Abandono de Jesus na cruz

Abandono de Jesus na cruz é o termo dado ao relato de desespero registrado nos evangelhos de Mateus e Marcos. Os versículos em questão, Mateus 27:46 e Marcos 15:34, registram o clamor comovente de Jesus (“E, perto da hora nona, exclamou Jesus em alta voz, dizendo: Eli, Eli, lemá sabactâni, isto é, Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” “E, à hora nona, Jesus exclamou com grande voz, dizendo: Eloí, Eloí, lemá sabactâni? Isso, traduzido, é: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?”)Este clamor gerou discussões e interpretações teológicas ao longo dos séculos.

Este lamento não é uma expressão direta, mas uma citação do início do Salmo 22. A expressão poética,atribuída a Davi, em salmo que, no seu conjunto, transmite uma profunda confiança em Deus e uma certeza de que a assistência e a vitória divinas estão asseguradas. Portanto, interpretar o grito de Jesus como um sinal de abandono literal é desafiado pelo tema abrangente da confiança encontrado no Salmo 22.

O silêncio de Jesus na cruz em relação a muitos dos seus próprios sofrimentos contrasta com a sua articulação da sede (João 19:28) e o subsequente uso do Salmo 22. Ao fazê-lo, Jesus invoca o salmo para vindicar que os sofrimentos e as indignidades profetizados pelos profetas cumprem-se precisamente nele, o verdadeiro Messias.

Os Evangelhos Sinópticos apresentam variações no retrato dos momentos finais de Jesus. Mateus e Marcos enfatizam um grito de aparente desespero, em uma versão aramaica seguida de tradução, enquanto Lucas registra uma declaração mais serena: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito” (Lucas 23:46). João retrata a morte de Jesus com um ar de calma. Estas diferenças nos relatos dos Evangelhos levantam questões sobre a exatidão histórica e as implicações teológicas das últimas palavras de Jesus.

Eli

Eli, em hebraico אֵלִי “Yahweh é meu Deus” ou “exaltado”, foi juiz de Israel (1Sm 4:18) e um sacerdote em Siló, onde a Arca estava localizada durante o período dos juízes.

Ao observar Ana orando pensou que estava bêbada, mas depois declarou que sua oração seria cumprida. Samuel, o filho dessa promessa, foi mais tarde levado a Siló e posteriormente sucedeu a Eli, cujos filhos, Hofni e Fineias, eram ambos ímpios.

A ascendência de Eli não está registrada e a transição da linhagem aarônica de Eleazar para a casa de Eli constitui uma dificuldade bíblica. Seus dois filhos têm nomes egípcios, um deles idêntico ao nome do filho de Eleazar, Fineias. Em 1 Sm 2:27 menciona casa de Eli havia sido designada para o sacerdócio enquanto Israel ainda estava no Egito, mas essa passagem não aparece no Pentateuco. Uma tradição diz que Uzi (1 Cr 6:4-6), da linha de Eleazar, seria o sumo-sacerdote e segundo a tradição Samaritana após a morte de Josué, o sacerdote Eli deixou o tabernáculo do Monte Gerizim, e construiu outro em Siló (1 Sm 1: 1-3; 2: 12-17). Uma tradição posterior traça Eli a Itamar filho de Aarão (Josefo, Antiguidades Judaicas 5:361; cf. 1 Cr 24:3) enquanto outra diz que era descendente de Eleazar filho de Aarão (4 Ed 1: 2-3; cf. Êx 6:23, 25).

Após a morte de Eli e seus filhos, a aldeia de Nobe local que seus possíveis descendentes se estabeleceram. De acordo com 1 Sm 22:20-23, o único sobrevivente da chacina que Saul fez nos sacerdotes de Nobe foi Abiatar, filho de Aimeleque, filho de Aitube, um descendente de Eli que foi deposto por Salomão (1 Sm 14:3; cf. 1 Re 2:27).