Josué

Josué refere-se tanto ao personagem que acompanhou Moisés na saída do Egito e participou da conquista de Canaã quanto ao livro de Josué que relata essa conquista.

Nome

Josué, em hebraico pode ser escrito como יְהוֹשׁוּעַ (yehoshua’) ou יְהוֹשֻׁעַ (yehoshua’). O texto bíblico usa ambas as grafias de forma intercambiável, às vezes até dentro do mesmo versículo (como em Juízes 2:7). Significa “Deus (Yahweh é Salvação”.

A forma abreviada do nome é escrita como yeshua יֵשׁוּעַ, mas somente nos livros históricos pós-exílicos, mais notavelmente usada para o sumo sacerdote que retornou do exílio com Zorobabel (Esdras 2: 2). Esta grafia posterior teria sido provavelmente a base para a forma grega do nome como “Jesus” (Ἰησοῦς, Iēsous).
Números 13:16 e Dt 32:44 indica, que o nome era originalmente “Oseias” (הוֹשֵׁעַ, hoshea’), mas Moisés o mudou para “Josué” (יְהוֹשֻׁעַ, yehoshua’).

Personagens

  1. Josué filho de Num, pertencia à tribo de Efraim (Nm 13:8). Depois da conquista da Terra Prometida, se estabeleceu em Tinate-Será (Js 19:50; Jz 2:9) na região montanhosa de Efraim, e foi sepultado lá (Js 24:30). Também é chamado pelas variantes Josué filho de Nave e Oseias (Nm 13:8, 16; Dt 32:44).
  2. Josué, o Bete-semita e dono de um campo nos dias de Eli (1Sm 6:14, 18).
  3. Josué, governador de Jerusalém nos dias de Josias (2 Reis 23:8).
  4. Josué filho de Josedeque e sumo sacerdote na época da reconstrução do Templo (Ageu 1:1; 2:4; Zacarias 3; 6:11).

Números

Números é o livro do Pentateuco que relata parte da peregrinação dos israelitas do Sinai até a planície de Moabe, antes da entrada na Terra Prometida.

O título remete ao censo com o qual o livro começa (1-4). No entanto, o livro possui gêneros textuais diversos. Há prescrições de purificação (5:1⁠–⁠10:10 ), as quais incluem as regras do voto de nazireado (6:1-21) e da bênção sacerdotal (6:22-27). Continua com as narrativas da peregrinação até Parã (10:11-12), o envio de espiões  (13:1⁠–⁠15:41 ), uma coleção de passagens diversas entre Parã e Moabe (16-36), incluindo os eventos e profecias de Balaão (22:1-25:18).

BIBLIOGRAFIA

Altmann, Peter; Peres, Caio. Numbers: An Introduction and Commentary. Tyndale Old Testament Commentaries. Westmont, IL: Inter-Varsity Press, 2025.

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Milgrom, Jacob. Numbers. The JPS Torah Commentary. Philadelphia: The Jewish Publication Society, 1990.

Olson, Dennis T. Numbers. Interpretation: A Bible Commentary for Teaching and Preaching. Louisville, KY: Westminster John Knox Press, 2004.

Levítico

Levítico, cujo nome refere-se aos assistentes do santuário membros da tribo de Levi não contados entre as famílias sacerdotais, registra os regulamentos dos sacrifícios, das leis de pureza e da prática de santidade para o povo de Israel.

Notavelmente, apresenta uma das antigas versões da regra áurea ou do grande mandamento: “Como o natural, entre vós será o estrangeiro que peregrina convosco; amá-lo-eis como a vós mesmos, pois estrangeiros fostes na terra do Egito. Eu sou o Senhor, vosso Deus”. (Lv 19:34).

Tematicamente, o livro de Levítico situa-se na construção do santuário quando o povo de Israel estava acampado no Sinai. O livro continua com as instruções já apresentadas acerca do santuário desde Êxodo 25 e é continuado por outras instruções até Números 10. Estruturalmente são cinco grandes blocos:

  1. capítulos 1 a 7: o sistema sacrificial.
  2. capítulos 8 a 10: o papel sacerdotal de Aarão e dos aarônidas.
  3. capítulos 11 a 15: as purezas alimentar e ritual.
  4. capítulo 16: procedimentos para o Dia da Expiação (Yom Kippur).
  5. capítulos 17 a 26, o “código de santidade” por sua ênfase na santificação e pureza.

BIBLIOGRAFIA

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Jesus (Matt. 3:5-4:1) with the Scapegoat Rite on the Day of Atonement (Lev. 16:20-22),” Canon & Culture 12, no. 1 (2018): 11-13.

Douglas, Mary. Purity and Danger: An Analysis of Concepts of Pollution and Taboo. Routledge Classics; London: Routledge, 2002

Elliger, Karl. Leviticus. Tübingen: JCB Mohr Paul Siebeck, 1966.

Milgrom, Jacob. Leviticus: A Book of Ritual and Ethics. Continental Commentaries. Minneapolis: Fortress, 2004.

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Rendtorff, Rolf; Robert A. Kugler; Sarah Smith Bartlet, eds. The book of Leviticus: composition and reception. Vol. 3. Brill, 2003.

Schwartz, Baruch J. “Leviticus.” In The Jewish Study Bible. Edited by A. Berlin and M. Z. Brettler, 203–280. New York: Oxford University Press, 2004.

Deuteronômio

Deuteronômio, em grego é “a segunda lei”, cujo título hebraico é devarim, de “estas são as palavras” é o último livro no conjunto do Pentateuco, onde serve de recapitulação da jornada e instrução da Lei aos israelitas. Consiste em três discursos de despedida (1-4, 5-26, 27-31:27) de Moisés nas planícies de Moabe, no final dos 40 anos de peregrinação pelos desertos durante o êxodo.

Em maior detalhe, o livro começa com um discurso de despedida proferido por Moisés nas planícies de Moabe (1:1-5). Recapitula como Deus trouxe o povo à beira do Jordão (1:1-4:43). Em um segundo discurso, Moisés explica o significado da aliança (5-11) e apresenta o Código de Leis Deuteronômicas (12-26), o cerne do livro. Seguem instruções para a renovação da aliança (27), uma lista de bênçãos e maldições (28) e uma exortação final para observar a aliança (capítulos 29-30). Seguem o Cântico de Moisés (31-32) esua bênção final a Israel (33). O relato de sua morte no Monte Nebo (34) encerra o livro.

Na comparação do Código Deuteronômico (Dt 12-26) com o Livro da Aliança ou Código da Aliança (Êx 20:22-23:33) e o Código de Santidade (Lv 17-26) há cinco tópicos únicos a Deuteronômio: a centralização da adoração (12:1-32; passim); as cidades apóstatas (13:12-16); deveres reais (17:14-20); direito da guerra (20:1-20); e o assassino desconhecido (21:1-9).

BIBLIOGRAFIA

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Bratcher, Robert G., and Howard Hatton. A Handbook on Deuteronomy. United Bible Societies, 2000.

Mohrmann, Douglas C. Deuteronomion. Baylor-SBL Commentary on the Septuagint. Waco, TX: Baylor University Press, 2023.

Nelson, Richard D. Deuteronomy. Old Testament Library. Louisville, KY: Westminster John Knox Press, 2002.

Robson, James E. Deuteronomy 1–11: A Handbook on the Hebrew Text. Baylor Handbook on the Hebrew Bible. Waco, TX: Baylor University Press, 2016.

Sherwood, Stephen K. Leviticus, Numbers, and Deuteronomy. Blackwell Bible Commentaries. Malden, MA: Blackwell Publishing, 2002.

Amilenarismo

O amilenismo ou amilenarismo é uma corrente interpretativa acerca dos mil anos de reinado de Cristo em Apocalipse 20:1-6. Os amilenistas não acreditam em um reinado de paz terrestre literal de mil anos após o retorno de Cristo.

Os amilenistas veem o número 1000 simbolicamente e acreditam que o Reino de Deus está presente no mundo hoje à medida que o Cristo vitorioso governa a Sua Igreja através da Palavra e do Espírito.

Fontes para essa interpretação é registrada nos escritos de Orígen, depois desenvolvida por Agostinho.