Revolta de Absalão

A Revolta de Absalão, narrada em 2 Samuel 13-19, foi um dos episódios mais dramáticos e dolorosos na vida do rei Davi. Absalão (אַבְשָׁלוֹם, ʼAvshalom), terceiro filho de Davi, movido por ambição e desejo de vingança pela violação de sua irmã Tamar, organiza uma conspiração para usurpar o trono de seu pai.

Linha do tempo da revolta:

  • Assassinato de Amnom (2Sm 13:28-29): Após dois anos planejando sua vingança, Absalão manda assassinar Amnom, seu meio-irmão que havia estuprado Tamar.
  • Fuga para Gesur (2Sm 13:37-38): Temendo a reação de Davi, Absalão foge para Gesur, onde permanece por três anos.
  • Retorno a Jerusalém (2Sm 14:21-24): Davi, influenciado por Joabe, permite que Absalão retorne a Jerusalém, mas sem restaurar seu favor imediatamente.
  • Conspiração e conquista do povo (2Sm 15:1-6): Absalão, fingindo interesse pelos problemas do povo, começa a conspirar contra Davi e a ganhar apoio popular.
  • Fuga de Davi (2Sm 15:13-17): Alertado sobre a rebelião, Davi foge de Jerusalém com seus leais, deixando a cidade nas mãos de Absalão.
  • Absalão em Jerusalém (2Sm 15:37; 16:15): Absalão entra em Jerusalém e se estabelece como rei, recebendo conselhos de Aitofel e Husai.
  • Batalha na floresta de Efraim (2Sm 18:6-8): As tropas de Davi, lideradas por Joabe, enfrentam o exército de Absalão na floresta de Efraim. Absalão é morto por Joabe, apesar das ordens de Davi para que sua vida fosse poupada.
  • Luto de Davi (2Sm 18:33; 19:1-8): Davi lamenta profundamente a morte de Absalão, causando descontentamento entre suas tropas.
  • Retorno de Davi a Jerusalém (2Sm 19:9-15): Davi retorna a Jerusalém e retoma seu reinado, mas enfrenta novas tensões e desafios.

Onri

Onri (עָמְרִי, ʿOmri), cujo nome significa “Javé é minha vida”, foi o sexto rei de Israel, governando por 12 anos (885-874 a.C.) após um período de guerra civil (1Rs 16:23). Embora a Bíblia não forneça detalhes sobre sua ascendência, Onri demonstrou grande habilidade política e militar, consolidando o reino e estabelecendo uma dinastia que duraria quatro gerações.

Onri subiu ao poder após a morte de Zimri, que havia assassinado o rei Elá (1Rs 16:16-22). Após superar a oposição de Tibni, outro pretendente ao trono, Onri estabeleceu a capital em Samaria, uma cidade estrategicamente localizada e facilmente defensável (1Rs 16:24).

Onri também é mencionado em textos assírios e na Pedra Moabita, que atestam seu poder e influência na região. Apesar de seus feitos políticos e militares, a Bíblia critica Onri por “fazer o que era mau aos olhos do Senhor” (1Rs 16:25), mantendo a idolatria e a desobediência aos mandamentos divinos.

Após sua morte, Onri foi sepultado em Samaria e sucedido por seu filho, Acabe (1Rs 16:28).

Baasa

Baasa (בַּעְשָׁא, baʿasha), cujo nome possivelmente significa “ousadia”, foi o terceiro rei de Israel, reinando por 24 anos (909-886 a.C.) após assassinar Nadabe, filho de Jeroboão I (1Rs 15:27-28). Originário da tribo de Issacar e de origem humilde (1Rs 15:27), Baasa exterminou toda a família de Jeroboão I, cumprindo a profecia de Aías (1Rs 14:10).

Apesar de usurpar o trono, Baasa manteve a idolatria do bezerro de ouro instituída por Jeroboão I, incorrendo na condenação divina (1Rs 16:1-4). Seu reinado foi marcado por conflitos com Asa, rei de Judá (1Rs 15:16,32). Para conter a ameaça de Baasa, Asa aliou-se a Ben-Hadad I, rei da Síria, que invadiu Israel e conquistou várias cidades (1Rs 15:18-20).

Baasa morreu e foi sepultado em Tirza, sua capital (1Rs 16:6). Seu filho Elá o sucedeu, mas foi assassinado por Zimri, que exterminou toda a dinastia de Baasa, cumprindo a profecia de Jeú (1Rs 16:8-14).

Concubina

Concubina (פִּילֶגֶשׁ, pilegesh; παλλακίς, pallakis), no contexto bíblico, refere-se a uma mulher que, embora não fosse esposa legal, mantinha um relacionamento reconhecido e estável com um homem. O concubinato (פִּילֶגֶשׁ, pilegesh), embora não conferisse à mulher o mesmo status social e legal da esposa, era uma prática aceita na sociedade israelita, regulamentada por leis e costumes específicos.

As concubinas tinham direitos e proteções legais, e seus filhos, embora não fossem herdeiros primários, eram reconhecidos e tinham direito à herança (Gn 25:6). Abraão (Gn 25:1), Jacó (Gn 35:22), Gideão (Jz 8:31) e Salomão (1Rs 11:3) são exemplos de personagens bíblicos que tiveram concubinas.

O concubinato desempenhava diversas funções sociais, como garantir descendência em casos de infertilidade da esposa, fortalecer alianças familiares e oferecer companhia e suporte doméstico. No entanto, o concubinato também podia ser fonte de conflitos e rivalidades, como ilustra a história de Agar e Sara (Gn 16).

A prática do concubinato foi gradualmente desaparecendo com o tempo, à medida que a sociedade israelita se desenvolvia e os valores monogâmicos se fortaleciam.

Gomorra

Gomorra (עֲמֹרָה, ʿAmora; Γόμορρα, Gomorra), cidade situada na planície do Jordão (Gn 13:10), marcada por sua destruição juntamente com Sodoma, em um evento cataclísmico que serve como exemplo do juízo divino contra a iniquidade (Gn 19:24-25). A narrativa bíblica descreve Gomorra como uma cidade corrompida pela imoralidade e pela perversão, cujos habitantes desdenharam a hospitalidade e a justiça (Gn 19:4-9).

A destruição de Gomorra, com fogo e enxofre vindos do céu, tornou-se um símbolo da consequência do pecado e da ira de Deus contra o mal. Profetas como Isaías (Is 1:9-10) e Jeremias (Jr 23:14) usaram Gomorra como exemplo para alertar o povo de Israel sobre as consequências da desobediência e da corrupção moral