Felix Manz

Felix Manz (1498 – 1527) foi um líder anabatista suíço e um dos fundadores do movimento dos Irmãos Suíços em Zurique.

Nascido em uma família abastada, seu pai era cônego na Igreja de Grossmünster em Zurique e sua mãe, Anna Manz, era. Felix Manz recebeu uma educação clássica, com conhecimento de hebraico, grego e latim. Tornou-se seguidor de Ulrico Zuínglio após este iniciar a Reforma em Zurique em 1519.

Manz, juntamente com Conrad Grebel e outros, formou um grupo de estudo bíblico que passou a questionar a doutrina e a prática da igreja de Zurique, especialmente em relação ao batismo infantil, à natureza da igreja e sua relação com o Estado. Eles defendiam o batismo somente de adultos professos (“anabatismo”), a separação entre igreja e Estado e a vida cristã comunitária radical.

Essa divergência doutrinária com Zuínglio levou a um conflito com as autoridades de Zurique, que culminou na perseguição e execução de Manz. Em 1525, o conselho da cidade decretou o batismo obrigatório de crianças e proibiu as reuniões anabatistas. Manz foi preso várias vezes por realizar batismos de adultos e desafiar as autoridades religiosas.

Em 5 de janeiro de 1527, Manz foi executado por afogamento no rio Limmat em Zurique, tornando-se o primeiro mártir anabatista. Sua morte marcou o início de um período de intensa perseguição aos anabatistas na Suíça e em outras partes da Europa.

Mishná

Mishná, derivado de shanah “repetir”. Registro do que seria no judaísmo rabínico a tradição oral ou Torá oral. Foi compilado por volta de 200 d.C. por Judá haNasi.

O conteúdo é uma expansão e explicação meticulosa de preceitos normativos, orientados por um estado ideal onde seriam aplicáveis as leis de pureza.

Em sua forma abrange as três tradições rabínicas de midrash (comentário expansivo de passagens bíblicas), halacá (normas em tipo texual argumentativo-dissertativo) e hagadá (normas em tipo textual narrativo). Junto dos comentários da Gemará constitui o Talmude.

O hebraico mishnaico difere do hebraico bíblico, incorporando uma sintaxe similar à indoeuropeia. Como um registro de longas tradições orais, a historicidade de seu conteúdo deve ser considerado criticamente como outras fontes. Contextualmente, o Mishná insere-se nos debates e visão de mundo do platonismo médio e da segunda sofística.

Apesar de traçar a origem da tradição oral no Sinai, raramente a Mishná reivindica para casos específicos uma origem na revelação no Sinai. Antes, registra debates que interpretam essa revelação.

Em algumas raras instâncias de uso canônicos entre cristãos, a lista de Ebed-Jesu, um erudito siríaco medieval, insere a “Tradição dos Anciãos”, talvez o Mishná ou parte dele (Pirkei Avot) como escrituras.

BIBLIOGRAFIA

Neusner, Jacob. “The Mishna in philosophical context and out of canonical bounds.” Journal of Biblical Literature 112, no. 2 (1993): 291-304.

Neusner, Jacob. The Mishnah: social perspectives. Vol. 47. Brill, 2002.

Rosen-Zvi, Ishay. “Rabbis and Romanization: A Review Essay.” Jewish Cultural Encounters in the Ancient Mediterranean and Near Eastern World (2017): 218-245.

Schwartz, Seth. The Mishnah and the limits of Roman power In: Reconsidering Roman power: Roman, Greek, Jewish and Christian perceptions and reactions [online]. Roma: Publications de l’École française de Rome, 2020 (generated 04 octobre 2021). Available on the Internet: <http://books.openedition.org/efr/5181&gt;. ISBN: 9782728314119. DOI: https://doi.org/10.4000/books.efr.5181.

Manuscrito EGLev

O Manuscrito EGLev foi encontrado no oásis de En-gedi, próximo ao Mar Morto. Trata-se de um texto proto-massorético de Levítico, idêntico ao texto consonantal massorético. Foi carbonizado por volta do ano 600 d.C. e descoberto nos anos 1970.

É estimado que tenha sido escrito entre os séculos III e IV d.C. e que tenha sido armazenado em uma arca.

Manuscritos de Massada

Na antiga fortaleza herodiana de Massada, no deserto da Judeia, foram encontrados manuscritos que remontam das guerras judaicas (68-72 d.C. e 132-135 d.C.).

Entre eles estão um manuscrito de Gênesis, dois manuscritos de Levítico, um de Deuteronômio, dois de Salmos e um de Ezequiel, Apócrifo do Gênesis, Siraque, Apócrifa de Josué, Cântico do Sacrifício para o Sábado, uma obra semelhante aos Jubileus e uma obra litúrgica identificada como Samaritana.

Manuscritos de Nahal Hever 

O riacho temporário Nahal Hever ou Wadi al-Khabat abriga em suas margens algumas cavernas nas quais foram descobertos manuscritos no deserto da Judeia.

No século II d.C., vários fugitivos por ocasião da Revolta de Bar Cosiba trouxeram consigo documentos como manuscrito 8HevXII gr. Antes de morrerem, enterram esses manuscritos nas cavernas das Cartas e dos Horrores.

O manuscrito 8HevXII gr é uma versão grega (Old Greek) dos profetas menores, datada do século I d.C. Em 2021 outros fragmentos foram encontrados na Caverna dos Horrores.

O arquivo de Babatha é uma coleção de documentos familiares de uma mulher judia de alto status social.

Junto dos manuscritos do Mar Morto, descobertos também na mesma região, são chamados de Manuscritos do Deserto da Judeia.