Ramessés

Ramessés foi uma cidade egípcia localizada na região nordeste do Delta do Nilo. Sua construção foi iniciada pelo faraó Seti I, o segundo governante da XIX dinastia, e concluída por seu filho, Ramessés II, que reinou entre 1290 e 1224 a.C.

A cidade serviu como capital durante esta dinastia, um período de poder e expansão do Egito. Escavações arqueológicas e estudos textuais têm identificado Ramessés com a moderna Qantir. Suas evidências mostram a importância estratégica da cidade como centro político, religioso e militar do império egípcio durante o reinado de Ramessés II.

A cidade é mencionada com a permissão dada por José, filho de Jacó, para que sua família habitasse na “terra de Ramessés” (Gênesis 47:11). Já no Êxodo seria um dos pontos de partida dos israelitas em sua jornada para fora do Egito. (Êxodo 1:11, 12:37, Números 33:3, 5).

Bereia

Bereia (Βέροια), uma cidade antiga localizada na Macedônia, desempenhou um papel significativo na história bíblica e no desenvolvimento do cristianismo.

Mencionada no livro de Atos dos Apóstolos, Bereia foi visitada por Paulo de Tarso durante sua segunda viagem missionária, juntamente com Silas e Timóteo. Após serem perseguidos em Tessalônica, eles encontraram uma comunidade receptiva em Bereia, onde pregaram o Evangelho na sinagoga da cidade.Os habitantes de Bereia são notáveis por sua atitude crítica e investigativa em relação aos ensinamentos religiosos. De acordo com Atos 17:10-13, os bereanos examinavam as Escrituras diariamente para verificar a veracidade das pregações de Paulo. Essa postura é frequentemente elogiada como um exemplo ideal para os cristãos contemporâneos que buscam fundamentar sua fé nas Escrituras.

A cidade moderna que ocupa o local da antiga Bereia é Véria, na Grécia. As ruínas arqueológicas revelam influências romanas e bizantinas, destacando-se pela presença de estruturas como a ágora e o teatro romano. A importância histórica de Bereia reside não apenas em seu passado arquitetônico ou político mas também no legado espiritual deixado pelos seus habitantes dedicados ao estudo das Escrituras.

Embora a data exata do estabelecimento da cidade seja desconhecida, sabe-se que ela esteve sob controle persa antes dos romanos e foi uma das primeiras cidades macedônicas a ser conquistada pelo Império Romano após a Batalha de Pidna em 168 a.C. Durante o reinado do imperador Diocleciano (284-305 d.C.), Bereia serviu como uma das capitais da Macedônia.

Bdélio

O bdélio, no hebraico bedolach, é uma resina aromática mencionada duas vezes na Bíblia: em Gênesis 2:12 e Números 11:7.

Em Gênesis 2:12, o bdélio é descrito como um dos produtos da terra de Havilá, rica em ouro e onde também se encontra a pedra de ônix. Essa localização sugere uma possível associação com regiões produtoras de resinas aromáticas, como a Península Arábica.

A segunda menção ao bdélio ocorre em Números 11:7, durante a peregrinação dos israelitas no deserto. O maná, alimento miraculoso enviado por Deus, é comparado ao bdélio em sua aparência; ambos são semelhantes à semente de coentro. A descrição do maná inclui que ele era branco e tinha um sabor como bolos de mel.

Embora a identificação precisa do bdélio seja incerta, estudiosos associam-no às resinas produzidas por árvores do gênero Commiphora, comuns na Arábia e na África. Essas resinas eram utilizadas na antiguidade para fins medicinais e cosméticos.É possível que o bdélio tenha sido usado para fins religiosos ou rituais antigos semelhantes à mirra. Sua inclusão na descrição do maná pode simbolizar a provisão divina e o cuidado de Deus para com seu povo no deserto.

Poliglota de Antuérpia

A Poliglota de Antuérpia, obra monumental publicada entre 1568 e 1572, representa um marco na história dos estudos bíblicos. Encomendada pelo rei Filipe II da Espanha e editada por Benito Arias Montano, esta Bíblia poliglota reuniu textos em hebraico, aramaico, grego, latim e siríaco, além de incluir traduções em aramaico para o Novo Testamento e em grego para o Antigo Testamento. Idealizada pelo impressor Plantin, a Poliglota foi impressa em oito volumes no formato fólio, sendo por isso conhecida também como “Bíblia Real” e “Bíblia Plantiniana”.

A Poliglota de Antuérpia utilizou tipos especialmente criados para as línguas orientais e incorporou uma correção da tradução latina da Bíblia feita por Sanctes Pagninus. Anos mais tarde, entre 1599 e 1613, edições do texto latino de Pagninus foram publicadas, com uma tradução interlinear palavra por palavra do hebraico, incluindo as vogais, o que a tornou uma ferramenta valiosa para o aprendizado do idioma. Essa edição, publicada em onze volumes, trazia o título “Bíblia Hebraica com Interpretação Latina Interlinear de Sanctes Pagninus de Lucca” no primeiro volume, que continha Gênesis e Êxodo.

O décimo volume da Poliglota, que começa com o Evangelho de Mateus, apresentava o título “Novo Testamento Grego com a Interpretação Latina Comum Inserida nas Linhas do Contexto Grego”. Nele, a tradução latina, de autoria de Arias Montano, aparece acima do texto grego, palavra por palavra.

Esta obra teve um impacto significativo nos estudos bíblicos, fornecendo aos estudiosos uma ferramenta poderosa para o estudo comparativo de diferentes versões e traduções das Escrituras. A inclusão de textos em línguas originais e antigas permitiu uma análise mais precisa e aprofundada dos textos bíblicos, contribuindo para uma melhor compreensão do seu significado e contexto.

Além disso, a Poliglota de Antuérpia influenciou a produção de outras Bíblias poliglotas, como a Poliglota de Paris (1645) e a Poliglota de Londres (1657). Ela também inspirou e facilitou a tradução da Bíblia para diversas línguas vernáculas.

Emanuel

Emanuel, que significa “Deus conosco” (do hebraico עמנואל, Immanu’El), é um nome teofórico associado a Jesus em Mateus 1:23, onde o evangelista cita Isaías 7:14 para afirmar que o nascimento virginal de Jesus cumpre a profecia do Antigo Testamento: “Portanto o mesmo Senhor vos dará um sinal: Eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e chamará o seu nome Emanuel”.

Essa interpretação é alvo de debates. Apesar de o contexto original de Isaías 7:14 se refere a um evento contemporâneo ao profeta, foi aplicado ao acontecimento futuro como o nascimento de Jesus em uma estratégica interpretativa chamada pesher. Outra questão é que o nome Emanuel não aparece para se referir a Jesus em nenhum outro lugar do Novo Testamento.

A menção desse título logo no início de Mateus reflete uma unidade temática em um fio condutor literário presente nesse evangelho: de que Deus estaria presente.

Vale apontar as alternativas de interpretação sobre essas duas passagens:

InterpretaçãoDescriçãoSuporte Bíblico
Predição Direta de Maria e JesusIsaías 7:14 prediz diretamente o nascimento virginal de Jesus, filho de Maria.Mateus 1:23
Interpretação ColetivaA profecia refere-se a jovens em geral na época de Isaías, significando a presença de Deus com a comunidade.Isaías 7:14, 8:8
Filho de Isaías“Emanuel” refere-se a um dos filhos do próprio Isaías, que serviu como um sinal e portento.Isaías 7:14, 8:18
Interpretação RealA profecia refere-se ao rei Ezequias, sucessor de Acaz, como cumprimento da promessa de Deus a Davi.Isaías 7:14, 9:2-7, 2 Reis 18:7
Interpretação TipológicaMateus 1:23 usa Isaías 7:14 tipologicamente, traçando uma analogia entre o Emanuel de Isaías e Jesus como “nosso Emanuel”.Mateus 1:23

História da Recepção

Inácio de Antioquia (século II), afirmaram a interpretação de Mateus, vendo no nascimento virginal de Jesus o cumprimento da profecia de Isaías. Essa compreensão é ecoada em escritos como a “Epístola de Inácio aos Efésios” e a “Epístola de Inácio aos Antioquianos”. Escritores posteriores, como Cipriano de Cartago (século III) em seu “Tratado XII”, reforçaram essa visão, citando Mateus 1:23 como prova da divindade de Cristo.

A aplicação de Isaías 7:14 a Jesus em Mateus 1:23 foi fundamental para o desenvolvimento da doutrina da Encarnação. Irineu de Lyon (século II) em “Contra as Heresias” e Orígenes (século III) em “Contra Celso”, viram nesse versículo a confirmação da união entre a divindade e a humanidade em Cristo. Essa interpretação combatia heresias que negavam a plena divindade ou humanidade de Cristo.

O significado de Emanuel, “Deus conosco”, foi central na compreensão da presença de Deus entre a humanidade. Escritores como Lactâncio (século IV) em “Epítome dos Institutos Divinos” e Tertuliano (século III) em obras como “Contra Praxeas”, “Uma Resposta aos Judeus” e “Sobre a Carne de Cristo”, enfatizaram a importância de “Deus conosco” para a salvação.

Tertuliano, em “Sobre a Ressurreição da Carne”, discutiu o uso de Isaías 7:14 por Mateus, questionando se a interpretação deveria ser literal ou tipológica. Essa discussão reflete um debate mais amplo sobre a relação entre o Antigo e o Novo Testamento.