Papiros de Zenon

Os papiros ou o Arquivo de Zenon (c.280-c220 a.C.) consiste de grupo de documentos descobertos na antiga Filadélfia, na região de Fayum, no Egito. Esses papiros eram documentos mantidos por Zenon, secretário de um funcionário do governo egípcio.

O Arquivo de Zenon registra a vida e a administração do Egito ptolomaico e datam do século III a.C,. entre os reinados de Ptolomeu II e Ptolomeu III.

Zenon, filho de Agreofonte, nasceu na cidade de Kaunos, na costa da Cária, na Ásia Menor grega.

Em 260 a.C., Zenon era secretário de Apolônio, um conselheiro de Ptolomeu II, responsável pelo tesouro e supervisão de várias terras. Além de manter os documentos, fazia o papel de chefe de gabinete, supervisionando os bens e interesses particulares de Apolônio, bem como escrutinando pessoas que pediam audiência com seu empregador.

Zenon parece ter viajado extensivamente em nome de Apolônio por todas as propriedades ptolomaicas. Teria viajado pela Palestia, Transjordânia e Síria. Atesta a presença da comunidade judia dos tobíadas em Amã. Também atesta a vida dos judeus no Egito.

O arquivo foi descoberto na década de 1915 nos restos de uma casa.

BIBLIOGRAFIA

https://apps.lib.umich.edu/reading/Zenon/index.html

Zenon Papyri: Jews in Hellenistic Egypt

Papiro 137

Fragmento também identificado como Papyrus 137, {\mathfrak {P}}137, P.Oxy. LXXXIII 5345, do evangelho de Marcos, possivelmente o mais antigo até então encontrado. É datado do final do século II ou início do século III.

Trata-se de um fragmento encontrado em 1903 em Oxyrhynchus, mas somente publicado em 2018. Contém trechos de Mc 1:7-9; 1:16-18 em ambos lados da folha (frente e verso), indicando ser originalmente parte de um códice.

Foi foco de uma controvérsia nos anos 2010 quando se especulou-se que seria datado do século I e que supostamente seria vendido para o Museu da Bíblia de Washington.

Opistógrafo

Opistógrafo significa escrito dos dois lados de uma folha. Em Apocalipse 5:1 há a menção de um rolo escrito no reto e no verso.

Como nos papiros e no pergaminho um lado é mais áspero ou curvo por enrolar o conteúdo interno, os opistógrafos eram algo incomum.

Um dos raros papiros opistógrafos, o P18, contém Êx 11:36-32 de um lado e Ap 1:4-7 no outro.

A adoção do formato códice a partir do século IV popularizou os opistógrafos.

Papiros de Hermópolis

Os papiros aramaicos de Hermópolis (Ashmunein, Egito), similares e contemporâneos aos papiros de Elefantina, são cartas enviadas de residentes de Mênfis para parentes ou amigos em Assuã e Luxor, bem como documentos públicos e pessoais.

A cidade de Hermópolis estava localizada na margem oeste do Nilo, no Alto Egito. Na margem oposta estava Antinoópolis, uma cidade fundada em 130 d.C. por Adriano em homenagem ao seu jovem amigo Antinoos, que se afogou em circunstâncias misteriosas em uma viagem pelo Nilo com o imperador.

Oito papiros aramaicos datam do final do século VI ou início do século V a.C. Foram encontrados em 1945 no templo Ibis durante as escavações de Sami Gabra. Somente seriam publicados em 1966 por Edda Bresciani e Murad Kamil, da Universidade do Cairo, instituição que mantém os papiros.

A maior parte dos papiros encontram-se na Berliner griechische Urkunden (Berlin Collection, a coleção de Berlim). Esses, cerca de 80 foram publicados.

BIBLIOGRAFIFA

Herwig Maehler, Urkunden aus Hermupolis (BGU XIX). Archiv für Papyrusforschung und verwandte Gebiete, 19. München/Leipzig: K.G. Saur, 2005.

Papiros de Wadi Daliyeh

Os papiros de Wadi Daliyeh, datados entre 375 a 335 a.C., são 18 documentos parcialmente legíveis, além de 128 selos e bulas de argila, oriundos de Samaria no período Persa.

Demostra a formação de um governo hereditário na região da Samaria pré-helenista. A maioria consiste de documentos de venda de escravos, além de um contrato de empréstimo, um processo civil, e outros contratos.

Foram descobertos em 1962 na caverna de Abu Shinjeh. Junto dos documentos estavam os ossos de 205 indivíduos, possivelmente de samaritanos fugitivos das represálias de Alexandre, o Grande, depois do assassinato de seu sátrapa Andrômaco.

Vários selos contém a fórmula “[Yesha’]yahu filho de [San]balate, Governador de Samaria”.

Esses achados corroboram a (confusa) narrativa de Flávio Josefo sobre o santuário dos samaritanos (História dos Hebreus 11.302–312; 11.321–325). Outra contribuição é que atesta um governador de Samaria chamado Sanbalate no século V a.C..

VEJA TAMBÉM

Óstracos de Samaria

Papiros de Karanis

Karanis foi um assentamento greco-romano em Fayum, Egito. A missão arqueológica da Universidade de Michigan escavou no local de 1924 a 1935, recuperando papiros documentais e literários.

Uma das principais figuras ligadas a essa missão arqueológica foi David Askren (1875-1939). Askren foi um médico missionário presbiteriano que se instalou no norte do Egito em 1899. Por tratar de trabalhadores rurais egípcios, soube da prática de os camponeses escavarem ruínas em busca de fertilizantes. Askren acabou desenvolvendo relacionamentos com trabalhadores e negociantes egípcios locais e se tornou um canal para a venda de manuscritos.

Obteve materiais que agora estão no Smithsonian, Universidade de Columbia, Princeton, Yale, na Universidade de Michigan, na Biblioteca Pierpont Morgan em Nova York e Luther College em Iowa.

Entre os papiros descobertos em Karanis encontram-se vários fragmentos tanto do Antigo Testamento grego quanto do Novo Testamento.

BIBLIOGRAFIA

Wilfong,  Terry G.; Ferrara, Andrew W. S. Karanis Revealed: Discovering the Past and Present of a Michigan Excavation in Egypt. Kelsey Museum publications, 7. Ann Arbor, MI: Kelsey Museum of Archaeology, 2014.

Papiro Harris I

Papyrus Harris I ou Papyrus British Museum EA 9999 é uma lista de bens do templo e uma breve crônica de todo o reinado do faraó Ramsés III (1186–1155 a.C.) da 20a dinastia do Egito.

Para a papirologia é revelante por suas dimensões. É um rolo de 41 metros de comprimento. Isso o faz um dos maiores papiros encontrados, com cerca de 1.500 linhas de texto, aproximadamente, o tamanho dos livros de Gênesis ou de Jeremias.

Foi encontrado em uma tumba perto de Medinet Habu, próximo do rio Nilo de Luxor, Egito, e comprado pelo colecionador Anthony Charles Harris (1790-1869) em 1855.

Este papiro, junto da Estela Elefantina, fornece um paralelo bíblico sobre a saída de povos asiáticos do Egito. Um líder dos asiáticos (shashu), Irsu assumiu o poder após a morte da Rainha Twosret. Durante seu governo, desprezou os rituais egípcios. O novo Faraó Setnakhte expulsou-os e, enquanto fugiam, abandonaram grandes quantidades de ouro e prata que haviam roubado dos templos.

Uma versão semelhante dessa narrativa aparece na Aegyptiaca de Maneto. Segundo Josefo, o historiador egípcio Maneto conta que o líder Osarseph deu um golpe em um faraó liderando um grupo de leprosos e em aliança com os hicsos,. Depois teria sido expulso do Egito e mudou seu nome para Moisés.

Papiros Chester Beatty

Os Papiros Chester Beatty são um grupo de manuscritos gregos e egípcios.

Os Papiros Bíblicos Chester Beatty são onze manuscritos, sete com porções de livros do Antigo Testamento, três do Novo Testamento e um com partes do Livro de Enoque e uma homilia cristã. A maioria é datada do século III d.C..

Dentre os papiros não bíblicos, destaca-se o Chester Beatty Medical Papyrus. Este é um dos papiros médicos mais antigos que existente. Prescreve mágicas e tratamentos contra dores de cabeça e remédios para doenças anorretais. Sua data é de cerca de 1200 aC.

Os papiros possuem proveniência desconhecida. Um relato traça a origem dos manuscritos a jarros em um cemitério copta perto das ruínas da cidade de Afroditópolis. Outro possível local Fayum. A maioria dos papiros foi comprada de um negociante por Alfred Chester Beatty. Eles estão em parte na Biblioteca Chester Beatty em Dublin, Irlanda, e na Universidade de Michigan.

A existência dessa coleção foi publicizada em 1931.

Papiros de Afrodito

Os papiros ou arquivo de Afrodito são uma coleção de documentos e obras literárias encontradas na vila de Afrodito (Kom Ashkaw), uma das várias cidades conhecidas como Afroditópolis. Frequentemente é confundida com os papiros de Afronditópolis, cerca de 40 km ao sul de Afrodito.

O chamado Afrodito era Flávio Dióscoro ou Dióscoro de Afrodito um poeta e jurista cristão copta de expressão grega. Era administrador da vila e seu arquivo documentos legais, rascunhos, poemas, petições em nome de seus cidadãos.

Os papiros de Dióscoro foram descobertos acidentalmente em julho de 1905 na vila de Kom Ashkaw. Um morador estava reformando sua casa quando uma parede desabou e revelou rolos e fragmentos de papiro em uma fenda. Quando o Serviço de Antiguidades chegou ao local, a maior parte do papiro havia sumido. Durante as escavações encontraram um grande jarro cheio de papiro em uma casa de estilo romano, com fragmentos de comédia ateniense, incluindo fragmentos de Menandro, da Ilíada de Homero e outras obras.

O escavador Gustave Lefebvre desenterrou um arquivo de documentos legais, comerciais e pessoais do século VI e poesia original. Estes foram entregues a estudioso Jean Maspero, filho do Diretor do Serviço de Antiguidades do Egito, que editou e publicou os documentos e poemas em vários artigos de periódicos. Maspero foi morto na batalha de Vauquois, no Lorraine, durante a Primeira Guerra Mundial, e seu pai Gaston completou o terceiro volume dos papiros dioscorianos em 1916. Outros papiros dioscorianos, obtidos por negociantes de antiguidades por meio de vendas e escavações clandestinas, foram publicados na Europa.

Papiros de Akhmim

Akhmim, Panópolis em grego, é uma cidade do Alto Egito onde houve vários monastérios. Foi local de descoberta de vários manuscritos em tumbas de monges.

A região teve residentes célebres, como Shenouda, o Arquimandrita (348-466) e Nestório, o ex-patriarca de Constantinopla. Outro notório residente, Nonnus, um poeta grecorromano, nasceu na cidade. Ele teria composto uma Dyonysica (c.470) e depois convertido ao cristianismo e composto uma versão poética do evangelho de João.

As escavações em Akhmim em 1886 por uma missão arqueológica francesa liderada Sylvain Grébant revelaram numerosos manuscritos cristãos. Entre os achados estão os fragmentos do Livro de Enoque, do Evangelho de Pedro, o Apocalipse Copta de Pedro, Martírio de São Julião, os Atos do Concílio de Éfeso, bem como numerosas outras inscrições cristãs. A maior parte data dos séculos VIII ou IX d.C.

P. Cair. 1075 é o códice, hoje de local incerto, de 33 folhas que continha o Livro de Enoque, do Evangelho de Pedro, o Apocalipse Copta de Pedro e o Martírio de São Julião.