Período dos juízes

O período anterior à monarquia e posterior à conquista de Canaã. Coincide com o final da idade de Bronze e início da idade do Ferro, quando os israelitas viviam em uma sociedade tribal. Os livros de Juízes e Rute, bem como parte dos livros de Josué e 1 Samuel, são ambientados nesse período.

Os juízes (sophetim) eram líderes militares que apareceram para enfrentar opressores específicos. Não há alusão de que suas autoridades alcançavam todo o povo de Israel ou que sucederam um a outro.

Sangar

Um dos libertadores de Israel no período dos juízes. Teria matado 600 filisteus com uma aguilhada de boi (Texto Massorético) ou uma relha de arado (Septuaginta).

Seu nome aparenta ser hurrita. É chamado de “filho de Anate”, mas não se sabe se é um patronímico ou uma alusão ao seu feito guerreiro (Anate era a personificação da deusa da batalha e destruição na mitologia sírio-cananeia).

Aparece brevemente em um versículo (Jz 3:30) que em alguns manuscritos gregos aparece antes de Jz 16:1. Adicionalmente, o cântico de Débora alude a ele (Jz 5).

Embora não seja chamado de juiz, tradicionalmente é contado entre eles.

Eúde

Eúde (אֵהוּד ‘ehûd em hebraico) libertou os israelitas da opressão de Eglom, rei moabita.

O significado de seu nome é obscuro. Uma interpretação é que seria um hipocorístico, para Abihud (אֲבִיהוּד’ ăvîhûd) ou deriva-se de אֵי ‘ê “onde?” e הוֹד hôd “esplendor”. Assim, significaria “Meu pai é esplendor” ou “onde está o esplendor?”.

Eúde, filho de Gera, da tribo de Benjamim. Seu ciclo narrativo está registrado em Juízes 3:12-29, 4:1.

Depois de 18 anos de opressão, Eúde compareceu diante de Eglom, rei moabita, para pagar-lhe tributo. Depois de pedir um aparte, sacou a espada escondida com sua mão esquerda e a cravou em Eglom. Algumas leituras, como a Vulgata, diz que Eglom era muito obeso e o punhal sumiu na gordura. Eúde escapou e reuniu com os israelitas para lutarem contra os moabitas.

Embora não haja o título no Texto Massorético (a Septuginta fiz que “julgou”), Eúde é tradicionalmente contado como juiz.

BIBLIOGRAFIA

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PERÍCOPE ANOTADO

Ana

Em hebraico Hannah, graciosa, refere-se a duas pessoas nas Escrituras.

(1) A mulher que ansiosa por ser mãe votou ao Senhor e seu pedido foi concedido com o nascimento de Samuel. (1 Sm 1-2: 21)

Ana é uma das duas esposas de Elcana, da região de Efraim (1Sm 1:1) na fase final do período dos juízes. Mas diferente da outra esposa, Penina, que teve filhos, Ana busca no Senhor solução para sua esterilidade.

Em uma de suas peregrinações ao santuário de Siló, sua súplica e voto são encarados pelo sacerdote Eli como embriaguez. Ao se informar melhor, o sacerdote dispensou-a em paz. O cântico de Ana é análogo ao de Maria (Lucas 1:46-55) e ambas celebram um nascimento miraculoso.

(2) Uma profetisa que, junto com o profeta Simeão, na dedicação do menino Jesus no Templo celebrou que chegou a tão esperada redenção de Israel (Lucas 2:22-38).

Rute

Livro e personagem bíblico, Rute é um romance do ponto de vista do quádruplo de vulnerabilidade: a pobre, a viúva, a estrangeira e a órfã. A viúva Rute deixa seu país, Moabe, acompanhando sua sogra para o país dos israelitas. Lá se casa com Boaz e o casal seria ancestrais do rei Davi.

O final feliz meio às adversidades prova a fidelidade do voto de Rute à sua sogra: “Disse, porém, Rute: Não me instes para que te deixe e me afaste de ti; porque, aonde quer que tu fores, irei eu e, onde quer que pousares à noite, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus. Onde quer que morreres, morrerei eu e ali serei sepultada; me faça assim o Senhor e outro tanto, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti” (Rt 1:16-17).

No cânone da Septuaginta e cristão o Livro de Rute aparece entre o Livro de Juízes e o livro de 1 Samuel. Já no cânone hebraico Rute aparece entre os Escritos (Ketuvim ou Hagiógrafa), da mesma época de Esdras, Neemias e Crônicas. Essa classificação como Hagiógrafa indica ser uma composição tardia e oferece um interessante contraponto à política contra casamentos mistos desse período. Entretanto, a configuração do Livro de Rute em conjunto com outros livros da História Deuteronomística apresenta uma harmonia sem igual, pois se trata da aplicação prática da Torá tanto materialmente quanto processualmente.

Os cumprimentos das obrigações éticas, legais, morais e de justiça social instruídas aos israelitas servem como exemplo de como deveriam ser cumpridas a Torá, a instrução ou lei, de Deus.