Aparato eutaliano

O aparato eutaliano é um corpus de textos auxiliares que para o auxílio da leitura de Atos e das epístolas do Novo Testamento.

Trata-se de elementos paratextuais encontrados em um grande número de manuscritos bíblicos gregos. São divisões de texto, listas e resumos. Aparecem no início dos livros, na margem do texto e no final dos livros.

Algumas fontes identificam o autor como Euthalius, bispo de Sulci ou Evagrius, mas quase nada se sabe sobre ele.

Evangelho Pleno

Os termos Full Gospel, Evangelho Completo, o Evangelho Pleno ou “Todo o Evangelho” descrevem a doutrina que se originou nos avivamentos do século XIX após a Guerra Civil Americana, com pessoas como Albert Benjamin Simpson para as doutrinas de uma completa obra regenerativa realizada em Cristo acompanhada por ação do Espírito Santo.

A expressão “evangelho completo” refere-se a Rm 15:18-19, que na versão King James aparece “I have fully preached the Gospel of Christ.”

Porque não ousaria dizer coisa alguma, que Cristo por mim não tenha feito, para obediência dos gentios, por palavra e por obras; 19 pelo poder dos sinais e prodígios, na virtude do Espírito de Deus; de maneira que, desde Jerusalém e arredores até ao Ilírico, tenho pregado o evangelho de Jesus Cristo.

A expressão tem sido utilizada por algumas igrejas do movimento pentecostal italiano, como a Church of the Full Gospel em Chicago e no púlpito e no selo da Assemblee di Dio in Italia, em Roma. Nesse conceito, a proclamação do evangelho seria mediante palavra, obras, sinais e prodígios por virtudo do Espírito Santo.

Endres Keller

Endres Keller ou Kentlein (?-depois de 1536) reformador anabatista.

Keller era membro de uma família proeminente em Rothenburg ob der Tauber, Bavária. Keller passou muitos meses na prisão e sofreu muitas torturas por sua fé. Em seu professo, apresentou uma extensa confissão de fé. Mais tarde, ele se retratou.

Epicurismo

O epicurismo foi a doutrina filosófica elaborada por Epicuro (341-270 a.C.) que prezava por maximizar a felicidade e minizar a dor como grande Bem a ser buscado.

Epicuro acreditava que o prazer é a soma total da felicidade, mas o prazer não se limitava a uma indulgência sensual, como acusavam seus oponentes, mas como uma tranquilidade.

Os epicuristas alegavam que os deuses não exerciam supervisão providencial nos assuntos humanos. As pessoas, portanto, não precisam temer os deuses, nem precisam temer a morte, pois ela simplesmente marca o fim da existência humana.

Os epicuristas buscavam segurança em comunidades onde, na companhia de amigos, incluindo mulheres e escravos, procuravam “viver despercebidos” retirando-se da sociedade, que desprezavam.

Por não acreditarem nos deuses populares, eram chamados de ateus ou crentes em deuses ociosos ou adormecidos. Eram tidos como antissociais, misantrópicos e irresponsáveis.

Os epicuristas estavam associados a Gadara, Gaza e Cesareia. Há elementos epicuristas em textos bíblicos e outros escritos judaicos que datam do século III aC. Entretanto, o epicurismo não foi uma ponte entre a filosofia grega e o cristianismo e o judaísmo rabínico.

A visão pessimista da morte em Eclesiastes e o conselho de comer, beber e encontrar prazer nesta vida refletem a influência epicurista, apesar da convicção expressa de que é Deus quem torna o prazer possível e similaridade com o corpus de textos bíblico tidos como “pessimistas” como Jó.

A única referência explícita aos epicuristas na Bíblia é Atos 17.18, onde Paulo é descrito como tendo encontrado epicuristas e estóicos em Atenas. Essas eram as duas principais seitas filosóficas da época e apresentavam visões radicalmente opostas.

Paulo também usa linguagem derivada da polêmica anti-epicurista em 1 Coríntios 15.32-34, onde esclarece a esperança da ressurreição e se opõe à libertinagem. O ataque em 2 Pedro aos mestres que rejeitam a providência divina reflete semelhante polêmica, particularmente na negação de que o Senhor é lento e que sua destruição por Deus está adormecida. Apesar desses pontos de vista, a ênfase dos cristãos no amor entre os membros de suas comunidades, sua oposição à religião popular e sua reputação de comportamento anti-social fizeram com que eles às vezes fossem agrupados com os epicuristas.

Na Mishná, um dos documentos do judaísmo rabínico, há uma declaração notável no tratado Sinédrio que define a religião judaica em relação ao epicurismo:

“Todo o Israel tem uma parte no mundo vindouro, como disse Isaías: E todo o teu povo que é justo merecerá a eternidade e herdará a terra. E este é o povo que não merece o mundo vindouro: Os que dizem que não há ressurreição dos mortos, e aqueles que negam a Torá é dos céus, e epicuristas (‘Apikorsim’).”

Os judeus modernos usam “apikoros” como um termo genérico para um incrédulo, mas os autores do Talmud estavam claramente destacando os seguidores de Epicuro.

Teoria do exemplo moral

A teoria do exemplo moral ou exemplarismo é uma doutrina subjetiva da reconciliação para explicar o motivo da obra redentora de Cristo. Frequentemente é confundida (ou mesmo empregada intercambiavelmente) com a teoria da influência moral de Abelardo.

Deus teria enviado Cristo para revelar o amor divino mediante seus ensinos e exemplo de obediência fiel até a morte. Uma vez revelada a vontade divina de comportamento justo, a salvação resultaria da imitação das obras e seguir os exemplos de Cristo.

Os textos bases para essa teoria são 1 Pe 2:22; Fp 2:3-8; 2 Co 3:18; Jo 13:12-15; 1 Co 11:1; 1 João 2:6; Ef 4:32; Cl 3:13.

Alguns aspectos do examplarismo aparecem na era patrística. Esteve presente nas soteriologias de Epístola a DiognetoPastor de Hermas, nas cartas de Clemente de Roma, Inácio de Antioquia, Clemente de Alexandria, Hipólito de Roma e no Martírio de Policarpo.

Nas polêmicas contra Pelágio, Celestino e Juliano de Eclanum, seus oponentes — Agostinho de Hipona, Próspero da Aquitânia, Mário Mercator, Paulo Orosius e Jerônimo — apresentaram o pelagianismo como reduzindo a ação de Cristo a um mero exemplo. Embora hoje seja sabido que a teologia de Pelágio era congruente com o pensamento ortodoxo corrente; o termo “pelagianismo” ficou associado ao exemplarismo.

Na Idade Média, a mística medieval valorizava A imitação de Cristo, título do devocionário de Tomas à Kempis. A reprodução de atos sacrificiais de Cristo permeava a religiosidade popular, principalmente nas peregrinações e reencenações de sua paixão.

Uma teoria própria de exemplo moral foi desenvolvida pelo reformador radical Fausto Socino. Foi adotada por igrejas unitárias do período da Reforma, principalmente a Igreja Unitária Húngara e os Irmãos Polacos. Outro articulador dessa doutrina foi Immanuel Kant. De forma superficial, o exemplarismo apareceu na teologia liberal em seu auge (século XIX até final da 1a Guerra). Contudo, com Hastings Rashdall foi reformulada e ganhou uma nova expressão. Denominacionalmente é empregada por grupos como cristadelfos, o segmento adventista das igrejas de Deus (fé abrâamica), alguns adeptos do movimento das raízes hebraicas e outros menores.

Alguns aspectos de exemplarismo estão presentes nas teorias de reconciliação de Abelardo, Schleiermacher, Horace Bushnell e John Hick. Contudo, nesses autores aparece combinada com outras perspectivas.

Uma crítica à teoria da influência moral é que não explica o motivo da necessidade para a vinda e morte de Cristo, pois qualquer mártir poderia impactar a humanidade de modo despertar tal amor a Deus.

BIBLIOGRAFIA

Crisp, Oliver D. “Moral Exemplarism and Atonement.” Scottish Journal of Theology, vol. 73, no. 2, 2020, pp. 137–149., doi:10.1017/S0036930620000265.

Socino, Fausto. De Jesu Christo servatore. 1578.

Kotsko, Adam. ‘Exemplarism’, in Adam J. Johnson (ed.), T&T Clark Companion to the Atonement (London: Bloomsbury T&T Clark, 2017), p. 485.

Pedro Abelardo. Expositio in Epistolam ad Romanos.

Rashdall, Hasting. The Idea of Atonement in Christian Theology. Londres: Macmillan, 1919.