Elias Levita

Elias Levita (1469-1549) foi um filólogo e biblista judeu renascentista que fez contribuições significativas para o estudo da gramática e lexicografia hebraica.

Nascido na Alemanha, Levita era um membro proeminente da comunidade judaica ashkenazi.

A obra mais famosa de Levita é seu Meturgeman, um abrangente dicionário e gramática hebraico-aramaico. O Meturgeman foi publicado pela primeira vez em 1541 e rapidamente se tornou uma ferramenta essencial para os estudiosos do hebraico e do aramaico. Contém mais de 15.000 entradas, organizadas em ordem alfabética e inclui explicações detalhadas de estruturas gramaticais, bem como numerosos exemplos de como as palavras são usadas no contexto. O Meturgeman também inclui um índice abrangente de passagens bíblicas e rabínicas citadas no texto, tornando-o um recurso valioso para estudiosos da literatura judaica.

Além do Meturgeman, Levita também escreveu várias outras obras sobre gramática e lexicografia hebraica, incluindo um livro de gramática hebraica e vários comentários sobre textos bíblicos e rabínicos. Publicou uma Concordância em 1521.

Também foi autor de uma novela de cavalaria em iídiche, marcando o início literário dessa língua.

Levitas

Levitas (לְוִיִּם, Levi’im, plural de לֵוִי, Levi, em hebraico) referem-se aos membros da tribo de Levi, um dos doze filhos de Jacó (Israel). Os levitas eram um grupo social envolvido em atividades cúlticas no Antigo Israel. Geralmente traçam suas origens na tribo de Levi, embora em algumas passagens o termo levita pareça ser uma descrição de função em vez de um nome tribal. Um levita que pertencia à tribo de Judá é mencionado em Juízes 17:7. Os gibenonitas e o netineus talvez sejam contatos entre os levitas.

Diferente das outras tribos israelitas, os levitas não receberam herdades territoriais, exceto suas cidades.

Os levitas realizavam funções sacerdotais (especialmente alguns clãs, como os mussitas, aarônidas e zadoquitas) administravam os locais de culto, os sacrifícios, os cânticos, bem como difundir a lei divina (Dt 17,18; Dt 33,10). No Deuteronômio, pressupõe uma atividade distribuída em várias vilas na Terra Prometidas, ainda que com cidades levíticas especiais (Js 21:1-42). No período Primeiro do Templo ocorre uma centralização em Jerusalém (2Rs 23:8-9; Ez 44:10-14-15; 1Cr 16:4-37; 2Cr 29:34). Duas coleções de salmos são atribuídas aos levitas, os de Asafe (Sl 50, 70-83) e os de Corá (Sl 42- 49).

No período exílico, os levitas mantiveram suas funções de administrar a lei (1Cr 23:4; 2Cr 19:8-11) e de ensiná-la ao povo (2Cr 17:7-9; 2Cr 35:3), atribuições continuadas no período do Novo Testamento (Lucas 10:32).

Os levitas, mais que outras tribos, possuem laços com o Egito. Hoffmeier (2005) observa que vários nomes levíticos, como Hofni, Hur, Merari, Mussi, Fineias, Moisés, Passur, Aarão (possivelmente), Aquira, Assir, Merari e Miriam, são de origens egípcias. Homan (2007) aponta que Arca da Aliança e o Tabernáculo também têm raízes egípcias, com semelhanças em seu design e práticas religiosas. Os egípcios transportavam um tabernáculo de campanha, com uma arca similar. Serafins e a vara de Aarão possuem paralelos egípcios. Essas conexões destacam a importância do Egito na formação da cultura israelita primitiva.

Esses paralelos substanciaram hipóteses de que os levitas tivessem origens egípicias. Friedman (2017) argumenta que os levitas foram os únicos israelitas a participar do Êxodo e depois fundiram-se às tribos cananeias das quais emergiram o Antigo Israel. Leuchter (2017) sugere que os levitas eram administradores e militares egípcios estacionados em Canaã que se tornaram líderes entre os israelitas, estabelecendo um santuário em Betel e Siló. Por mais que os israelitas considerassem somente as linhagens patrilineares, a tradição do Êxodo relata a fusão de “gente da terra” quando da saída do Egito, o Erev Rav.

Funções e Responsabilidades:

Os levitas, em geral, tinham as seguintes responsabilidades:

  1. Serviço no Santuário: Auxiliavam os sacerdotes (descendentes de Arão, que também eram levitas) nas tarefas do Tabernáculo e, mais tarde, do Templo. Isso incluía transportar a Arca da Aliança e os utensílios sagrados, montar e desmontar o Tabernáculo durante a peregrinação no deserto, cuidar da manutenção do santuário, e realizar outras tarefas práticas.
  2. Música e Louvor: Alguns levitas eram designados como músicos e cantores no culto (1 Crônicas 15:16-24; 25). Davi organizou os levitas em turnos para o serviço musical no Templo (1 Crônicas 23:2-5).
  3. Ensino da Lei: Os levitas tinham a responsabilidade de ensinar a Lei de Moisés ao povo (Deuteronômio 33:10; 2 Crônicas 17:7-9; Neemias 8:7-9).
  4. Guarda do Santuário: Os levitas eram responsáveis pela guarda do Tabernáculo/Templo, impedindo o acesso de pessoas não autorizadas (Números 1:51; 18:1-7; 1 Crônicas 9:17-32).
  5. Coleta de Dízimos: Como os levitas não receberam herança de terra, eles eram sustentados pelos dízimos dados pelas outras tribos. Parte desse dízimo era entregue aos sacerdotes (Números 18:25-32)

Divisão Interna:

Dentro da tribo de Levi, havia uma distinção importante:

  • Sacerdotes (Kohanim): Apenas os descendentes diretos de Arão, irmão de Moisés, podiam ser sacerdotes. Eles realizavam os sacrifícios, entravam no Santo Lugar e no Santo dos Santos (no caso do Sumo Sacerdote) e tinham as responsabilidades mais elevadas no culto.
  • Levitas (não-sacerdotes): Todos os outros membros da tribo de Levi que não eram descendentes diretos de Arão. Eles auxiliavam os sacerdotes nas diversas tarefas mencionadas acima.

BIBLIOGRAFIA

Friedman, Richard Elliott. The Exodus: How It Happened and Why It Matters. New York: HarperOne, 2017.

Hoffmeier, James K. Ancient Israel in Sinai: the evidence for the authenticity of the wilderness tradition. Oxford University Press, 2005.

Homan, Michael M. “The Tabernacle and the Temple in Ancient Israel.” Religion Compass 1.1 (2007): 38-49.

Leuchter, Mark. The Levites and the boundaries of Israelite identity. Oxford University Press, 2017.

Auguste Lecerf

Auguste Lecerf (1876-1943) foi um teólogo e pastor reformado francês, conhecido por suas contribuições ao estudo da teologia reformada e da exegese bíblica.

Nascido em Londres de pais reformados franceses, estudou teologia na Faculdade de Teologia Protestante em Paris e mais tarde obteve seu doutorado na Universidade de Estrasburgo. Lecerf tornou-se professor de teologia sistemática na Faculdade de Teologia Protestante em Montpellier em 1907, onde lecionou até sua aposentadoria em 1940.

Lecerf foi uma figura influente no desenvolvimento da Igreja Reformada Francesa e desempenhou um papel fundamental na formação da Associação Internacional para o Estudo da História das Religiões. Ele foi um autor prolífico e suas obras incluem “Dogmática Reformada”, “O Reino de Deus” e “A Pessoa de Cristo”. Lecerf também foi ativo no movimento ecumênico e trabalhou para uma maior unidade entre as denominações protestantes. Faleceu em 1943 em Le Chambon-sur-Lignon, França.

Mãe do Rei Lemuel

A Mãe do Rei Lemuel foi quem lhe deu a instrução que se tornou Provérbios 31:1-9. Fora essa passagem, não é mencionada na Bíblia. Tudo o que sabe sobre ela e seu filho resume a essas instruções.

A mãe de Lemuel fornece uma lista de características que uma mulher ideal incorporaria, incluindo sobriedade, sabedoria, trabalho árduo e preocupação com os pobres.

O versículo 1 identifica a passagem como uma “profecia” ou “oráculo” que foi proferida pela mãe do rei Lemuel. A identidade dessa mulher é desconhecida.

Os versículos 2-3 exortam Lemuel a evitar ceder aos seus desejos de álcool e mulheres, que eram vistos como vícios que poderiam levar à corrupção moral e instabilidade política. A menção de “reis” e “governantes” nesses versículos sugere que a passagem foi escrita para uma audiência de líderes políticos.

O versículo 8 instrui Lemuel a defender os direitos dos pobres e marginalizados, para defendê-los contra a opressão e a exploração. Isso reflete a preocupação com a justiça social evidente ao longo do livro de Provérbios.

O versículo 9 adverte contra o abuso de poder, exortando Lemuel a usar sua autoridade para defender a justiça e a retidão, em vez de oprimir e explorar seus súditos. Este versículo enfatiza a importância do bom governo e da liderança moral, qualidades essenciais para a estabilidade e prosperidade do antigo Israel.

A Mãe faz um retrato de uma mulher virtuosa e oferece conselhos aos líderes políticos sobre como governar com justiça e sabedoria.

O livro de Provérbios como um todo reflete uma tradição de literatura de sabedoria que era comum em todo o antigo Oriente Próximo, inclusive nas regiões aramaica e do sul do Levante. Muitos dos temas e motivos encontrados em Provérbios também estão presentes em outros textos de sabedoria do antigo Oriente Próximo, como a Instrução Egípcia de Amenemope, os Conselhos de Sabedoria da Babilônia e as Instruções Cananeias de Ahiqar.

A Mãe do Rei Lemuel, bem como toda a passagem de Provérbios 30-31, em um conjunto canônico com o livro de Provérbios representa a Senhora Sabedoria dando seus conselhos.

BIBLIOGRAFIA

Apple, Raymond. “The two wise women of proverbs chapter 31.” Jewish Bible Quarterly 39.3 (2011): 175-180.

Nzimande, Makhosazana Keith. Postcolonial biblical interpretation in post-apartheid South Africa: The gvirah in the Hebrew Bible in the light of Queen Jezebel and the Queen Mother of Lemuel. Diss. Texas Christian University, 2005.