Período dos juízes

O período anterior à monarquia e posterior à conquista de Canaã. Coincide com o final da idade de Bronze e início da idade do Ferro, quando os israelitas viviam em uma sociedade tribal. Os livros de Juízes e Rute, bem como parte dos livros de Josué e 1 Samuel, são ambientados nesse período.

Os juízes (sophetim) eram líderes militares que apareceram para enfrentar opressores específicos. Não há alusão de que suas autoridades alcançavam todo o povo de Israel ou que sucederam um a outro.

Gideão

Gideão, em hebraico גדעון, também chamado Jerubaal e Jerubessete, era um líder militar. É contado como juiz, embora sem receber essa designação no livro de Juízes. Era filho de Joás, o abiezrita, da cidade de Ofra, na área tribal de Manassés. Foi pai de Abimeleque, Jotão e setenta filhos que viviam em Siquém.

Depois de receber um chamado divino, lutou contra os midianitas. Seu ciclos narrativo encontra-se em Juízes 6: 11-8: 32, além de alusões esparças (Is 9: 3; Is 10:26; Sl 83: 10-12; 1 Sm 12:11; Hb 11:12).

A humildade de Gideão é exaltada em Hb 6:15. Sua recusa em aceitar a ser rei sobre Israel (Juízes 8:23) encontra-se paralelo raro na história, como Cincinato entre os romanos.

Eúde

Eúde (אֵהוּד ‘ehûd em hebraico), filho de Gera, da tribo de Benjamim. Seu ciclo narrativo está registrado em Juízes 3:12-29, 4:1, onde conta como libertou os israelitas da opressão de Eglom, rei moabita.

O significado de seu nome é obscuro. Uma interpretação é que seria um hipocorístico, para Abihud (אֲבִיהוּד’ ăvîhûd) ou deriva-se de אֵי ‘ê “onde?” e הוֹד hôd “esplendor”. Assim, significaria “Meu pai é esplendor” ou “onde está o esplendor?”.

Depois de 18 anos de opressão, Eúde compareceu diante de Eglom, rei moabita, para pagar-lhe tributo. Depois de pedir um aparte, sacou a espada escondida com sua mão esquerda e a cravou em Eglom. Algumas leituras, como a Vulgata, diz que Eglom era muito obeso e o punhal sumiu na gordura. Eúde escapou e reuniu com os israelitas para lutarem contra os moabitas.

Embora não haja o título no Texto Massorético (a Septuginta fiz que “julgou”), Eúde é tradicionalmente contado como juiz.

BIBLIOGRAFIA

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PERÍCOPE ANOTADO

Otniel

Otniel ou Otoniel filho de Quenaz, em hebraico: עָתְנִיאֵל בֶּן קְנַז, foi o primeiro dos juízes bíblicos. A etimologia de seu nome é incerta, mas pode significar “Deus/Ele é minha força” ou “Deus me ajudou”.

É chamado de “Otniel, filho de Quenaz, irmão de Calebe” (Josué 15:17). Quando Calebe promete a mão de sua filha Acsa a quem conquistar a terra de Debir, Otniel aceita o desafio, tornando-se genro de Calebe.

Depois da morte de Josué, os israelitas voltaram ao pecado e foram dominados por Cuchã-Risataim, rei de Aram-Naaraim (Mesopotâmia) por oito anos. Os israelitas clamaram a Deus, Otniel foi levantado para ser seu libertador. Sob Otniel, a paz durou quarenta anos. (Jz 3:7-11).

É mencionado nas genealogias de 1 Cr 4:13; 27:15. Apesar de ser o único juiz ligado à tribo de Judá, seu parentesco do Calebe leva a deduzir que seria um quenezeu, descendente de Jefoné (Js 14:6, 14; Nm 32:12).

Debir Quiriate-Sefer

Debir, Quiriate-Sefer ou Quiriate-Sana  é um local mencionado em Js 5:15-19 e Jz 1:11. Quiriate Sefer significa “a cidade do livro”. Possivelmente era um centro escribal ou de arquivos e tenha sido uma pequena cidade-estado cananeia (Js 10:38, 39). Há registros de duas conquistas pelos israelitas (Js 15:13-19; Jz 1:11-15). Localizada em território tribal de Judá, tornou-se uma cidade levítica dos coatitas (Js 21:9, 15; 1Cr 6:54, 58).

Há hoje duas localidades potenciais para essa cidade. Uma seria Khirbet Rabud, sítio arqueológico próximo a Hebrom. Outro seria próximo a Modi’in Illit, onde o sítio arqueológico de mesmo nome situa-se entre Jerusalém e Tel Aviv, ao norte da região de Sefelá. O local, no período do Segundo Templo, foi uma aldeia com uma sinagoga, constituíndo um importante sítio arqueológico.