Estudo Bíblico Indutivo

O Estudo Bíblico Indutivo é um método de leitura intensa, focado na Bíblia ao invés de seu contexto, questões históricas, literárias ou teológicas. Foi esquematizado por Robert Traina.

O MÉTODO

O Estudo Bíblico Indutivo busca responder as sequintes questões:

O que o texto diz?
O que o texto significa?
O que o texto significa para mim?

Robert Traina, um evangélico ítalo-americano versado em crítica bíblica e filosofias interpretativas, desempenhou um papel fundamental nesta evolução com sua obra Methodical Bible Study (1952). Este livro popularizou o método indutivo, caracterizado pela ênfase em conclusões baseadas em evidências, em vez de premissas pressuposicionais.

Oriundo do Método de Leitura da Bíblia, o Estudo Bíblico Indutivo marcou uma mudança de uma abordagem principalmente dedutiva para uma metodologia indutiva mais sistemática e acadêmica. Teoreticamente, fundamenta-se em Dilthey e Collingwood.

O Estudo Bíblico Indutivo é fundamentado teoreticamente por Traina, descrevendo e argumentado uma leitura indutiva. Ao contrário do raciocínio dedutivo, que se baseia em pressupostos, o estudo indutivo começa com elementos observados no texto, promovendo uma abertura radical a qualquer conclusão apoiada por evidências bíblicas. Orienta os leitores através da observação, interpretação, aplicação e correlação, promovendo uma progressão lógica que protege contra interpretações precipitadas e aplicações desconexas.

Este método incentiva os intérpretes a passar de pesquisas de livros inteiros para passagens individuais, promovendo o pensamento contextual e tornando as Escrituras acessíveis na língua nativa. A integração da aplicação e da correlação no processo hermenêutico garante que estes elementos cruciais não sejam deixados de lado, levando a uma abordagem holística que tem o potencial de transformar vidas através de um envolvimento profundo e ponderado com o texto bíblico.

PROCESSO

O Estudo Bíblico Indutivo pode ser feito em sete estágio:

  1. Antecedentes: Entenda o contexto histórico, autoria e detalhes importantes usando resumos, dicionários bíblicos ou comentários.
  2. Paráfrase pessoal: Reescreva cada versículo com suas próprias palavras para melhor compreensão.
  3. Perguntas e Respostas: Faça perguntas sobre a passagem e responda-as para esclarecer qualquer confusão.
  4. Referências cruzadas: Anote as passagens relacionadas e consulte as concordâncias ou notas de rodapé para obter informações adicionais.
  5. Informações: Registre observações pessoais e busque maior compreensão por meio de comentários bíblicos.
  6. Aplicação Pessoal: Aplique a passagem à sua vida, estabelecendo conexões significativas.
  7. Título e resumo: Dê um título a cada capítulo, identifique os versículos-chave e escreva um parágrafo de resumo para solidificar a mensagem. Repita para cada capítulo e forneça um título abrangente para o livro inteiro.

BIBLIOGRAFIA

Bauer, David R., and Robert A. Traina. Inductive Bible Study: A Comprehensive Guide to the Practice of Hermeneutics. Grand Rapids: Baker Academic, 2011.

Epístola de Policarpo aos filipenses

A epístola de Policarpo aos filipenses é uma carta aconselhando a Igreja em Filipos sobre um debate acerca de um presbítero. Associa sã doutrina com conduta reta.

Seu autor foi Policarpo, bispo de Esmirna que morreu como mártir nos meados do século II.

É possível datá-la entre 110 e 140 d.C.

Atesta a circulação de escritos paulinos. Por exemplo Policarpo cita Epístolas Pastorais Paulinas. Primeiro Timóteo 6:10 e 6:7 aparecem em Pol. Fil. 4.1. Segundo Timótemo. 4:10 aparece em Pol. Fil. 9.2.

Epístola de Diogneto

A Epístola de Diogneto ou Carta a Diogneto é uma apologia anônima cristã primitiva, escrita em grego, provavelmente da metade do século II.

Aparentemente não era conhecida na Antiguidade e Idade Média, visto que não foi citada substancialmente por outros autores. Foi descoberto no século XV em Constantinopla e depois outras cópias apareceram.

Explica quem é o Deus cristão e porque a fé cristã permitia desprezar tanto o mundo e a morte. Contrasta a religião cristã com as religiões dos gregos e judeus.

Argumenta que os cristãos estão encerrados no mundo, mas não pertencem a ele; eles são odiados pelo mundo, mas eles o amam.

Erev Rav

Erev Rav era um grupo de povos diversos que se juntaram às tribos de Israel no Êxodo.

Diz em Êxodo 12:38 “E subiu também com eles uma mistura de gente, e ovelhas, e vacas, uma grande multidão de gado.” A versão ARC segue a Vulgata (vulgus promiscuum) e a Septuaginta (ἐπίμικτος) que dá uma ideia tanto de uma variedade de pessoas ou, como alguns intérpretes tardios, pessoas de origens étnicas mistas.

Seguindo esse termo da Septuaginta e Vulgata, em Números 11:4 diz que “E o vulgo, que estava no meio deles, veio a ter grande desejo; pelo que os filhos de Israel tornaram a chorar e disseram: Quem nos dará carne a comer?” Este termo “vulgo” traduz o hebraico אֲסְפְּסֻף, asafsuf, o qual só aparece nessa passagem. Algumas versões aparece como “plebe, populacho”, dando uma dimensão de classe.

O termo erev também aparece em Neemias 13:3, onde é usado para se referir a não judeus.

Uma tradição rabínica associou essa população com idolatria e imoralidade, alimentando preconceitos de segmentos de comunidades israelitas contra povos estrangeiros ou israelitas de origem mestiça.

BIBLIOGRAFIA

Brzezicka, Barbara. “The rabbles, the peoples and the crowds: a lexical study.” Praktyka Teoretyczna 36.2 (2020).

Greenwood, Daniel JH. “Partnership, Democracy, and Self-Rule in Jewish Law.” Touro L. Rev. 36 (2020): 959.

Inbari, Motti. Jewish radical ultra-orthodoxy confronts modernity, Zionism and women’s equality. Cambridge University Press, 2016.

Lee, Woo Min. “An Exilic and a Post-exilic Reading of ‘ērev rav in Exodus 12: 38: A Boundary-Making Marker for the Israelites and “Others”.” Canon&Culture 13.2 (2019): 109-137.

Magid, Shaul. “The Politics of (Un) Conversion: The” Mixed Multitude”(“‘Erev Rav”) as Conversos in Rabbi Hayyim Vital’s”‘Ets Ha-Da’at Tov”.” The Jewish Quarterly Review 95.4 (2005): 625-666.