Papiro 137

Fragmento também identificado como Papyrus 137, {\mathfrak {P}}137, P.Oxy. LXXXIII 5345, do evangelho de Marcos, possivelmente o mais antigo até então encontrado.

Trata-se de um fragmento encontrado em 1903 em Oxyrhynchus, mas somente publicado em 2018. Contém trechos de Marcos 1:7-9; 1:16-18 em ambos lados da folha (frente e verso), indicando ser originalmente parte de um códice.

É datado do final do século II ou III.

Foi foco de uma controvérsia nos anos 2010 quando especulou-se que seria datado do século I e supostamente estaria sendo vendido para o Museu da Bíblia de Washington.

Papiro 967

Papiro 967 é um códice da versão Old Greek (Septuaginta) dos livros de Ezequiel, Daniel e Ester, escrito por volta de 200 d.C.

A descoberta do papiro foi anunciada no New York Times em 1931, mas os detalhes da descoberta e proveniência não são claras. Supõe-se que foi encontrado em Afroditópolis.

É composto por 59 folhas, o que corresponde a 118 folhas abertas ou 236 páginas. Um lado mede aproximadamente 344 × 128 mm. As páginas são escritas em uma coluna com uma média de 42 linhas em uma escrita uncial quadrada.

O escriba de Ezequiel difere de Daniel e Ester pode ser identificado. Várias correções pelo escriba e mãos posteriores são inseridas. O texto contém nomina sacra, bem como sinais de texto crítico para indicar as leituras de acordo com Theodotion.

O colofão no final do livro de Daniel deseja: “Paz para quem escreveu e para quem lê”.

O livro de Daniel já continha uma divisão de capítulos em letras gregas. Esses números, inseridos como subscriptio, não foram acrescentados posteriormente, mas já estavam presentes no texto original.

Papiros de Hermópolis

Os papiros aramaicos de Hermópolis (Ashmunein, Egito), similares e contemporâneos aos papiros de Elefantina, são cartas enviadas de Mênfis para parentes ou amigos em Assuã e Luxor, bem como documentos.

A cidade de Hermópolis estava localizada na margem oeste do Nilo, no Alto Egito, do outro lado do rio de Antinoópolis, uma cidade fundada em d.C. 130 por Adriano em homenagem ao seu jovem amigo Antinoos, que se afogou em circunstâncias misteriosas em uma viagem pelo Nilo com o imperador.

Oito papiros aramaicos datam do final do século VI ou início do século V aC. encontrados em 1945 no templo Ibis durante as escavações de Sami Gabra. Foram publicados em 1966 por Edda Bresciani e Murad Kamil da Universidade do Cairo, instituição que mantém os papiros.

A maior parte dos papiros encontram-se na Berliner griechische Urkunden (Berlin Collection, a coleção de Berlim). Esses, cerca de 80 foram publicados.

BIBLIOGRAFIFA

Herwig Maehler, Urkunden aus Hermupolis (BGU XIX). Archiv für Papyrusforschung und verwandte Gebiete, 19. München/Leipzig: K.G. Saur, 2005.

Crosby-Schøyen Codex

O Crosby-Schøyen Codex é um dos mais antigos códice existentes, oriundo do Egito.

É datado de cerca de 250, o que indica a ampla adoção do formato de códice para os livros dos primeiros cristãos a partir do século III.

O volume de papiros encadernado foi escrito no dialeto saídico da língua copta de Alexandria, Egito. O Códice consiste em 52 folhas, das quais 16 estão faltando. Em média, cada página mede 15×15 cm e constam 2 colunas de 11 -18 linhas de texto em escrita uncial copta.

O Crosby-Schøyen Codex é contado entre a coleção dos papiros Bodmer, no entando, foi descoberto por camponeses egípcios em 1952, a 12 km a leste do sítio de Nag Hammadi. Pertence à coleção dos papéis de Dishna, que contém 38 livros (rolos e códices). Talvez pertencesse à biblioteca do Mosteiro de São Pacômio.

O códice representa o texto completo mais antigo conhecido de dois livros da Bíblia, Jonas e 1 Pedro. Contém, adicionalmente, a relação dos Mártires Judeus (2 Macabeus 5:27 – 7:41), um texto de Melito de Sardes (Peri Pascha 47 – 105) uma Homilia para a manhã de Páscoa, talvez o mais antigo sermão encontrado.

SAIBA MAIS

https://www.schoyencollection.com/bible-collection-foreword/coptic-bible/crosby-schoyen-codex-ms-193

Papiros de Wadi Daliyeh

Os papiro de Wadi Daliyeh, datados entre 375 a 335 a.C. são 18 documentos parcialmente legíveis, além de 128 selos e bulas de argila, oriundos de Samaria no período Persa.

Demostra a formação de um governo hereditário na Samaria. A maioria consiste de documentos de venda de escravos, além de um contrato de empréstimo, um processo civil, e outros contratos.

Descobertos em 1962 na caverna de Abu Shinjeh, junto de ossos de 205 indivíduos, possivelmente de samaritanos fugitivos das represálias de Alexandre, o Grande, depois do assassinato de seu sátrapa Andrômaco.

Vários selos contém a fórmula “[Yesha’]yahu filho de [San]balate, Governador de Samaria”.

Esses achados corroboram a (confusa) narrativa de Flávio Josefo sobre o santuário dos samaritanos (História dos Hebreus 11.302–312; 11.321–325). Outra contribuição é que atesta haver um governador de Samaria chamado Sanbalate no século V a.C..

Papiros de Karanis

Karanis foi um assentamento greco-romano em Fayum, Egito. A missão arqueológica da Universidade de Michigan escavou no local de 1924 a 1935, recuperando papiros documentais e literários.

Uma das principais figuras ligadas a essa missão arqueológica foi David Askren (1875-1939). Askren foi um médico missionário presbiteriano que se instalou no norte do Egito em 1899. Por tratar de trabalhadores rurais egípcios, soube da prática de os camponeses escavarem ruínas em busca de fertilizantes. Askren acabou desenvolvendo relacionamentos com trabalhadores e negociantes egípcios locais e se tornou um canal para a venda de manuscritos.

Obteve materiais que agora estão no Smithsonian, Universidade de Columbia, Princeton, Yale, na Universidade de Michigan, na Biblioteca Pierpont Morgan em Nova York e Luther College em Iowa.

Entre os papiros descobertos em Karanis encontram-se vários fragmentos tanto do Antigo Testamento grego quanto do Novo Testamento.

BIBLIOGRAFIA

Wilfong,  Terry G.; Ferrara, Andrew W. S. Karanis Revealed: Discovering the Past and Present of a Michigan Excavation in Egypt. Kelsey Museum publications, 7. Ann Arbor, MI: Kelsey Museum of Archaeology, 2014.

Nag Hammadi

A Biblioteca de Nag Hammadi é uma coleção de treze códices antigos com mais de cinquenta textos. Foi descoberta acidentalmente por camponeses no Alto Egito em 1945.

Esta descoberta inclui um grande número de “evangelhos gnósticos”. Esses textos traduzidos do grego para o copta, contém cópias ou versões variantes de outros textos da coleção, de modo que existem apenas quarenta e cinco obras distintas, trinta e seis das quais eram previamente desconhecidas.

Os títulos incluem Atos de Pedro e os Doze Apóstolos; Allogenes; Apocalipse de Adão; Apocalipse de James, primeiro; Apocalipse de James, segundo; Apocalipse de Paulo; Apocalipse de Pedro; Apócrifo de Tiago; Apócrifo de João; Asclépio 21–29; Authentikos Logos; Livro de Thomas, o Contender; Conceito de Nosso Grande Poder; Diálogo do Salvador; Discurso no Oitavo e Nono; Eugnostos, o Abençoado e Sofia de Jesus Cristo; Exegese da Alma; Evangelho de Filipe; Evangelho dos egípcios; Evangelho de Tomé; Evangelho da verdade; Hipóstase dos Arcontes; Hypsiphrone; Interpretação do Conhecimento; Epístola de Filipe; Melquizedeque; Sobre a origem do mundo; Paráfrase de Sem; República de Platão; Oração de Ação de Graças; Oração do Apóstolo Paulo; Segundo Tratado do Grande Sete; Frases de Sexto; Ensinamentos de Silvânio; Três Estelas de Sete; Trovão; Mente perfeita; Tratado sobre a Ressurreição; Protenoia Trimórfica; Tratado Tripartido; Exposição Valentiniana; Zostriano.

Papiro

O papiro deriva-se da parte fibrosa de uma planta aquática da família dos juncos que crescia abundantemente nas águas rasas do Nilo, nas proximidades do Delta (Jó 8:11) e no oásis de En-Gedi, próximo do Mar Morto.

Assemelhando-se a um caule de milho, a planta era usada de várias maneiras além da escritas, também como combustível, comida, remédios, roupas, tapetes, velas, cordas e até para mascar.

Na manufatura de “papel”, o caule da planta madura era cortado em seções de cerca de trinta a quarenta centímetros de comprimento. Depois abria cada um deles longitudinalmente e o núcleo da medula era removido e fatiado em tiras muito finas. Essas tiras colocadas longitudinalmente em uma superfície plana sobrepostas umas às outras e todas voltadas para a mesma direção. Em seguida, uma segunda camada era colocada em ângulos retos. As duas camadas eram então pressionadas ou amassadas até formarem um tecido.

Cerca de vinte folhas individuais de papiro poderiam ser unidas ponta a ponta para formar um rolo. A partir desse rolo, os pedaços seriam cortados no tamanho necessário para escrever uma carta, um recibo, escritura ou qualquer outro registro.

O papiro textual mais antigo encontrado é o Diário de Merer ou o Papiro Jarf. Este registro das atividades de um grupo construtores foi descoberto em 2013. É datado do reinado do faraó Khufu (2589 e 2566 a.C.).

Na Idade do Ferro o papiro começou a ser comercializado em larga escala pelo Mediterrâneo. É notória a relação mercantil entre o Egito e a Fenícia no século XI a.C., como registrada na Jornada de Wen-Amon à Fenícia. Nessa mesma época, o Faraó Smendes (1076–1052) enviou 500 rolos de papiro ao rei de Byblos. Byblos se tornou o centro comercial e o próprio termo byblon passou a se referir ao volume ou rolo de papiro em língua grega.

O papiro não é muito durável quanto o pergaminho. Em média duravam, com um cuidadoso manuseio, por uns 30 anos. Contudo, as areias secas do Egito provaram ser ambientes propícios para sua preservação.

Em 1778 houve uma redescoberta dos papiros do Egito. A procura por papiros antigos foi estimulada pela expedição de Napoleão.

Em 1877 começaram as tentativas de reprodução das técnicas de fabricação, sendo produzido na Sicília. Nesse mesmo ano ocorreu a descoberta dos papiros de Fayum, o primeiro grande achado de uma coleção de papiros. Levado à Áustria, essa coleação estimulou a pesquisa entre investigadores de língua alemã, dentre eles Ulrich Wilcken, um dos fundadores da papirologia como disciplina.

As escavações de Flinders Petrie encontrou o Papiro Petrie I em 1891, ano quando também foi publicada a Constituição dos Atenienses, de Aristóteles, a partir de dois papiros (um encontrado em Fayum em 1879, outro apareceu no mercado egípcio em 190).

O termo “papirologista” foi cunhado em 1896. O material frágil, seu caráter fragmentário, múltiplas línguas fizeram da papirologia uma ciência histórica complexa, extremente importante e demandando extensivo trabalho.

Entre 1896 e 1906 os estudiosos P.B, Grenfell e A.S Hunt de Oxford foram procurar em sítios arqueológicos e depósitos de lixo no Egito restos de papiros. Consolidou-se com eles a papirologia como ciência especializada.

A classificação dos papiros pela papirologia em tipos documentais (datados, com poucas cópias, fins de produzir provas ou lembrança factual, como as cartas) e literários (sem datas, exceto em colofões; para fins religiosos, artísticos, com cópias reproduzidas com maior frequência) é útil para outras estudos bíblicos.

Os principais sítios arqueológicos onde foram encontrados papiros são:

  • Oxyrhynchus
  • Hermópolis
  • Aphroditopolis
  • Panopolis (Akhmim)
  • Elefantina
  • Nag-Hammadi
  • Geniza do Cairo
  • Monastério de Santa Catarina
  • Arqueólogos canadenses escavam 2000 rolos de papiros em Kellis, Ismant el-Kharab, próximo ao oásis de Dakhla, Egito ocidental.(1998).

SAIBA MAIS

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