Gemistos Plethon

Georgios Gemistos Plethon (c. 1355–1450/1454), comumente conhecido como Gemistos Plethon, foi um filósofo e erudito grego durante o final da era bizantina. Nascido em Constantinopla, mais tarde se estabeleceu em Mistras, no Peloponeso, onde se tornou uma figura chave na revitalização do pensamento grego e do neoplatonismo na Europa Ocidental.

Plethon foi educado em Constantinopla e Adrianópolis. Lá, desenvolveu uma admiração por Platão, adotando o nome “Plethon”, que significa “o pleno” em referência à filosofia platônica. Sua carreira inicial incluiu papéis como professor e funcionário público, onde atuou como juiz e conselheiro dos imperadores bizantinos.

Plethon reintroduziu o pensamento platônico na Europa Ocidental, particularmente durante o Concílio de Florença (1438–1439). Lá, ele apresentou seu tratado Sobre as Diferenças Entre Aristóteles e Platão, que revitalizou o interesse pela filosofia platônica após séculos de domínio aristotélico. Em sua obra, Plethon argumenta que Platão via Deus como o criador do universo a partir de substâncias inteligíveis, mas não necessariamente do nada, enquanto Aristóteles via Deus como o motor imóvel, uma parte do universo e não como um criador. Seus ensinamentos influenciaram figuras notáveis como Cosimo de’ Medici, levando à fundação da Academia Platônica de Florença, que se tornou um centro do humanismo renascentista.

A obra filosófica mais significativa de Plethon é o Livro das Leis, que delineia uma visão para uma sociedade utópica baseada em princípios helênicos antigos e incorpora elementos de várias tradições filosóficas, incluindo estoicismo e zoroastrismo. Plethon acreditava que o universo era eterno, mas que foi criado em um ponto além do tempo, posicionando Deus como um soberano supremo e criador separado do universo pelo qual é responsável. Suas ideias sobre governança refletiam sua crença em um renascimento do Império Bizantino centrado na cultura helênica, afirmando que “somos helenos por raça e cultura”.

A influência de Plethon se estendeu além da filosofia. Introduziu a geografia de Estrabão para estudiosos ocidentais, questionando as teorias geográficas de Ptolomeu e impactando o pensamento renascentista sobre a exploração global. Sua rejeição do cristianismo em favor do paganismo antigo gerou discussões sobre seu papel na formação da identidade grega e sua visão de um futuro onde as tradições clássicas poderiam prosperar novamente. Plethon argumentou que a concepção de Deus por Platão era mais consistente com a doutrina cristã do que a de Aristóteles. Apesar de enfrentar acusações de heresia por parte da Igreja Ortodoxa, o legado de Plethon como filósofo que uniu a ciência antiga ao pensamento renascentista perdura. Frequentemente é considerado tanto “o último heleno” quanto “o primeiro grego moderno”, numa transião na história intelectual europeia.

Pseudoepígrafos eslavos

Os Pseudoepígrafos Eslavos são um conjunto de textos religiosos judaicos extra-bíblicos que foram preservados e transmitidos principalmente em traduções eslavas. A maioria desses materiais chegou às terras eslavas através do Império Bizantino, que exerceu forte influência na formação da literatura eslava. Esses textos eram frequentemente incorporados em coleções maiores, como crônicas históricas (Paleias), cronógrafos e compilações morais e litúrgicas, muitas vezes sem uma distinção clara entre materiais canônicos e não canônicos.

Muito dessas obras tem origem judia, mas foram transmitidos por copistas cristãos, afetando seu conteúdo nesse processo. Boa parte estão no idioma eslavo eclesiástico. A transmissão dos Pseudoepígrafos Eslavos dentro de coleções cristãs resultou em edições, abreviações e rearranjos, dificultando a identificação da proveniência e propósito originais dos textos. Estudos recentes buscam distinguir as diferentes camadas de transmissão e adaptação desses materiais no contexto literário eslavo.

Essas obras foram preservadas e utilizada principalmente em contextos monásticos. A recepção de algumas delas beira à canonicidade. Muitos as consideravam autênticas, mas no geral eram lidas para edificação privada. Contudo, foram consideradas heréticas pela Igreja Ortodoxa Russa.

Principais Obras:

Entre os Pseudépigrafos Eslavos, destacam-se:

  • 2 Enoque: Uma obra que descreve a ascensão celestial de Enoque e sua metamorfose perto do Trono da Glória, combinando elementos de apocalipse e testamento.
  • 2 Enoque
  • 3 Baruque
  • 4 Baruque
  • A Ascensão de Isaías
  • A Escada de Jacó: Uma interpretação do sonho de Jacó sobre a escada, contendo tradições judaicas do primeiro século dC.
  • A História da Criação de Adão por Deus
  • A Palavra do Abençoado Zorobabel
  • Ahiqar
  • Apocalipse de Abraão: Um texto que narra a rejeição de Abraão aos ídolos e sua ascensão ao céu, onde recebe revelações sobre mistérios celestiais e escatológicos.
  • Apocalipse de Zósimo
  • Círculo sobre a Árvore da Cruz
  • Discursos dos Três Hierarcas
  • Fragmentos Pseudo-Daniel
  • Fragmentos sobre Melquisedeque
  • Fragmento “Sobre a Criação”
  • Fragmento “Sobre o Dilúvio”
  • Fragmento “Setenta Nomes de Deus”
  • José e Asenate
  • Lenda sobre o Mar da Tiberíades
  • Livro de José
  • Obras e Tradições Pseudépigrafas Judaicas em Meios Eslavos
  • O Octógono de Adão
  • O Sermão de Adão no Hades a Lázaro
  • Os Testamentos dos Doze Patriarcas
  • Palea Cronográfica
  • Palea Histórica
  • Palea Interpretativa
  • Testamento de Abraão
  • Testamento de Jó
  • Vida de Moisés
  • Vida Eslava de Adão e Eva: Uma versão eslava dos livros de Adão, com material exclusivo sobre a criação e a queda dos protoplastas.

BIBLIOGRAFIA

Kulik, Andrei. Retroverting Slavonic Pseudepigrapha: Toward the Original of the Apocalypse of Abraham. Society of Biblical Literature, 2004.

Orlov, Andrei A. From Apocalypticism to Merkabah Mysticism: Studies in the Slavonic Pseudepigrapha. Brill, 2006.

Stone, Michael E. A History of the Literature of Adam and Eve. Scholars Press, 1992.

Tihonravov, Nikolai S. Памятники отреченной русской литературы. 2 vols. São Petersburgo/Moscou, 1863.

Turdeanu, Emil. Apocryphes slaves et roumains de l’Ancien Testament. Brill, 1981.