Apoftegma

O termo apoftegma (do grego apophthegma, que significa “algo dito”) refere-se a uma expressão breve, memorável e frequentemente atribuída a uma figura respeitada ou a um mestre. São narrativas concisas que encapsulam um ensinamento ou ilustram um ponto específico, sendo descritas como “histórias de sabedoria” em formato compacto.

Os apoftegmas apresentam características marcantes que incluem a memorabilidade e uma conclusão impactante. Sua estrutura frequentemente segue três partes: situação, questão e resposta. A situação estabelece o contexto e introduz os personagens envolvidos; a questão cria tensão ou um desafio; a resposta, muitas vezes espirituosa ou perspicaz, fornece a resolução ou o ensinamento pretendido.

A função dos apoftegmas inclui esclarecer questões controversas, justificar comportamentos inesperados e transmitir ensinamentos de maneira sucinta. Um exemplo bíblico clássico está em Marcos 2:15-17, onde Jesus compartilha uma refeição com publicanos e pecadores, gerando questionamentos. Os fariseus indagam por que Ele se associa a essas pessoas, e Jesus responde: “Os sãos não precisam de médico, mas sim os doentes. Eu não vim chamar justos, mas pecadores.” Este apoftegma justifica o comportamento de Jesus e esclarece sua missão.

Rib (gênero textual)

O רִיב rib ou rîb é um gênero textual presente em denunciações proféticas que imita os procedimentos de uma corte de justiça.

Os profetas também pronunciaram maldições por violar os pactos na forma de ações judiciais.  O ofício do profeta apresenta características de uma parte reclamante em pactos violados. Nissinen argumenta que a advocacia surgiu como o ofício político-religioso do profeta na Mesopotâmia, Mari e Antigo Israel.

Abundam os exemplos do rib, tal como Oseias 4; Miqueias 6:1-16; as sete cartas do Apocalipse; Isaías 1:2–7; 5:1-7; 43; Amós 3:1—4:13, dentre outros. Muitos livros e trechos bíblicos que estão estruturados como um processo judicial (Jó, Rute, Naum), o que demonstra um polinização cruzada.

BIBLIOGRAFIA

De Roche, Michael. “Yahweh’s Rîb Against Israel: A Reassessment of the So-Called “Prophetic Lawsuit” in the Preexilic Prophets.” Journal of Biblical Literature 102, no. 4 (1983): 563-574. https://doi.org/10.2307/3260866.

Gemser, Berend. “The rîb-* or controversy-pattern in Hebrew mentality.” Wisdom in Israel and in the ancient Near East. Brill, 1969. 120-137.

Huffmon, Herbert B. “The covenant lawsuit in the prophets.” Journal of Biblical Literature (1959): 285-295.

Kensky, Meira Z. Trying man, trying God: The divine courtroom in early Jewish and Christian literature. Vol. 289. Mohr siebeck, 2010.

Nissinen, Martti, ed. Prophecy in Its Ancient Near Eastern Context: Mesopotamian, Biblical and Arabian Perspectives. SBL Symposium Series 13. Atlanta: Society of Biblical Literature, 2000.

Aretalogia

Aretalogia ou aretologia do grego: Αρεταλογία, aretḗ, virtude + logia, é uma forma de gênero de louvor em que os atributos de uma divindade são listados. Tem a forma de poema na primeira pessoa, uma lista de epítetos, nomes e qualidades, poderes (dynameis) invenções ou criações (heuremata) e obras (erga).

O gênero textual da aretalogia ocorre em várias tradições religiosas.י״ג מִידּוֹת Nas religiões dhármicas o termo em sânscrito é ātmastuti. Nas tradições cuneiformes mesopotâmicas eram as listas lexicais dos deuses, como na Oração de Assurbanípal a Assur ou a parte final de Enuma Elish. Na literatura greco-romana um exemplo é a Aretalogia a Isis (Apuleio. O Asno de Ouro, 11.22.6). No islã há os Noventa e nove nomes de Alá (al-asmá al-husná). No cristianismo, as escolásticas medieval e reformada foram construída a partir de listas de atributos divinos.

Um gênero derivado, por vezes também referido como aretalogia, sãos as biografias laudatórias de heróis ou figuras lendárias, como A vida de Pitágoras de Porfírio ou A vida de Moisés de Filo de Alexandria.

Na Bíblia, não há um explícito elenco de virtudes divinos do gênero da aretologia conforme os paralelos literários da época. Todavia, alguns traços do gênero aparecem no louvor à Sabedoria em Provérbios 8. Também, há listas como em Êx 34:6–7; Nm 14:18; Jl 2:13; Jn 4:2; Mq 7:18; Na 1:3; Sl 86:15; 103:8; 145:8; Ne 9:17 dos atributos da misericórdia, os quais aparecem após o incidente do Bezerro de Ouro, quando Deus ameaçou destruir Israel (Êx 32:10). A aretologia no sentido biográfico pode ter influenciado o gênero literário dos evangelhos.

BIBLIOGRAFIA

Hadas, Moses and Smith, Morton. Heroes and Gods: Spiritual Biographies in Antiquity. London: Routledge & Kegan Paul, 1965.
Smith, Morton. “Prolegomena to A Discussion of Aretalogies, Divine Men, the Gospels and Jesus.” Journal of Biblical Literature 90 (1971): 174-199

https://www.treccani.it/enciclopedia/aretalogia_%28Enciclopedia-Italiana%29/

Parabíblica, Literatura

Literatura parabíblica refere-se ao gênero literário de obras que expandem, reformulam ou parafraseiam textos bíblicos.

Similar expansão ou reescrita ocorre na midrash, mas com caráter interpretativo livre. Muito da literatura parabíblica é pseudoepígrafa, atribuíndo sua autoria ou versando sobre personagens célebres da história israelita ou cristã.

  • Apócrifo do Gênesis
  • Livro dos Jubileus
  • Pseudo-Filo

Acróstico

Um acróstico é um jogo de palavras no qual a primeira letra de cada frase segue a ordem alfabética. Há vinte e duas letras no alfabeto hebraico, então cada acróstico alfabético terá vinte e duas partes.

Os acrósticos ocorrem apenas nas seções hebraicas da Bíblia, nenhuma em grego ou aramaico.

É desafiador em compor um acróstico, pois é difícil encontrar palavras apropriadas para letras que ocorrem com pouca frequência. Por exemplo, em hebraico existem apenas onze palavras que começam com waw, dez delas são palavras raras, mas a conjunção ו (e, isso, mas) é bem versátil.

CONCORDÂNCIA: LISTA DE ACRÓSTICOS BÍBLICOS

  • Salmos 9 e 10 juntos
  • Salmo 25
  • Salmo 34
  • Salmo 37
  • Salmos 111 e 112
  • Salmo 119
  • Salmo 145
  • Provérbios 31: 10-31, o louvor à esposa virtuosa
  • Livro de Lamentações e Lm 1:1-4
  • Naum 1, sem consenso se é um acróstico, se foi composto com lacunas por razões literárias ou se é fragmentário.

SAIBA MAIS 

D. L. Christensen, “The Acrostic of Nahum Reconsidered,” ZAW 27 (1975): 17–30

S. J. de Vries, “The Acrostic of Nahum in the Jerusalem Liturgy,” VT 16 (1966): 476–81.