Líbia

A costa do norte da África no Mar Mediterrâneo, a oeste do Egito. Mais tarde, os gregos chamaram de Líbia toda a África. O atual país corresponde a três regiões históricas: a Cirenaica, a Tripolitânia e a Fazânia.

A região é habitada historicamente por povos bérberes. A região costeira de Pentápolis ou Cirene era uma região rica e em intenso contato com os mercadores gregos e fenícios, os quais fundaram colônias na região. No interior, formou-se o império de Garamantes na Fazânia.

Os líbios participaram da invasão de Judá liderada pelo Faraó Sisaque do Egito (2Cr 2:12) contra Roboão por volta de 918 a.C. Forças semelhantes foram posteriormente derrotadas por Asa de Judá (2 Cr 16:8). Guerreiros de Pute (possivelmente na Líbia) lutaram ao lado dos etíopes e egípcios quando os assírios capturaram No-amon (Tebas) em 663 aC (Na 3:9;Ez 30:5). Nessa ocasião, Ezequiel esperava a destruição da Líbia (Ez 30:5) juntamente com a do Egito e seus vizinhos. Naum relembrou sua aliança com o Egito contra a invasão da Assíria (Na 3:9). Daniel (Dan 11:43) viu líbios servindo ao “rei do norte” junto com egípcios e etíopes.

Ptolomeu I enviou grande uma considerável quantidade de colonos judeus para viver na região de Cirene, na Líbia. A comunidade era tanta que, de acordo com Estrabão, nos tempos de Sulla (c. 85 a.C.) a sociedade era dividida entre cidadãos, camponeses, estrangeiros e judeus. Uma revolta dos judeus durante o reinado de Trajano (117 d.C.) resultou em uma guerra civil e massacre que deixou a região relativamente despovoada.

Simão Cirineu, ou seja, originário de Cirene, carregou a cruz de Jesus (Marcos 15:21). 

A língua da Líbia foi ouvida no Pentecostes (At 2:10), tendo os cirineus sua própria sinagoga em Jerusalém (At 6:9). Paulo navegou pela costa de Sirte (At 27:17). Os cristãos cirineus destacavam-se em Antioquia (At 11:20; 13:1), de onde veio Lúcio de Cirene, tradicionalmente dito ser seu primeiro bispo.

Uma tradição posterior diz que o evangelista Marcos era nativo de Cirene.

O bispo Sinésio de Cirene (410-414) foi um intelectual que correspondia com Hipátia de Alexandria. A presença cristã é atestada até o início do século VII, sendo Leôncio seu último bispo registrado na época da chegada do islã.

A Líbia passou por séculos de dominação árabe e otomana, além da invasão italiana. Ganhou a independência no século XX para tornar-se uma nação rica. Contudo, a guerra civil no início do século XXI levou o país à ruína.

Índia

Índia antiga região e atual país no sul da Ásia.

A Índia é mencionada duas vezes na Bíblia, ambas no livro de Ester (1:1; 8:9). É também um dos potenciais locais para Ofir.

Os contatos entre os povos do Levante e da Índia parecem existir desde as primeiras civilizações em Sumer e no Vale do Indo. No período helenista aprofundou-se as relações entre o mundo do Mediterrâneo e a Índia.

O cristianismo teria chegado à Índia no final do século II d.C., florescendo na região sul. Nessa região a diáspora judaica esteve presente até hoje, com uma diminuta comunidade em Cochim mantendo o judaísmo, enquanto boa parte dos descendentes dos israelitas converteram-se ao cristianismo, formando as comunidades nasrani e knanaya. No geral, gentia ou de possível ancestralidade israelita, o cristãos originários são chamados de Mar Thoma, visto sua associação com o apóstolo Tomé.

Lendas dizem que o apóstolo Tomé evangelizou o Rei Gondofares em Taxila (atual Paquistão) e depois teria ido a Muziris perto de Paravur, uma antiga cidade portuária de Malabar (atual Kerala, sul da Índia). Por volta de 190 d.C., Pantaeno de Alexandria visitou esses cristãos, observando que usavam o Evangelho de Mateus na “língua hebraica” (provavelmente siríaco). Por volta de 522 dC, um monge siríaco egípcio, Cosmas Indicopleustes, visitou a costa de Malabar. O cristianismo indiano desenvolveu com proximidade com o cristianismo siríaco, tanto jacobita quanto assírio.

A expansão marítima europeia levou à aproximação dos cristianismos europeus. Consequentemente, surgiram igrejas subordinadas ao catolicismo romano, bem como oriundas de missões protestantes.

No final do século XIX houve vários avivamentos, como a da Missão Mukti, constituíndo um dos epicentros do avivamento pentecostal mundial.

Citas

Citas ou Asquenaz (Gn 10:3; 1 Cr 1:6; Jr 51:27) eram um povo nômade do Cáucaso e arredores do Mar Negro.

Os citas ameaçaram o Império Assírio e depois o Império Persa. No NT eles exemplificam um contraste aos povos helenizados, ou seja, como bárbaros (Cl 3:11).

No ano 644 a.C. os cimérios (provavelmente parte dos citas) atacaram Sardes, a capital da Lídia, e as cidades gregas jônicas como Éfeso, Esmirna e Magnésia. É possível que tenham passado perto do local de Colossos, o que explica a alusão paulina.

Grécia

A Grécia é a região montanhosa central da península dos Bálcãs, no sul da Europa. Na Antiguidade, o termo Hélade (Grécia) também incluía regiões costeiras da Ásia Menor e sul da Itália (a Magna Grécia).

Os gregos são um povo antigo com origens indo-europeias que se estabeleceram nos Bálcãs por volta de 2000 aC. Eles são famosos por suas realizações em filosofia, ciência, arte e democracia.

A Grécia teve uma história complexa, com períodos notáveis como a era minóica, micênica, clássica, o período helenístico e o Império Bizantino. Após séculos de domínio otomano, a Grécia conquistou sua independência em 1830, tornando-se uma nação moderna.

A Igreja Ortodoxa Grega é uma denominação ortodoxa autocéfala, traçando suas raízes até os apóstolos. Preserva uma rica tradição litúrgica e sacramental. As práticas da Igreja incluem ícones, incenso e canto, e sua doutrina enfatiza o papel da tradição, a importância dos sacramentos e a crença na Santíssima Trindade. A Igreja desempenhou um papel significativo na cultura, na sociedade e na política grega ao longo de sua história, além da preservação de manuscritos bíblicos e da Antiguidade clássica.

A Grécia é mencionada apenas em dois livros tardios do Antigo Testamento (Dn 8:21; 10:20; 11:2; Zc 9:13).

Na época do Novo Testamento duas províncias romanas, Acaia (ao sul, onde estavam Corinto e Atenas) e Macedônia (ao norte, incluíndo Filipos e Tessalônica). Paulo desenvolveu grande parte de seu ministério aí, bem como váriaso utras cidades (At16:9-18:18; 2 Co 2:12).

Macedônia

Macedônia era uma região na parte nordeste da península grega. Corresponde atualmente ao norte da Grécia e sul da atual República da Macedônia, na península dos Balcãs. Ganhou eminência com os impérios de Filipe II e Alexandre, o Grande. No período romano era uma importante rota terrestre entre a Ásia Menor e a Europa, percorrida por Paulo (Atos 16).

A Macedônia antiga era um reino que teve poder militar e liderança sob o rei Filipe II e seu filho, Alexandre, o Grande. O Império Macedônio se expandiu para incluir partes da Ásia e do Egito antes de cair para os romanos no século II aC.

Paulo teve seus primeiros convertidos europeus na Macedônia (At 16:9-17:14). Partiu de Filipos a Tessalônica e depois a Atenas (1 Ts 2:2; 2:17-3:2;Fp 4:15-16) e diz que pregou o evangelho “até a Ilíria” (Rm 15:19). Menciona uma segunda visita à Macedônia (1 Ts4:10), o que faz pressupor a existência de outras igrejas além de Filipos e Tessalônica; como Bereia (At 17:10-12).