Eva do Jardim do Éden.

No Livro 1, o foco é a profunda tristeza e sensação de desamparo de Adão ao entrar no mundo além do Éden. Esta seção descreve a punição da serpente, suas tentativas fúteis de prejudicar Adão e Eva e a intervenção de Deus, que deixa a serpente muda e a bane para a Índia. Um incidente memorável envolve Satanás atirando-lhes uma pedra, apenas para que Deus intervenha, prenunciando assim a futura Ressurreição de Cristo. Além disso, as declarações proféticas de Deus neste livro predizem eventos futuros significativos, incluindo Noé e o Grande Dilúvio.

O Livro 2 investiga as identidades dos “filhos de Deus” mencionados em Gênesis 6:2 como descendentes de Sete, e das “filhas dos homens” como mulheres descendentes de Caim. A narrativa descreve a sedução bem-sucedida dos descendentes de Sete para descerem de sua morada montanhosa e se juntarem aos Cainitas no vale abaixo, orquestrada por Genun, filho de Lameque. Genun é creditado por inventar instrumentos musicais e armas de guerra, atributos tipicamente associados a Jubal e Tubal-Caim, respectivamente. Os Cainitas, conhecidos por sua maldade, envolvem-se em atos hediondos como assassinato e incesto. Os descendentes dessas uniões tornam-se os Nefilim, os “homens poderosos” de Gênesis 6, que morrem no Dilúvio, um tema também explorado em outras obras antigas como 1 Enoque e Jubileus. Mas, contrárias às interpretações de que os “filhos de Deus” seriam seres angelicais, essa obra assegura uma linhagem humana.

Os livros 3 e 4 continuam a narrativa, narrando a vida de figuras bíblicas como Noé, Sem e Melquisedeque. A história prossegue através de eventos significativos, culminando na destruição de Jerusalém por Tito no ano 70 d.C. De particular interesse é a genealogia de Adão a Jesus, espelhando a estrutura encontrada nos Evangelhos. No entanto, este texto distingue-se por também nomear as esposas de cada um dos antepassados de Jesus, uma característica distintiva raramente encontrada em outros relatos.

O Conflito de Adão e Eva com Satanás é digno de nota por se afastar das versões hebraicas e siríacas conhecidas dos textos bíblicos. Apresenta aspectos únicos, como a oferta de sacrifícios de animais por Caim, em oposição às ofertas agrícolas de Abel, e variações nas idades dos patriarcas pré-diluvianos, diferenciando-o de outras versões contemporâneas.

Caverna dos Tesouros

Caverna dos Tesouros é uma narrativa parabíblica e obra pseudoepigráfica (atribuída a Efrém, o Sírio) composta em siríaco no final do século VI, com versões em árabe e etíopes. Algumas recensões confundem-se com outra obra similar, o Conflito de Adão e Eva com Satã. Deve sua introdução ao mundo ocidental por Giuseppe Simone Assemani (1687-1768).

Este texto antigo representa uma das primeiras obras cristãs que reconta a história das interações de Deus com a humanidade, desde Adão até Cristo.

O autor da Caverna dos Tesouros referiu-se à sua obra como “O Livro da ordem da sucessão das Gerações”, ou seja, a descendência de Cristo desde Adão. Rejeitou as tabelas genealógicas comumente usadas entre seus contemporâneos, afirmando que elas haviam sido destruídas pelo exército babilônico liderado por Nabucodonosor. Consequentemente, o autor procurou fornecer uma genealogia alternativa, que cristãos, árabes, núbios, egípcios e etíopes consideraram confiável no rastreamento de suas respectivas linhagens.

O título “Caverna dos Tesouros” provavelmente carrega um duplo significado, simbolizando tanto o status do livro como um repositório de conhecimento valioso quanto a lendária caverna onde, segundo a tradição, Adão e Eva viveram após serem expulsos do Paraíso. Dizia-se que esta caverna continha materiais preciosos como ouro, incenso e mirra, daí o “A Caverna dos Tesouros”.

Embora a Caverna dos Tesouros Siríaca ofereça detalhes mínimos sobre os atributos físicos da caverna em si, outro texto, o “Livro de Adão e Eva”, dedica uma seção inteira para descrever as características da caverna e a vida diária de Adão e Eva em seu interior.

Um tema consistente nesses escritos é a tipologia de Adão como prefiguração de Cristo. Notavelmente, uma seção proeminente do texto, conhecida como Hexaemeron, narra a criação e divide a história humana em várias eras (eons) ou “dias”. Depois, cobre os 5.500 anos desde a criação de Adão até o nascimento de Cristo. Esta extensa linha do tempo é dividida em cinco milênios, cada um compreendendo mil anos, e um capítulo final cobrindo os quinhentos anos restantes, culminando no advento de Cristo. Os capítulos abrangem:

O primeiro milênio: Desde a criação do mundo até os descendentes de Sete descendo de sua morada na montanha e misturando-se com os descendentes de Caim.

O segundo milênio: abrangendo desde a invenção da música pelos descendentes de Caim até a época do Dilúvio.

O terceiro milênio: Abrangendo o período desde o Dilúvio até o reinado de Ninrode.

O quarto milênio: Começando com a ascensão de vários reinos (Egito, Sabá, Ofir, Havilá, Índia) e continuando até o juiz Eúde.

O quinto milênio: abrangendo o período desde a era do juiz Eúde até o reinado de Ciro, o Grande.

O sexto milênio: detalhando os quinhentos anos desde o reinado de Ciro até o nascimento de Cristo.

Similar à midrash judaica e ao Livro dos Jubileus, essa versão cristianizada integra a narrativa bíblica (expandida) para contemplar outros povos na história de salvação. É uma obra importante também para crítica textual, pois atesta que foram usadas diferentes fontes das disponíveis hoje para o Antigo Testamento.