Eglaim: Cidade não identificada com certeza, provavelmente localizada na região norte de Moabe. O profeta Isaías menciona Eglaim como um dos limites de Moabe, onde o clamor e o pranto se farão ouvir. (Isaías 15:8).
Categoria: E
Expiação
Expiacão, em termos teológicos, refere-se ao ato de reparar ou restaurar as condições afetadas por uma transgressão, culpa ou pecado. O objetivo da expiação é a reconciliação, o perdão e a restauração da comunhão com o divino. A expiação pode assumir formas e significados específicos, como no cristianismo, onde a encarnação, ensinos, obras, morte, ressurreição e ascenção de Jesus Cristo integram a obra expiatória pelos pecados da humanidade.
A palavra grega ἱλάσκομαι (hiláskomai) e seus cognatos (ἱλασμός, ἱλαστήριον) refletem temas expiatórios. Em geral, o verbo hiláskomai expressa a ideia de apaziguar, propiciar ou tornar favorável alguém, frequentemente uma divindade. Essa ação pode ser realizada através de sacrifícios, orações ou outras formas de devoção. O termo carrega consigo a noção de remover obstáculos que impedem um relacionamento harmonioso com o divino, como a culpa, o pecado ou a impureza.
No Antigo Testamento grego (Septuaginta), hiláskomai é usado para traduzir o verbo hebraico “kaphar”, normalmente traduzido como “expiar”. Nesse contexto, a expiação está relacionada à remoção da culpa e do pecado através de ritos e sacrifícios, restaurando assim a comunhão com Deus. O Dia da Expiação (Yom Kippur) era um momento crucial no calendário religioso judaico, no qual o sumo sacerdote entrava no Santo dos Santos para aspergir o sangue do sacrifício sobre a Trono da Misericórdia ou Propiciatório (ἱλαστήριον – hilastérion), a tampa da Arca da Aliança, simbolizando a purificação do povo, do santuário e a reconciliação com Deus.
No Novo Testamento, o conceito de expiação adquire novas nuances com a figura de Jesus Cristo. Em Romanos 3:25, Paulo descreve Jesus como o ἱλαστήριον (hilastérion), aquele que Deus “propôs” para expiação dos pecados. Essa passagem tem sido interpretada de diferentes maneiras, mas a ideia central é que Jesus, através de sua morte sacrificial, removeu os obstáculos que separavam a humanidade de Deus, possibilitando a reconciliação e o perdão. A iniciativa divina é enfatizada, pois é Deus quem oferece Jesus como o meio de expiação.
O uso de hiláskomai e seus cognatos no Novo Testamento levanta questões importantes sobre a natureza da expiação e sua relação com a justiça e a misericórdia divinas. Alguns estudiosos argumentam que a expiação em Cristo representa uma mudança radical em relação à visão sacrificial do Antigo Testamento, enquanto outros enfatizam a continuidade entre os dois Testamentos. Independentemente da interpretação específica, a expiação em Cristo é central para a teologia cristã, expressando a profundidade do amor de Deus e a restauração da comunhão entre Deus e a humanidade.
BIBLIOGRAFIA
Campbell, John McLeod. The Nature of the Atonement and Its Relation to the Remission of Sins and Eternal Life. London: Macmillan, 1869.
Greenberg, James A. A New Look at Atonement in Leviticus: The Meaning and Purpose of Kipper Revisited. University Park: Penn State University Press, 2019.
Gorringe, Timothy. God’s Just Vengeance. Cambridge: Cambridge University Press, 1996.
Ray, Darby Kathleen. Deceiving the Devil: Atonement, Abuse and Ransom. Cleveland: Pilgrim Press, 1998.
Weaver, J. Denny. The Non-violent Atonement. Grand Rapids, MI: Eerdmans, 2001.
éctese
A éctese (em grego: Ἔκθεσις) refere-se a um método antigo de paragrafação, utilizado especialmente em manuscritos gregos e outros textos antigos, no qual a primeira linha de uma nova seção ou parágrafo se projeta para a margem esquerda, destacando-se visualmente do corpo do texto. Essa técnica tinha uma função prática e estética, servindo tanto para estruturar o texto quanto para facilitar a leitura e a localização de trechos específicos.
Diferentemente das práticas modernas de indentação, onde a primeira linha de um parágrafo geralmente é recuada, a éctese enfatizava a separação entre as seções através do alinhamento avançado, criando um contraste claro com o restante do texto, que permanecia justificado. Esse recurso é particularmente observado em manuscritos literários, documentos religiosos e outros registros escritos antes da popularização da impressão tipográfica.
O uso da éctese reflete as limitações e convenções gráficas das épocas em que foi empregada, quando os textos eram copiados manualmente por escribas. Além disso, sua aplicação variava conforme o estilo do manuscrito, o idioma e a tradição cultural, sendo uma prática distinta que também evidencia a evolução histórica da organização visual dos textos escritos.
Jenny Everts
Jenny Everts é professora associada de religião no Hope College, onde leciona e realiza pesquisas com foco no Novo Testamento. Doutora em Religião pela Universidade Duke, título obtido em 1985, Everts concentra suas investigações na interpretação do Novo Testamento, no grego neotestamentário e nas abordagens carismáticas e pentecostais das escrituras. Desde que ingressou no Hope College em 1985, ela tem desenvolvido e ministrado cursos relacionados ao Novo Testamento e ao cristianismo americano. Entre suas iniciativas acadêmicas estão a criação de um curso sobre Pentecostalismo Global e um seminário avançado de estudos bíblicos, abordando temas como profecia e milagres no Novo Testamento.
Everts possui contribuições significativas à literatura acadêmica na área, sendo coeditora do livro Pentecostal Theology and the Theological Vision of N.T. Wright: A Conversation e autora de artigos publicados em periódicos como The Journal for Pentecostal Theology e Pneuma: The Journal of the Society of Pentecostal Studies. Seu trabalho tem recebido reconhecimento na comunidade acadêmica, incluindo um prêmio por um capítulo sobre liderança feminina no movimento pentecostal-carismático.
Além de sua atuação como docente e pesquisadora, Everts participa ativamente de organizações profissionais, como a Society for Pentecostal Studies e a Society of Biblical Literature. Nessas instituições, ela desempenhou funções diversas, contribuindo para debates sobre diversidade e colaboração acadêmica.
A formação acadêmica de Everts é interdisciplinar, incluindo um bacharelado pela Wellesley College, um mestrado em inglês pela Claremont Graduate School e um M.Div. pelo Fuller Theological Seminary. Essa trajetória educacional reflete-se em sua abordagem ampla e integrada aos estudos de religião e teologia.
Estevão Gobaro
Estevão Gobaro (c. 540-570), um autor do século VI, identificado como um “aristotélico” e “triteísta”, cujos escritos destacaram contradições aparentes nas tradições teológicas da Igreja.
Conhecido exclusivamente através de Fócio, o patriarca de Constantinopla no século IX e também bibliógrafo. Gobaro é mais notado por sua obra, cujo título é desconhecido, mas que foi amplamente criticada por Fócio por sua falta de benefício correspondente ao esforço evidente de sua composição. A obra consiste em cinquenta e dois tópicos gerais e eclesiásticos, além de algumas questões mais específicas.
O método de Gobaro consistia em listar opiniões antitéticas sobre cada tema. Organizava seu material citando tanto fontes que confirmavam a doutrina eclesiástica quanto aquelas que sustentavam posições rejeitadas. Essas últimas eram fundamentadas em citações de escritores antigos, que, segundo Fócio, não examinavam suas posições com precisão. Em contraste, as doutrinas eclesiásticas eram apoiadas por testemunhos de homens santos que articulavam a verdade de forma precisa. Entre os temas abordados, destacam-se questões como a ressurreição dos justos, o conceito de milênio, o local do paraíso e a natureza dos corpos ressuscitados.
Gobaro também discute opiniões específicas relacionadas à teologia e aos escritos de figuras influentes. Ele analisa as impressões de Severus de Antioquia sobre os “instrutores santos”, bem como suas opiniões sobre declarações feitas por Cirilo e João, em sua carta a Tomás, bispo de Germanícia. Gobaro rejeita algumas afirmações de Gregório de Nissa, Papias de Hierápolis e Irineu de Lyon, particularmente aquelas relacionadas ao reino dos céus como um estado de deleite tangível.
A relação de Gobaro com os escritos de Papias é significativa. Fócio menciona que Gobaro chamou Papias de mártir, o que, se confirmado, seria a primeira menção existente sobre o martírio de Papias. No entanto, essa informação reflete uma transmissão indireta de fontes, passando por Severus, Gobaro e, finalmente, Fócio. Gobaro, portanto, é uma figura cuja obra fornece uma visão fragmentada e indireta das tradições teológicas e debates do cristianismo primitivo, preservada unicamente pela crítica de um escritor posterior.
Gobaro, Sic et Non de Pedro Abelardo e as Sentenças de Pedro Lombardo compartilham certas semelhanças metodológicas em sua abordagem das tradições teológicas, mas também apresentam diferenças significativas em termos de objetivos, organização e contexto histórico.
O Sic et Non de Pedro Abelardo, escrito no século XII, adota uma estratégia semelhante de apresentar pares de citações aparentemente contraditórias de autoridades teológicas e patrísticas. No entanto, o objetivo de Abelardo é fomentar a análise crítica e incentivar os leitores a resolverem as contradições por meio da razão e do estudo. Ele utiliza essa abordagem dialética para avançar a compreensão teológica, insistindo na importância da lógica e do rigor intelectual como ferramentas para harmonizar os textos contraditórios.
As Sentenças de Pedro Lombardo, por outro lado, representam uma abordagem mais sistemática e conciliadora, típica da escolástica madura. Escrito também no século XII, o texto organiza e sintetiza as tradições teológicas em quatro livros temáticos (Deus, criação, Cristo e os sacramentos). Embora Lombardo reconheça a existência de opiniões divergentes entre os Padres da Igreja, seu objetivo é propor uma teologia unificada e coerente. As Sentenças evitam expor contradições sem solução, concentrando-se em harmonizar as posições teológicas com base na razão e na autoridade eclesiástica.
