Filo, o Velho

Filo, o Velho, foi um poeta e escritor judeu-grego do século II a.C., autor do poema épico Sobre Jerusalém, composto em hexâmetros gregos. Embora as informações sobre sua vida sejam escassas, acredita-se que ele tenha vivido por volta de 170 a.C. Seu trabalho é citado por autores como Alexander Polyhistor, Clemente de Alexandria e Flávio Josefo, sugerindo que seu poema gozava de certo reconhecimento na Antiguidade.

A obra Sobre Jerusalém é hoje fragmentária, com apenas três trechos sobreviventes, totalizando 24 versos. Esses fragmentos foram preservados na Praeparatio Evangelica de Eusébio de Cesareia e abordam episódios bíblicos importantes, como a circuncisão de Abraão, o sacrifício de Isaque, a administração de José no Egito e as fontes de Jerusalém. Apesar de sua fragmentação, o poema reflete a tentativa de integrar a tradição judaica com a forma literária helenística, uma característica marcante da literatura judaica do período helenístico.

O estilo de Filo revela domínio técnico do hexâmetro grego, o que o coloca em diálogo com a tradição épica de autores como Homero e Hesíodo. No entanto, os versos remanescentes são frequentemente descritos como obscuros e desafiadores para a interpretação, seja pela concisão dos fragmentos ou pelas dificuldades em reconstruir o contexto completo de sua obra.

Filostórgio

Filostórgio ou Philostorgius (c. 368–c. 439) foi um historiador e teólogo bizantino associado aos partidos do heteroousianos e ao arianismo, uma heresia cristã que afirmava a inferioridade do Filho em relação a Deus Pai.

Nascido em Borissus, na Capadócia, Filostórgio se mudou para Constantinopla aos vinte anos, onde se tornou seguidor de Eunômio de Cízico, um defensor do arianismo radical.

 Escreveu uma História Eclesiástica (Ἐκκλησιαστικὴ ἱστορία), escrita entre 425 e 433, que abrangia a história da controvérsia ariana desde os tempos de Ário até o início do século V. A obra consistia em doze livros e tinha como objetivo continuar a História Eclesiástica de Eusébio de Cesareia, oferecendo uma perspectiva ariana sobre os eventos e personagens da história da Igreja. Embora o texto original tenha se perdido, fragmentos e resumos foram preservados na Biblioteca de Fócio, um patriarca do século IX.

A narrativa de Filostórgio é marcada por sua defesa do arianismo e sua crítica aos teólogos ortodoxos, como Gregório de Nazianzo e Basílio de Cesareia. Ele elogiou Eunômio e outros líderes arianos, enquanto minimizava as contribuições dos adversários ortodoxos. Sua obra também inclui elementos de história secular e detalhes geográficos, refletindo seu interesse por uma ampla gama de tópicos.

Apesar de sua importância como fonte de informações sobre a controvérsia ariana, Filostórgio foi criticado por seu viés e obscuridade. Sua abordagem historiográfica é uma alternativa da história da Igreja primitiva, destacando as tensões entre diferentes facções cristãs 

BIBLIOGRAFIA

Friedhelm Winkelmann, ed., Philostorgius Kirchengeschichte, GCS 21 (Berlin: Akademie, 1972), 18; trans. Philip R. Amidon, Philostorgius: Church History, Writings from the Greco-Roman World 23 (Atlanta: Society of Biblical Literature, 2007), 22.

Elisabeth Schüssler Fiorenza

Elizabeth Schüssler Fiorenza (1938-) é uma teóloga e biblista católica, proponente de exame crítico da Bíblia e suas interpretações sob uma perspectiva feminista.

Nascida em Viena, Áustria, Schüssler Fiorenzase mudou para os Estados Unidos, após seu doutorado pela Universidade de Würzburg, na Alemanha. Ocupou cargos acadêmicos em instituições como a Harvard Divinity School e a Universidade de Notre Dame. Seu trabalho influenciou profundamente os debates contemporâneos sobre gênero, poder e a interpretação de textos sagrados. Entre suas publicações, destaca-se “In Memory of Her: A Feminist Theological Reconstruction of Christian Origins”, obra na qual ela critica interpretações tradicionais dos textos cristãos que historicamente marginalizaram as vozes femininas.

Schüssler Fiorenza defende uma hermenêutica feminista, buscando revelar e amplificar as experiências e perspectivas das mulheres nas Escrituras. Argumenta que as interpretações dominantes geralmente refletem preconceitos patriarcais que distorcem ou obscurecem o papel das mulheres no cristianismo primitivo. Para descrever as hierarquias de poder complexas que vão além do gênero, incluindo questões de raça, classe, sexualidade e outras formas de estratificação social, Schüssler Fiorenza introduziu o termo “kiriarquia.” Esse conceito busca mostrar a natureza multifacetada das opressões e chama a atenção para uma compreensão das dinâmicas de poder nos textos religiosos.

Salienta o peso da interpretação comunitária e contextual dos textos bíblicos, defendendo que a leitura e análise das Escrituras devem estar enraizadas nas experiências vividas por comunidades, especialmente aquelas marginalizadas pelas abordagens teológicas dominantes. Um aspecto do trabalho de Schüssler Fiorenza é a recuperação das vozes e histórias de mulheres na Bíblia.

Sua teologia política integra justiça social e libertação como componentes essenciais da prática da fé. Através dessa abordagem, Schüssler Fiorenza propõe uma teologia que não apenas interpreta as Escrituras, mas que também atua em prol de uma sociedade mais justa e inclusiva.

As contribuições de Elizabeth Schüssler Fiorenza foram fundamentais para a teologia feminista, influenciando tanto o discurso acadêmico quanto a prática em comunidades de fé.