Torre de Hananel

A Torre de Hananel ou Hananeel, em hebraico חננאל, é uma torre dentro dos muros de Jerusalém, mencionada em textos bíblicos.

A Torre Hananel ficava ao lado da Torre de Meá, também conhecida como Torre dos Cem, a leste. Ela se conectava ao “portão das ovelhas”. Situava-se na seção norte da muralha da cidade velha, próximo ao canto nordeste. Este local historicamente exigiu fortificação especial, tornando-o estrategicamente importante para a defesa de Jerusalém.

A torre é mencionada em várias passagens bíblicas, como Neemias 3:1, Neemias 12:39, Zacarias 14:10. Em Jeremias 31:38, o profeta prediz a reconstrução de Jerusalém, afirmando que a cidade será construída para o Senhor desde a Torre de Hananel até a porta da esquina.

Durante a reconstrução dos muros de Jerusalém sob Neemias, a torre desempenhou um papel proeminente. Eliasibe, o sumo sacerdote, junto com seus irmãos, os sacerdotes, construíram a porta das ovelhas e a santificaram, estendendo seu trabalho até a Torre de Hananeel (Neemias 3:1). Posteriormente, uma festa de dedicação foi realizada após a conclusão das muralhas, com festividades que se estenderam desde o portão de Efraim até vários outros marcos, incluindo a Torre de Hananeel (Neemias 12:39).

Com base na descrição de Neemias 3, a Torre de Hananeel ficava a meio caminho entre a porta das ovelhas e a porta dos peixes, marcando o canto nordeste dos muros de Jerusalém. O nome da torre, que significa “Deus é gracioso”, deu origem a diversas interpretações.

A associação da torre com Hananel levanta questões sobre as suas origens e significado histórico. Giovanni Garbini propôs uma teoria sugerindo que Judá foi brevemente governado por um rei amonita chamado Hananel durante meados dos anos 600 aC, que pode ter construído a torre.

BIBLIOGRAFIA

Garbini, Giovanni. “Biblical Philology and North-West Semitic Epigraphy: How Do They Contribute to Israelite History Writing.” In Recenti Tendenze nella Ricostruzione della Storia Antica d’Israele (2005), Actes du colloque international de Rome, 2003, edited by M. Liverani, 121–35. Actes / Collectif. Rome: Accademia nazionale dei Lincei, 2005.

Garbini, Giovanni. Scrivere la storia d’Israele: Vicende e memorie ebraiche. Brescia: Paideia, 2008.

Recabitas

Os recabitas eram um grupo de pessoas de um clã ou tribo dos queneus que habitavam em tendas e possuíam regras estritas quanto ao consumo de bebidas alcoólicas, mencionados principalmente em Jeremias 35.

Os recabitas um grupo de pessoas originárias da região de Midiã e associadas aos israelitas. Os recabitas mantiveram uma adesão estrita a um conjunto de regras dadas a eles por seu ancestral Jonadabe, contemporâneo do rei Jeú de Israel no século IX aC.

Os recabitas viviam em tendas e seguiam um estilo de vida nômade. No entanto, com a ameaça da invasão estrangeira, os recabitas buscaram refúgio em Jerusalém.

O profeta Jeremias usou os recabitas como exemplo de fidelidade e obediência a Deus, contrastando-os com os israelitas que se afastaram de Deus e se recusaram a ouvir suas advertências. Em Jeremias 35, Jeremias levou os recabitas ao Templo e ofereceu-lhes vinho, mas eles recusaram, citando o mandamento de seu ancestral Jonadabe de se abster de vinho e sua adesão a seus mandamentos como prova de sua fidelidade.

Em 1 Crônicas 2:55, os recabitas apacerem como escribas da tribo de Judá. No livro de Neemias diz um grupo deles ajudou a consertar o muro de Jerusalém (Neemias 3:14).

Existem várias lendas e tradições de historicidade questionável. Em uma tradição, diz-se que os recabitas foram recompensados por sua fidelidade ao serem autorizados a servir como porteiros no Templo de Jerusalém. Em outra tradição, dizem que eles se tornaram uma classe sacerdotal, servindo como assistentes dos levitas. Na tradição islâmica, os recabitas são conhecidos como Banu Harith e dizem ter sido seguidores do profeta Elias, tendo se estabelecidos em Khaybar. São mencionados em vários textos islâmicos, incluindo o Hadith, que relata uma história na qual o Maomé elogia os recabitas por sua piedade e adesão aos mandamentos de seus ancestrais.

Por volta de 312 a.C., Jerônimo de Cárdia, um general de Alexandre, o Grande, relata sobre um povo na região de Nabateia que não plantava, não construía casas e não bebia nada alcoólico. (Diodoro S. 19, 94)

O rabino Halafta (séculos I-II d.C) seria descendente dos recabitas. A apócrifa História dos Recabitas, desde a antiguidade tardia, detalha a jornada de um monge chamado Zósimo à “Terra dos Recabitas”. Em 1839, o missionário Joseph Wolff disse ter encontrado no Iêmen, perto de Sana’a , um homem que afirmava ser descendente de Jonadabe.

BIBLIOGRAFIA

Karel van der Toorn, “Ritual resistance and self-assertion: the Rechabites in Early Israelite religion”, Pluralism and identity: Studies in ritual behaviour, SHR 67, 1995.