YHWH

Yahweh, YHWH, Jeová, Tetragrammaton, Javé, Iavé, em hebraico יהוה, um nome é encontrado 6828 vezes nas Escrituras Hebraicas ou o Antigo Testamento para referir-se a Deus.

De acordo com Êxodo 6:2-4, sob este nome foi revelado pela primeira vez a Moisés na sarça ardente. Entretanto, aparece na interação com humanos desde o tempo de Enos antes do dilúvio (Gn 4:26).

Uma teoria é que YHWH deriva-se do verbo hebraico hayah, “ser” implicando que Yahweh seja o criador e senhor da história.

O nome e o culto a Yahweh ocorre de forma ocasional em vestígios arqueológicos e em nomes teofóricos de vários povos semitas no Levante, especialmente na região sul do Mar Morto.

A pronúncia desse nome virou um tabu entre os judeus no período helenista. A pronúncia Yāhū é provável através da pronúncia de nomes pessoais compostos como Ēliyyāhū (Elias) e Zəkharyāhū (Zacarias). Como a forma consonatal recebe as vogais “Adonai”, passou-se a ser lido como “Jehovah” ou Jeová em muitas línguas europeias.

BIBLIOGRAFIA

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Santuário de Dã

Relatos bíblicos e achados arqueológicos em Tel-Dan registram que esse local foi um importante centro de culto.

As escavações no sítio de Tel Dan, no norte de Israel, revelaram um grande recinto sagrado na Idade do Ferro II. A arquitetura é semelhante a um templo, com petrechos de culto, os restos de um enorme altar de quatro chifres e abundantes ossos de animais.

O local de culto em remontaria do período dos Juízes (Jz 17 -18). No entanto, seria Jeroboão I, rei de Israel, que estabeleceu como um santuário nacional, junto de Betel, para rivalizar com o templo de Salomão em Jerusalém (2Rs 10:29, Amós 4:4, 8:14).

Profetas e os autores dos livros de Reis condenaram firmemente esse santuário (1Rs 13:1-14:18).

Na região também foi encontrada a Inscrição de Tel-Dan, uma das únicas testemunhas extrabíblicas da casa de Davi no período do Primeiro Templo.

Teologúmena

Teologúmena, teolegômena, teolegúmena ou teologômeno é um termo do grego antigo, θεολογούμενον (theologoumenon) “o que é dito sobre Deus” e seu plural “theologoumena” denota “algo que é teologizado” ou “o que se diz de Deus ou das coisas divinas”.

Nos sentidos contemporâneos de teologia, teologúmena denota doutrinas inferidas, tanto logicamente ou a partir das Escrituras, mas não direto e explicitamente presente na Bíblia. São exemplos de teologúmena o Credo Apostólico, a doutrina da Trindade, a doutrina da Queda, as teorias de expiação e reconciliação, as teorias que harmonizam esquemas escatológicos, dentre outras.

Apesar de seu uso escasso nos escritos patrísticos, era entendido como um declaração teológica que é de opinião individual e não de doutrina. (cf. Adiáfora). Na ortodoxia grega o termo ganhou sentido de opinião que, certa ou errada, pode ser proveitável para avançar o entendimento.

No final do século XIX o conceito de teologúmena ganhou novos contornos com Adolf von Harnack (1851-1930). Esse historiador da teologia traçou a ascensão do dogma, o qual ele entendia como o sistema doutrinário autoritário na Igreja institucional e seu desenvolvimento desde o século IV até a Reforma Protestante. O historiador alemão notou que desde as origens do cristianismo a filosofia grega misturou e resultou em um sistema com muitas crenças e práticas que não eram autenticamente cristãs. Para ele, o protestantismo deveria ser entendido como uma rejeição desse dogma e um retorno à fé pura da Igreja. Adicionalmente, a doutrina deveria ter um caráter de teologúmena, não dogmática, sendo provisória e expressão limitada pelas circunstâncias de sua formulação.

Na teologia católica a teologúmena são proposições teológicas sem base explícita nas Escrituras ou sem endosso oficial do magistério. Portanto, não a teologúmena não é dogmaticamente vinculante , mas vale a pena considerar porque auxiliam nas doutrinas oriundas da revelação.

Apesar da primazia das Escrituras, no protestantismo há duas tendências. Uma, principalmente em sistemas teológicos confessionais, é atribuir autoridade à teologúmena. Já em abordagens não confessionais, a teologúmena é admitida como o entendimento concordante da Igreja, mas que não se torna critério de comunhão e participação nela.

Enquanto no protestantismo tradicional há distinção entre revelação e teologúmena, em grupos fundamentalistas cristãos várias teologúmena igualam-se à revelação, dogma e ortodoxia. Nesses últimos grupos há a pretensão de uma suposta leitura imediata das Escrituras, sustentando suas doutrinas, normalmente com a técnica de dicta probantia.

Enquanto a Igreja Católica considera alguns dogmas como revelados, a ortodoxia grega rejeita a ideia de que expressões teológicas em si possam ser reveladas, mas que se mantém em um nível de teologúmena. Em comum, ambas tradições consideram a teologúmena como fonte teológica enquanto parte da tradição, sobor e magistério da Igreja.

Similarmente, em ciências bíblicas é o raciocínio conjectural. A midrash, a harmonização entre passagens, as reconstruções históricas, a consideração de textos disputados, as tradições interpretativas são exemplos de teologúmena.

BIBLIOGRAFIA

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Tanque de Siloé

O tanque ou piscina de Siloé ou Siloam é um reservatório de água ao sul de Ofel, parte da antiga Jerusalém, a oeste do vale do Cédron e da Cidade de Davi.

É mencionado na cura de um cego (Jo 9:1-7).

Provavelmente foi formado durante as construções de Ezequias (cf. Isaías 22:9; 2 Crônicas 32:2-4) e reconstruído durante o período do Segundo Templo.