1 Reis

O livro de 1 Reis retrata o ápice da monarquia unida no período salomônico e a decadência da nação de Israel em ciclo de quebra da Torá (instrução ou lei) pelos governantes que se seguiram nos dois reinos divididos de Judá e de Israel.

Nesse período, intensificaram-se as atividades dos profetas. Eles serviram de críticos e constantes alertas para o retorno aos caminhos prescritos por Deus.

O livro de 1 Reis segue 2 Samuel e antecede 2 Reis. Em conjunto formam os quatro livros dos Reinados na Septuaginta, sendo parte dos Livros Históricos. No cânone hebraico é parte dos Profetas Anteriores e provavelmente foi um só livro com 2 Reis.

A teoria da História Deuteronomista, desenvolvida por Martin Noth, propõe que os livros de Deuteronômio, Josué, Juízes, 1 e 2 Samuel e 1 e 2 Reis foram escritos ou compilados por uma sucessão de autores ao longo de séculos, mas mantendo consistências de estilo que sugerem um único editor ou compilador principal. Uma datação provável para seu estágio estável de composição seria por volta do ano 600 a.C.

BIBLIOGRAFIA

Hee Yoon, Man. The Fate of the Man of God from Judah: A Literary and Theological Reading of 1 Kings 13. Eugene, OR: Wipf and Stock Publishers, 2020.

Lemaire, Andre, Baruch Halpern, and Matthew Joel Adams. The Books of Kings: Sources, Compilation, Historiography, and Reception. Leiden, Netherlands: Brill, 2010.

Lovell, Nathan. The Book of Kings and Exilic Identity: 1 and 2 Kings as a Work of Political Historiography. London, United Kingdom: Bloomsbury Publishing, 2021.

Malamat, Abraham. History of Biblical Israel: Major Problems and Minor Issues. Leiden, Netherlands: Brill, 2021.

Josué

Josué refere-se tanto ao personagem que acompanhou Moisés na saída do Egito e participou da conquista de Canaã quanto ao livro de Josué que relata essa conquista.

Nome

Josué, em hebraico pode ser escrito como יְהוֹשׁוּעַ (yehoshua’) ou יְהוֹשֻׁעַ (yehoshua’). O texto bíblico usa ambas as grafias de forma intercambiável, às vezes até dentro do mesmo versículo (como em Juízes 2:7). Significa “Deus (Yahweh é Salvação”.

A forma abreviada do nome é escrita como yeshua יֵשׁוּעַ, mas somente nos livros históricos pós-exílicos, mais notavelmente usada para o sumo sacerdote que retornou do exílio com Zorobabel (Esdras 2: 2). Esta grafia posterior teria sido provavelmente a base para a forma grega do nome como “Jesus” (Ἰησοῦς, Iēsous).
Números 13:16 e Dt 32:44 indica, que o nome era originalmente “Oseias” (הוֹשֵׁעַ, hoshea’), mas Moisés o mudou para “Josué” (יְהוֹשֻׁעַ, yehoshua’).

Personagens

  1. Josué filho de Num, pertencia à tribo de Efraim (Nm 13:8). Depois da conquista da Terra Prometida, se estabeleceu em Tinate-Será (Js 19:50; Jz 2:9) na região montanhosa de Efraim, e foi sepultado lá (Js 24:30). Também é chamado pelas variantes Josué filho de Nave e Oseias (Nm 13:8, 16; Dt 32:44).
  2. Josué, o Bete-semita e dono de um campo nos dias de Eli (1Sm 6:14, 18).
  3. Josué, governador de Jerusalém nos dias de Josias (2 Reis 23:8).
  4. Josué filho de Josedeque e sumo sacerdote na época da reconstrução do Templo (Ageu 1:1; 2:4; Zacarias 3; 6:11).

Números

Números é o livro do Pentateuco que relata parte da peregrinação dos israelitas do Sinai até a planície de Moabe, antes da entrada na Terra Prometida.

O título remete ao censo com o qual o livro começa (1-4). No entanto, o livro possui gêneros textuais diversos. Há prescrições de purificação (5:1⁠–⁠10:10 ), as quais incluem as regras do voto de nazireado (6:1-21) e da bênção sacerdotal (6:22-27). Continua com as narrativas da peregrinação até Parã (10:11-12), o envio de espiões  (13:1⁠–⁠15:41 ), uma coleção de passagens diversas entre Parã e Moabe (16-36), incluindo os eventos e profecias de Balaão (22:1-25:18).

BIBLIOGRAFIA

Altmann, Peter; Peres, Caio. Numbers: An Introduction and Commentary. Tyndale Old Testament Commentaries. Westmont, IL: Inter-Varsity Press, 2025.

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Milgrom, Jacob. Numbers. The JPS Torah Commentary. Philadelphia: The Jewish Publication Society, 1990.

Olson, Dennis T. Numbers. Interpretation: A Bible Commentary for Teaching and Preaching. Louisville, KY: Westminster John Knox Press, 2004.

Levítico

Levítico, cujo nome refere-se aos assistentes do santuário membros da tribo de Levi não contados entre as famílias sacerdotais, registra os regulamentos dos sacrifícios, das leis de pureza e da prática de santidade para o povo de Israel.

Notavelmente, apresenta uma das antigas versões da regra áurea ou do grande mandamento: “Como o natural, entre vós será o estrangeiro que peregrina convosco; amá-lo-eis como a vós mesmos, pois estrangeiros fostes na terra do Egito. Eu sou o Senhor, vosso Deus”. (Lv 19:34).

Tematicamente, o livro de Levítico situa-se na construção do santuário quando o povo de Israel estava acampado no Sinai. O livro continua com as instruções já apresentadas acerca do santuário desde Êxodo 25 e é continuado por outras instruções até Números 10. Estruturalmente são cinco grandes blocos:

  1. capítulos 1 a 7: o sistema sacrificial.
  2. capítulos 8 a 10: o papel sacerdotal de Aarão e dos aarônidas.
  3. capítulos 11 a 15: as purezas alimentar e ritual.
  4. capítulo 16: procedimentos para o Dia da Expiação (Yom Kippur).
  5. capítulos 17 a 26, o “código de santidade” por sua ênfase na santificação e pureza.

BIBLIOGRAFIA

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Jesus (Matt. 3:5-4:1) with the Scapegoat Rite on the Day of Atonement (Lev. 16:20-22),” Canon & Culture 12, no. 1 (2018): 11-13.

Douglas, Mary. Purity and Danger: An Analysis of Concepts of Pollution and Taboo. Routledge Classics; London: Routledge, 2002

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Milgrom, Jacob. Leviticus: A Book of Ritual and Ethics. Continental Commentaries. Minneapolis: Fortress, 2004.

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Rendtorff, Rolf; Robert A. Kugler; Sarah Smith Bartlet, eds. The book of Leviticus: composition and reception. Vol. 3. Brill, 2003.

Schwartz, Baruch J. “Leviticus.” In The Jewish Study Bible. Edited by A. Berlin and M. Z. Brettler, 203–280. New York: Oxford University Press, 2004.

Deuteronômio

Deuteronômio, em grego é “a segunda lei”, cujo título hebraico é devarim, de “estas são as palavras” é o último livro no conjunto do Pentateuco, onde serve de recapitulação da jornada e instrução da Lei aos israelitas. Consiste em três discursos de despedida (1-4, 5-26, 27-31:27) de Moisés nas planícies de Moabe, no final dos 40 anos de peregrinação pelos desertos durante o êxodo.

Em maior detalhe, o livro começa com um discurso de despedida proferido por Moisés nas planícies de Moabe (1:1-5). Recapitula como Deus trouxe o povo à beira do Jordão (1:1-4:43). Em um segundo discurso, Moisés explica o significado da aliança (5-11) e apresenta o Código de Leis Deuteronômicas (12-26), o cerne do livro. Seguem instruções para a renovação da aliança (27), uma lista de bênçãos e maldições (28) e uma exortação final para observar a aliança (capítulos 29-30). Seguem o Cântico de Moisés (31-32) esua bênção final a Israel (33). O relato de sua morte no Monte Nebo (34) encerra o livro.

Na comparação do Código Deuteronômico (Dt 12-26) com o Livro da Aliança ou Código da Aliança (Êx 20:22-23:33) e o Código de Santidade (Lv 17-26) há cinco tópicos únicos a Deuteronômio: a centralização da adoração (12:1-32; passim); as cidades apóstatas (13:12-16); deveres reais (17:14-20); direito da guerra (20:1-20); e o assassino desconhecido (21:1-9).

BIBLIOGRAFIA

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Mohrmann, Douglas C. Deuteronomion. Baylor-SBL Commentary on the Septuagint. Waco, TX: Baylor University Press, 2023.

Nelson, Richard D. Deuteronomy. Old Testament Library. Louisville, KY: Westminster John Knox Press, 2002.

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Sherwood, Stephen K. Leviticus, Numbers, and Deuteronomy. Blackwell Bible Commentaries. Malden, MA: Blackwell Publishing, 2002.