Thomas F. Torrance

Thomas F. Torrance (1913-2007) foi um teólogo e professor escocês que fez contribuições significativas nos campos da teologia sistemática e do diálogo ciência-teologia. Ele é mais conhecido por seu trabalho na tradição teológica reformada e seu envolvimento com as teorias científicas contemporâneas.

Torrance começou sua carreira acadêmica com graduação em clássicos e teologia pela Universidade de Edimburgo. Mais tarde, ele obteve um PhD em teologia pela Universidade de Basel, onde estudou com o renomado teólogo suíço Karl Barth.

O pensamento teológico de Torrance situa-se na teologia neo-ortodoxa de Barth e pela tradição reformada Ateologia cristã deve ser fundamentada na revelação de Deus em Jesus Cristo e que a missão da igreja é testemunhar essa revelação no mundo.

As contribuições de Torrance à teologia cristã incluem seu trabalho sobre a relação entre teologia e ciência. Argumentou que a ciência e a teologia são formas complementares de entender o mundo e que o estudo da ciência pode ajudar os cristãos a entender melhor a criação de Deus.

Os livros de Torrance incluem “Theological Science” (1969), “The Christian Doctrine of God: One Being Three Persons” (1996) e “The Mediation of Christ” (1992). Nessas obras, ele explora as implicações da Encarnação para a teologia cristã, a natureza de Deus e a relação entre teologia e ciência.

Pelo seu trabalho sobre teologia e ciência, foi homenageado com inúmeros prêmios e distinções, incluindo o Prêmio Templeton de Progresso na Religião em 1978.

TF Torrance veio de uma família de teólogos e eruditos. Seu irmão mais velho, James B. Torrance (1913-2003), também foi teólogo e ministro da Igreja da Escócia. James Torrance ensinou na Universidade de Aberdeen e era conhecido por seu trabalho sobre a doutrina do Espírito Santo e a relação entre ciência e teologia.

O sobrinho de Torrance, Alan Torrance, também é um proeminente teólogo. Alan Torrance é professor de Teologia Sistemática na Universidade de St. Andrews, na Escócia, e escreveu extensivamente sobre a teologia de Karl Barth, a doutrina da Trindade e a relação entre teologia e ciência.

Outro membro da família Torrance, Margaret Torrance, é historiadora e estudiosa da literatura escocesa. Escreveu sobre as obras de Robert Burns e editou várias coleções de literatura escocesa.

BIBLIOGRAFIA

Colyer, Elmer M. How to read TF Torrance: Understanding his trinitarian and scientific theology. Wipf and Stock Publishers, 2007.

Munus Triplex

Munus Triplex ou os três ofícios de Cristo é um conceito teológico que ensina que Cristo cumpre três ofícios como Salvador: Profeta, Sacerdote e Rei.

Cristo é o Profeta que ensina e revela a verdade de Deus; o Sacerdote que se oferece em sacrifício pela remissão dos pecados; e o Rei que reina sobre toda a criação.

A doutrina tem raízes na Idade Média e tornou-se padrão na Reforma Protestante. Foi abraçado por várias tradições teológicas, incluindo reformada, luterana e anglicana. Foi um conceito estruturante na teologia de Karl Barth.

As referências bíblicas para a doutrina Munus Triplex podem ser encontradas em todo o Antigo e Novo Testamento, como:

  • Profeta: Deuteronômio 18:15; Mateus 13:57; João 6:14; Hebreus 1:1-2.
  • Sacerdote: Salmo 110:4; Hebreus 4:14-16; 9:11-14.
  • Rei: Salmo 2:6; Mateus 28:18; Colossenses 1:15-20.

Em Zacarias 6:12-13 há a expectativa de um rei justo que fundiria seu papel com o sacerdócio do templo.

Hans Küng

Hans Küng (1928 -1921) eticista e teólogo católico suíço.

Pesquisador e docente da Universidade de Tübingen, serviu como conselheiro teológico durante o Concílio Vaticano II. Durante seu doutorado buscou conciliar as doutrinas católica e de Barth a respeito da justificação.

Foi crítico contra o celibato clerical e a condenação do magistério católico acerca dos métodos contraceptivos. Em 1978, depois de rejeitar a doutrina da infalibilidade papal, foi proibido de lecionar teologia católica.

A Igreja

Hans Küng publicou A Igreja (Die Kirche) em 1967, questionando doutrinas católicas sobre a natureza, estrutura e missão da Igreja, buscando reinterpretá-las à luz das Escrituras, da história e das reformas do Concílio Vaticano II. Küng critica a Igreja pré-conciliar como excessivamente institucionalizada e hierárquica, distanciando-se do ideal cristão primitivo de uma comunidade carismática guiada pelo Espírito. Para Küng, a Igreja deve retornar a uma forma mais dinâmica e inclusiva, como sugerido no Novo Testamento e reafirmado na Lumen Gentium de 1964, que descreve a Igreja como o ‘Povo de Deus’.

Küng fundamenta sua eclesiologia na proclamação bíblica do Reino de Deus. Ele argumenta que Jesus não buscou criar uma instituição, mas formar uma comunidade baseada na solidariedade e na resposta ética ao chamado divino. Os evangelhos apresentam Jesus formando um movimento que transcende fronteiras sociais e religiosas, voltado para a transformação das relações humanas. Na tradição apostólica e nas epístolas paulinas, a Igreja aparece como uma ‘koinonia’, uma comunhão de fé e serviço, com liderança definida mais pela diaconia que pelo domínio.

Küng traça a evolução da Igreja desde suas origens carismáticas até as estruturas institucionais que emergiram no período pós-apostólico. Ele vê essa transição como uma ruptura com o ethos comunitário inicial, à medida que o episcopado e, posteriormente, o papado centralizaram o poder, criando uma elite clerical cada vez mais distante do laicato. Esse processo culminou no século XIX, com o Concílio Vaticano I definindo a infalibilidade e a jurisdição suprema do papa, reforçando um modelo centralizado de autoridade.

Para Küng, esse modelo hierárquico é uma construção histórica, não uma exigência divina, e pode ser reformado. Ele propõe uma forma de governo mais colegiada, com maior participação do laicato na vida eclesial, rejeitando o monopólio clerical sobre o ensino e os sacramentos. Küng também critica a ideia de uma Igreja autossuficiente e triunfalista, defendendo que a missão cristã deve incluir o diálogo com outras tradições cristãs e não cristãs, assim como um compromisso com a justiça social e a paz.

Ao final, Küng descreve a Igreja como um povo peregrino, sempre em processo de reforma. Para ele, a Igreja deve retornar à simplicidade evangélica, rejeitando o legalismo e as estruturas de poder que obscurecem sua verdadeira missão. Küng afirma que as estruturas eclesiásticas são criações humanas, sujeitas a mudanças históricas e culturais. Essa visão tem impacto significativo no debate sobre sinodalidade, descentralização e participação leiga na Igreja contemporânea.

Karl Barth

Karl Barth (1886-1968) foi um teólogo reformado suíço, principal proponente da neo-ortodoxia ou da teologia dialética.

Barth acreditava que a teologia deveria estar enraizada na Bíblia e focada na revelação de Deus por meio de Jesus Cristo. Assim, rejeitou a tentativa da teologia liberal de reconciliar o cristianismo com a cultura moderna, argumentando que a Palavra de Deus transcende o conhecimento e a compreensão humanos.

Seu trabalho mais famoso é a maciça Dogmática Eclesiástica.