Giovanni Gagliardi

Giovanni Gagliardi (1882-1964) prisioneiro pacifista e músico pentecostal.

Gagliardi era um acordeonista autodidata que viajou pela Itália, França e Alemanha tocando em pequenos teatros e tabernas. Ele foi associado ao movimento socialista pacifista internacional e mais tarde se tornou pentecostal. Devido ao seu estilo de vida não convencional, Gagliardi foi rotulado pela polícia como “anarquista” e “subversivo”.

Com a eclosão da Primeira Guerra Mundial, Gagliardi se recusou a se apresentar como músico em protesto contra o conflito. Encontrou trabalho como oficial da alfândega em sua cidade natal. Quando a Itália entrou na guerra, Gagliardi se recusou a usar uniforme e enfrentou um longo processo de interrogatório, prisão e, eventualmente, internação em um hospital psiquiátrico.

Após a guerra, foi libertado graças à intervenção do deputado socialista Armando Bussi. No entanto, com a ascensão do fascismo, Gagliardi enfrentou novos problemas. Sua conversão ao pentecostalismo em 1920 e seu passado anarquista levaram ao seu confinamento na ilha de Ventotene de 1929 a 1943.

Vincenzo Melodia

Vincenzo Melodia (1883-1953) ministro do evangelho, teólogo, educador, pacifista e ativista social italiano.

Melodia nasceu em Vittoria, Sicília tornou-se membro comungante da Igreja Valdense local com sua família em 1897. Estudou na Faculdade Batista de Teologia e tornou-se pastor batista em Altamura, Floridia e Messina antes de se mudar para Livorno, Pisa, Viareggio e, finalmente, os Estados Unidos.

Melodia foi candidato socialista nas eleições de 1918/1919 para conselheiro comunal (vereador) de Messina. Em 1920 reporta, com certa hostilidade, a atividade dos pentecostais na região.

Em 1920, Melodia liderou o estabelecimento de uma igreja batista em S. Piero a Patti com mais de cinquenta membros. Contudo, esquadrões fascistas destruíram o local de culto e feriram muitos visitantes sem intervenção policial. Apesar dos riscos significativos, Melodia desafiou o fascismo e participou dos Congressos Internacionais dos Resistentes à Guerra na Inglaterra, França e Suíça.

Seu irmão Vito Melodia aceitou a fé pentecostal nos meados dos anos 1920. Provavelmente isso refletiu na mudança de atitude por parte de Vincenzo. Escreveu um livro sobre os anabatistas, Pellegrini di un mondo ignoto. Racconto storico-sociale del sec. XVI, refletindo seus interesses sociais e pacifistas, bem como a teologia de igreja livre.

Como o fascismo continuou a monitorá-lo, Melodia se refugiou nos Estados Unidos em 1940 após a prisão de seu filho Giovanni. Seu filhos Giovanni e Davide seriam deportados para o campo de concentração de Dachau, mas sobreviveriam. Fundou e dirigiu “Il Faro”, a publicação oficial das Igrejas Cristãs Italianas da América do Norte. Em Nova Iorque ministrava aulas bíblicas e teológicas em uma instituição criada por ele, a Scuola Teologica Italiana.

Nessa época, publicou um livro, um dos primeiras obras de teologia chancela denominacional, com o título La Chiesa dei primogeniti scritti nei cieli: il popolo dei riscattati all’alba delle sue origini testimonianze della storia e delle Scritture alla Chiesa Apostolica (1943). Publicaria também um Manuale Biblico, um conciso dicionário das Escrituras (1951).

Retornou à Itália em 1951. Visitou e serviu os crentes na Calábria e Sicília. Faleceu em Reggio Calabria, na oração que fazia em um almoço para comemorar seu aniversário.

Hoje, uma praça em Vittoria, Sicília, leva seu nome em homenagem a suas contribuições à igreja valdense e à fé cristã, suas crenças pacifistas e sua resistência contra o fascismo.

Louis Dallière

Louis Dallière (1897–1976) foi um ministro reformado pentecostal francês. Foi pioneiro nas relações ecumênicas e na busca do renovo da Igreja universal pela obra do Espírito Santo.

Dallière nasceu em Chicago, filho de um pai católico banqueiro e de mãe anglicana. Foi batizado enquanto criança na Église Réformée de France (ERF) em Nice em 1901. Ele experimentou conversão em 1910 e passou por uma segunda conversão em 1915, acompanhada por um chamado ao ministério. Estudou na Faculté de théologie protestant em Paris em 1915-1921. Em 1921 casou-se com Caroline Boegner, filha de Alfred Boegner, líder da Sociedade Missionária Evangélica de Paris (SMEP).

Depois de estudar teologia e filosofia em Paris e Harvard, pastoreu uma igreja reformada em Charmes, na região de Ardèche, de 1925 a 1962. Em 1932-1933, lecionou na Faculdade de Teologia de Montpellier.

No verão de 1932 foi à Inglaterra para investigar o movimento pentecostal. Após sua adesão, promoveu um movimento de reavivamento pentecostal entre os reformados. Louis Dallière foi bem recebido pela Igreja Livre, mas não pelos liberais nem no Movimento dos Irmãos.

Em 1930 Dallière tornou-se líder do Movimento Pentecostal em Charmes. Fez parte de uma rede da Resistência durante a Segunda Guerra Mundial, e foi reconhecido pelo Yad Vashem como “justo entre as nações” em 1990. Em 1946 em homenagem a Wilfrid Monod, que fundou os Veilleurs (A Ordem dos Vigilantes), criou a Union de prière de Charmes (Comunidade de Oração dos Charmes). Louis Dallière fundou o “Cours Isaac Homel” (Colégio Isaac Homel), um estabelecimento de ensino secundário que funcionou até 1975.

BIBLIOGRAFIA
https://museeprotestant.org/en/notice/le-pasteur-louis-dalliere-1897-1976-reforme-pentecotiste/

Bost,Jacques. “Le mouvement de Pentecôte en Ardèche”,In La vie des Eglises protestantes dans la vallée de la Drôme, Paris, 1977, p. 241-242

Bundy, David. “L’émergence d’un théologien pentecôtisant: les écrits de Louis Dallière de 1922 à 1932”, Hokhma, Croire Publications, Paris, 1988, Numéro 38, p. 23-51.

Bundy, David.“Dallière, Louis”, in: Brill’s Encyclopedia of Global Pentecostalism Online, Edited by: Michael Wilkinson, Connie Au, Jörg Haustein, Todd M. Johnson. http://dx.doi.org/10.1163/2589-3807_EGPO_COM_038226

Fath, Sébastien.”Baptistes et Pentecôtistes en France, une histoire parallèle ? Le baptisme, une culture d’accueil du pentecôtisme (1820-1950)”, Bulletin de la SHPF, Société de l’histoire du protestantisme français, Paris, juillet-auût -Setembro de 2000, Tomo 146, p. 523-567

Lovsky, Fadiey. “La pensée théologique de Louis Dallière”, Etudes Théologiques et Religieuses, Institut de théologie protestante de Montpellier, 1978/2, p. 171-190

Plet, Philippe.”Dallière Louis”, Encyclopédie du Protestantisme, PUF, Paris, 2006, p. 299.

Serr, Jacques; Lovsky, Fadiey, “Le pasteur Louis Dallière”, Union de prière, 2013 .

Anne Parsons

Anne Parsons (1930-1964) foi uma antropóloga norteamericana que estudou intensivamente uma congregação pentecostal italiana.

Filha do sociólogo Talcott Parsons, Anne estudou nas faculdades Swarthmore e Radcliffe, cursando história, psicologia e relações sociais. Em 1953, ela esteve na Universidade de Paris com uma bolsa Fulbright. Foi laureada em 1955 com um doutorado sobre psicanálise na França e nos Estados Unidos.

Ao retornar aos Estados Unidos, Anne Parasons iniciou uma pesquisa de pós-doutorado do Instituto Nacional de Saúde Mental para treinamento em antropologia social e psiquiatria no Hospital Beth Israel, em Boston. Depois de completar esse período de treinamento adicional em 1957, ela transferiu-se para o McLean Hospital em Belmont, Massachusetts, como pesquisadora em psiquiatria e, em 1960, trabalhou no Boston Psychoanalytic Institute. Adicionalmente, fez trabalho de campo em Nápoles.

Anne Parsons engajava-se ativamente para relacionar as descobertas científicas sociais aos problemas sociais mais prementes da época, principalmente o desarmamento.

Investigou uma “congregação italiana” em uma “cidade central” (possivelmente a Christian Assembly de Boston) por longo trabalho de campo etnográfico.

BIBLIOGRAFIA

Breines, Winifred. “Alone in the 1950s: Anne Parsons and the feminine mystique.” Theory and Society (1986): 805-843.

Geertz, Clifford; Schneider, David M. “Anne Parsons” (1930-1964)in: Journal for the Scientific Study of Religion, vol. 4 no. 2 (1966), p. 182. http://hypergeertz.jku.at/GeertzTexts/Geertz%20Anne_Parsons%201966.htm

Parsons, Anne. Belief, Magic, and Anomie : Essays in Psychosocial Anthropology. New York: Free Press, 1996.

Parsons, Anne. “The Pentecostal Immigrants: A Study of an Ethnic Central City Church.” Journal for the Scientific Study of Religion 4, no. 2 (1965): 183–97.