Eunomianismo

Os Eunomianos, também conhecidos como Anomoanos ou Heterousianos, eram seguidores de Eunômio, um bispo de Cízico do século IV.

Os eunomianos acreditavam em uma total assimetria dentro da Santíssima Trindade, afirmando que somente o Pai possuía o atributo de não gerado (ser sem origem) enquanto considerava o Filho e o Espírito Santo como seres criados, sendo funcionalmente subordinado. Enfatizavam uma definição precisa da essência de Deus e frequentemente eram associados ao arianismo extremo.

Ensinamentos de Silvano

Os Ensinamentos de Silvano é uma obra não canônica, encontrada na Biblioteca de Nag Hammadi contendo uma série de ditos de “sabedoria”. Os ensinamentos são atribuídos sob pseudônimo a certo “Silvano”, talvez uma sugestão que fosse Silas, companheiro de viagem de Paulo.

Os Ensinamentos de Silvano foram descobertos em 1945 em um manuscrito datado do século IV. Contudo, a composição do texto, compilado por vários autores remonta de 165 a 350 d.c. Menciona três evangelhos, o corpus paulino, 1 e 2 Pedro como Escrituras. Aparentemente são notas pessoais ou notas didáticas.

Apesar de alguns elementos e temas gnósticos, os Ensinamentos em sua totalidade não refletem uma doutrina gnóstica. Ainda mais, há elementos anti-gnósticos. São duas partes, reflentindo autorias diferentes. Na parte incial há influências judaicas, principalmente da Sabedoria de Salomão, filosofias estoicas e platônicas, além de paralelos com Clemente de Alexandria. Na parte tardia há elementos origenistas, discute a relação entre o Pai e o Filho, além de uma teologia do Logos.

Judaismo enoquita

O judaísmo enoquita é um conceito desenvolvido por pesquisadores para referir-se às crenças e práticas de algumas vertentes do judaísmo do Segundo Templo.

Uma tendência purista de judeus esposava um dualismo cósmico entre o bem e o mal, a onipotência de Deus, fatalismo, a identificação da impureza com o mal e um sectarismo.

A literatura enoquiana sumariza as crenças dessa vertente. Para esses grupos (considerando que não utilizavam o termo “enoquiano” como autodesignação) reverenciava a figura do patriarca Enoque. Criam que anjos caídos trouxeram o mal ao mundo.

Os enoquianos acreditavam que a restauração da ordem de Deus ainda era um evento futuro.

BIBLIOGRAFIA

Gabriele Boccaccini, Giovanni Ibba, eds. Enoch and the Mosaic Torah: The Evidence of Jubilees. Grand Rapids: Eerdmans, 2009

Emenda conjectural

A emenda conjectural, nos campos da filologia e dos estudos bíblicos, refere-se ao ato de fazer correções especulativas ou hipotéticas ou alterações em um texto para resolver erros, inconsistências ou dificuldades percebidas.

Envolve propor emendas ao texto original com base no julgamento do estudioso, no conhecimento do idioma e no contexto, em vez de confiar apenas nas evidências existentes no manuscrito.

A emenda conjectural é normalmente empregada quando a evidência disponível do manuscrito contém erros, omissões ou passagens ininteligíveis que impedem uma interpretação ou compreensão satisfatória do texto.

O propósito das emendas conjecturais é para tornar o texto mais coerente, significativo ou alinhado com a gramática, sintaxe ou estilo esperado da linguagem. No entanto, a emenda conjectural é uma prática altamente especulativa e subjetiva. Envolve a introdução de mudanças no texto original sem evidências manuscritas diretas para apoiá-las. Consequentemente, as emendas conjecturais devem ser abordadas com cautela e consideradas como propostas hipotéticas e não como soluções definitivas.

Exemplos de emenda conjectural em estudos bíblicos abundam. Na produção do Textus Receptus, Erasmo retroverteu da Vulgata parte do Apocalipse, visto que não dispunha manuscritos gregos completos. A única emenda conjectural na edição grega Nestlé-Aland 28 é em 2 Pedro 3:10.

Exegese

Exegese é a interpretação crítica e explicação de textos, especialmente textos religiosos como a Bíblia. É a prática de interpetação meticulosa de um texto de acordo com normas e métodos academicamente aceitos.

O termo tem origem na palavra grega ἐξήγησις (exēgēsis), que significa “conduzir para fora” ou “explicar”. Este processo analítico busca revelar os significados plausíveis de um texto conforme compreendido por seus autores, transmissores e suas audiências, evitando projeções de interpretações arbitrárias ou preconceitos sobre ele.

A exegese caracteriza-se por uma leitura objetiva. O foco é o significado do texto em seu contexto histórico e cultural. Esse método evita especulações ou interpretações criativas. A compreensão do contexto histórico e cultural é fundamental, incluindo análise putativa das situações dos autores, do contexto de sua audiência e do ambiente sociopolítico em que o texto foi escrito. A análise de técnicas literárias, formas e estruturas dentro do texto também desempenha um papel essencial na exegese, permitindo uma compreensão mais profunda de seu significado. Diferentes metodologias podem ser aplicadas, como a crítica textual, a análise linguística e a hermenêutica, o estudo dos princípios de interpretação.

No campo dos ciências bíblicas, a exegese refere-se especificamente à interpretação da Bíblia. Esta prática tem raízes nas tradições judaica e cristã, evoluindo ao longo dos séculos para abordar questões teológicas e ensinamentos morais extraídos dos textos sagrados. No Judaísmo, a exegese remonta ao antigo Israel, com figuras como Esdras sendo consideradas fundamentais no estabelecimento de métodos para interpretar textos sagrados. Ao longo da história, estudiosos judeus utilizaram a exegese para derivar leis e ensinamentos éticos da Torá, empregando técnicas interpretativas que refletem influências linguísticas e filosóficas de culturas circundantes. No Cristianismo, a patrística foi responsável pelo desenvolvimento de métodos exegéticos que influenciaram a teologia e a doutrina cristãs. Com o tempo, o trabalho exegético tornou-se essencial para a compreensão de questões doutrinárias e da autoridade das Escrituras no Cristianismo.

Na prática contemporânea, a exegese permanece como uma disciplina vital nos estudos bíblicos. Eruditos utilizam uma variedade de ferramentas e abordagens, incluindo comentários publicados que fornecem análises detalhadas dos textos bíblicos, com contextos históricos, detalhes linguísticos e implicações teológicas. Além disso, estudos acadêmicos modernos frequentemente adotam abordagens interdisciplinares que incorporam arqueologia, sociologia e literatura comparativa para enriquecer a compreensão dos textos.

A exegese desempenha funções importantes, como a clarificação de passagens ambíguas por meio do fornecimento de contexto e da exploração de interpretações fundamentadas em evidências textuais. Contribui para o desenvolvimento teológico, ajudando a moldar discursos teológicos e a informar crenças e práticas religiosas. Além disso, permite a aplicação dos textos bíblicos em contextos contemporâneos, ao mesmo tempo que respeita os significados prévios.