Papiros Rylands

Os Papiros Rylands são uma coleção de milhares de fragmentos de papiros e documentos do norte da África e da Grécia, guardados pela Biblioteca da Universidade John Rylands, em Manchester. É uma das maiores coleções de papiros e uma com exemplares mais antigos de alguns títulos.

Os Papiros Rylands inclui textos religiosos, devocionais, literários e administrativos. A coleção consiste de papiros hieróglifos, hieráticos e demóticos datam do século XIV aC ao século II dC. Além deles, cerca de 500 papiros coptas e cerca de 800 papiros árabes. Há cerca de 2.000 papiros gregos.

Contém fragmentos do Evangelho de João e Deuteronômio, os primeiros fragmentos sobreviventes do Novo Testamento e da Septuaginta (Papiro 957, Papiro Rylands iii.458); Papiro 31, um fragmento da Epístola aos Romanos; Papiro 32, um fragmento da Epístola a Tito; Papyrus Rylands 463, Evangelho apócrifo de Maria em grego; John Rylands Papyrus 470, uma oração em grego koiné para Maria (tratada como Theotokos), escrita por volta de 250.

Papiros Chester Beatty

Os Papiros Chester Beatty são um grupo de manuscritos gregos e egípcios.

Os Papiros Bíblicos Chester Beatty são onze manuscritos, sete com porções de livros do Antigo Testamento, três do Novo Testamento e um com partes do Livro de Enoque e uma homilia cristã. A maioria é datada do século III d.C..

Dentre os papiros não bíblicos, destaca-se o Chester Beatty Medical Papyrus. Este é um dos papiros médicos mais antigos que existente. Prescreve mágicas e tratamentos contra dores de cabeça e remédios para doenças anorretais. Sua data é de cerca de 1200 aC.

Os papiros possuem proveniência desconhecida. Um relato traça a origem dos manuscritos a jarros em um cemitério copta perto das ruínas da cidade de Afroditópolis. Outro possível local Fayum. A maioria dos papiros foi comprada de um negociante por Alfred Chester Beatty. Eles estão em parte na Biblioteca Chester Beatty em Dublin, Irlanda, e na Universidade de Michigan.

A existência dessa coleção foi publicizada em 1931.

Papiros de Afrodito

Os papiros ou arquivo de Afrodito são uma coleção de documentos e obras literárias encontradas na vila de Afrodito (Kom Ashkaw), uma das várias cidades conhecidas como Afroditópolis. Frequentemente é confundida com os papiros de Afronditópolis, cerca de 40 km ao sul de Afrodito.

O chamado Afrodito era Flávio Dióscoro ou Dióscoro de Afrodito um poeta e jurista cristão copta de expressão grega. Era administrador da vila e seu arquivo documentos legais, rascunhos, poemas, petições em nome de seus cidadãos.

Os papiros de Dióscoro foram descobertos acidentalmente em julho de 1905 na vila de Kom Ashkaw. Um morador estava reformando sua casa quando uma parede desabou e revelou rolos e fragmentos de papiro em uma fenda. Quando o Serviço de Antiguidades chegou ao local, a maior parte do papiro havia sumido. Durante as escavações encontraram um grande jarro cheio de papiro em uma casa de estilo romano, com fragmentos de comédia ateniense, incluindo fragmentos de Menandro, da Ilíada de Homero e outras obras.

O escavador Gustave Lefebvre desenterrou um arquivo de documentos legais, comerciais e pessoais do século VI e poesia original. Estes foram entregues a estudioso Jean Maspero, filho do Diretor do Serviço de Antiguidades do Egito, que editou e publicou os documentos e poemas em vários artigos de periódicos. Maspero foi morto na batalha de Vauquois, no Lorraine, durante a Primeira Guerra Mundial, e seu pai Gaston completou o terceiro volume dos papiros dioscorianos em 1916. Outros papiros dioscorianos, obtidos por negociantes de antiguidades por meio de vendas e escavações clandestinas, foram publicados na Europa.

Papiros de Akhmim

Akhmim, Panópolis em grego, é uma cidade do Alto Egito onde houve vários monastérios. Foi local de descoberta de vários manuscritos em tumbas de monges.

A região teve residentes célebres, como Shenouda, o Arquimandrita (348-466) e Nestório, o ex-patriarca de Constantinopla. Outro notório residente, Nonnus, um poeta grecorromano, nasceu na cidade. Ele teria composto uma Dyonysica (c.470) e depois convertido ao cristianismo e composto uma versão poética do evangelho de João.

As escavações em Akhmim em 1886 por uma missão arqueológica francesa liderada Sylvain Grébant revelaram numerosos manuscritos cristãos. Entre os achados estão os fragmentos do Livro de Enoque, do Evangelho de Pedro, o Apocalipse Copta de Pedro, Martírio de São Julião, os Atos do Concílio de Éfeso, bem como numerosas outras inscrições cristãs. A maior parte data dos séculos VIII ou IX d.C.

P. Cair. 1075 é o códice, hoje de local incerto, de 33 folhas que continha o Livro de Enoque, do Evangelho de Pedro, o Apocalipse Copta de Pedro e o Martírio de São Julião.

Nag Hammadi

A Biblioteca de Nag Hammadi é uma coleção de treze códices antigos com mais de cinquenta textos. Foi descoberta acidentalmente por camponeses no Alto Egito em 1945.

Esta descoberta inclui um grande número de “evangelhos gnósticos”. Esses textos traduzidos do grego para o copta, contém cópias ou versões variantes de outros textos da coleção, de modo que existem apenas quarenta e cinco obras distintas, trinta e seis das quais eram previamente desconhecidas.

Os títulos incluem Atos de Pedro e os Doze Apóstolos; Allogenes; Apocalipse de Adão; Apocalipse de James, primeiro; Apocalipse de James, segundo; Apocalipse de Paulo; Apocalipse de Pedro; Apócrifo de Tiago; Apócrifo de João; Asclépio 21–29; Authentikos Logos; Livro de Thomas, o Contender; Conceito de Nosso Grande Poder; Diálogo do Salvador; Discurso no Oitavo e Nono; Eugnostos, o Abençoado e Sofia de Jesus Cristo; Exegese da Alma; Evangelho de Filipe; Evangelho dos egípcios; Evangelho de Tomé; Evangelho da verdade; Hipóstase dos Arcontes; Hypsiphrone; Interpretação do Conhecimento; Epístola de Filipe; Melquizedeque; Sobre a origem do mundo; Paráfrase de Sem; República de Platão; Oração de Ação de Graças; Oração do Apóstolo Paulo; Segundo Tratado do Grande Sete; Frases de Sexto; Ensinamentos de Silvânio; Três Estelas de Sete; Trovão; Mente perfeita; Tratado sobre a Ressurreição; Protenoia Trimórfica; Tratado Tripartido; Exposição Valentiniana; Zostriano.

Papiro

O papiro deriva-se da parte fibrosa de uma planta aquática da família dos juncos que crescia abundantemente nas águas rasas do Nilo, nas proximidades do Delta (Jó 8:11) e no oásis de En-Gedi, próximo do Mar Morto.

Assemelhando-se a um caule de milho, a planta era usada de várias maneiras. Além da escrita também servia como combustível, comida, remédios, roupas, tapetes, velas, cordas e até para mascar.

Na manufatura de “papel” de papiro, o caule da planta madura era cortado em seções de cerca de trinta a quarenta centímetros de comprimento. Depois, abria-se cada um deles longitudinalmente e o núcleo da medula era removido e fatiado em tiras muito finas. Essas tiras colocadas longitudinalmente em uma superfície plana sobrepostas umas às outras e todas voltadas para a mesma direção. Em seguida, uma segunda camada era colocada em ângulos retos. As duas camadas eram então pressionadas ou amassadas até formarem um tecido. Uma pedra servia para polir, amaciar e aplainar as faces do papiro.

Cerca de vinte folhas individuais de papiro poderiam ser unidas ponta a ponta para formar um rolo. A partir desse rolo, os pedaços seriam cortados no tamanho necessário para escrever uma carta, um recibo, escritura ou qualquer outro registro.

O papiro textual mais antigo encontrado é o Diário de Merer ou o Papiro Jarf. Este registro das atividades de um grupo construtores foi descoberto em 2013. É datado do reinado do faraó Khufu (2589 e 2566 a.C.).

Na Idade do Ferro o papiro começou a ser comercializado em larga escala pelo Mediterrâneo. É notória a relação mercantil entre o Egito e a Fenícia no século XI a.C., como registrada na Jornada de Wen-Amon à Fenícia. Nessa mesma época, o Faraó Smendes (1076–1052) enviou 500 rolos de papiro ao rei de Byblos. Byblos se tornou o centro comercial e o próprio termo byblon passou a se referir ao volume ou rolo de papiro em língua grega.

O papiro não é taõ durável quanto o pergaminho. Em média duravam, com um cuidadoso manuseio, por uns 30 anos. Contudo, as areias secas do Egito provaram ser ambientes propícios para sua preservação.

Em 1778 houve uma redescoberta dos papiros do Egito pelos europeus. A procura por papiros antigos foi estimulada pela expedição de Napoleão.

Em 1877 começaram as tentativas de reprodução das técnicas de fabricação, sendo produzido na Sicília. Nesse mesmo ano ocorreu a descoberta dos papiros de Fayum, o primeiro grande achado de uma coleção de papiros. Levado à Áustria, essa coleção estimulou a pesquisa entre investigadores de língua alemã, dentre eles Ulrich Wilcken, um dos fundadores da papirologia como disciplina.

As escavações de Flinders Petrie encontraram o Papiro Petrie I em 1891, ano quando também foi publicada a Constituição dos Atenienses, de Aristóteles, a partir de dois papiros (um encontrado em Fayum em 1879, outro apareceu no mercado egípcio em 190).

O termo “papirologista” foi cunhado em 1896. O material frágil, seu caráter fragmentário, múltiplas línguas fizeram da papirologia uma ciência histórica complexa, extremente importante e demandando extensivo trabalho.

Entre 1896 e 1906 os estudiosos P.B. Grenfell e A. S. Hunt de Oxford foram procurar em sítios arqueológicos e depósitos de lixo no Egito restos de papiros. Consolidou-se com eles a papirologia como ciência especializada.

A classificação dos papiros pela papirologia em tipos documentais (datados, com poucas cópias, fins de produzir provas ou lembrança factual, como as cartas) e literários (sem datas, exceto em colofões; para fins religiosos, artísticos, com cópias reproduzidas com maior frequência) é útil para outras estudos bíblicos.

Os principais sítios arqueológicos onde foram encontrados papiros são:

SAIBA MAIS

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Lista das coleções de papiros

Refêrencias em papirologia

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