Epístolas de Inácio

Inácio de Antioquia (?35-117?) teria sido o segundo ou talvez o terceiro bispo de Antioquia na Síria.

Intimado a comparecer e ser executado em Roma, durante sua jornada teria escrito cartas a igrejas e conhecidos cristãos. Muito pouco se sabe sobre ele além das informações contidas nas cartas. Um total de quinze cartas foram supostamente escritas por Inácio, mas somente sete poderiam conter material legítimo. Mesmo assim, essas sete cartas existem em recensões curtas e em versões maiores, indicando que houve interpolações acrescidas durante a transmissão textual.

As sete epístolas seriam destinadas às igrejas de Éfeso, Magnésia, Tralles, Roma, Filadélfia e Esmirna. A última seria destinada a Policarpo, o bispo de Esmirna, o responsável pela difusão do conjunto.

Contém advertências contra falsos ensinos e apelos à unidade. O autor encoraja a continuarem na caminhada cristã, reconhecerem a autoridade dos bispos e a manter-se longe da heresia.

Outra obra da córpora ignaciana é o Martyrium Ignatii. Sobrevive em manuscritos tardios. Relata os eventos da morte de Inácio. A autoria reivindicada é de um diácono de Tarso.

Segundo Clemente

2 Clemente é um breve sermão sobre Is 54:1. É uma obra anônima, dos meados do século II d.C.

Uma tradição posterior atribui esse documento a Clemente de Roma. Encoraja os cristãos à perseverança e arrependimento para que possam desfrutar da vida eterna na ressurreição.

Primeiro Clemente

A epístola anônima chamada Primeiro Clemente é uma carta dos cristãos em Roma aos crentes em Corinto.

Com data estimada entre 95-96 d.C., é um dos primeiros documentos cristãos fora do Novo Testamento. São 65 capítulos, muitas vezes incoerentes.

Oferece uma visão mais positiva do governo e sociedade romana. Busca reconciliar divergências na Igreja de Corinto.

Uma tradição antiga identifica sua autoria sendo de Clemente, embora não seja claro quem seja esse Clemente. Talvez seja o mesmo Clemente mencionado na obra O Pastor de Hermas. No século IV Eusébio identifica-o como o terceiro bispo de Roma, mas é improvável, visto que o ofício de bispo monárquico não existia em Roma nessa época. É associada com outro documento, a homília chamada de Segundo Clemente, e a literatura pseudo-clementina, mas as evidências apontam serem de autoria distintas.

Aparece usada como Escrituras por Irineu, Clemente de Alexandria e Dídimo, o Cego, no Códice Alexandrino, bem como em traduções em latim, siríaco e copta. Apesar de sua popularidade, poucos manuscritos sobreviveram. Somente em 1873 uma cópia completa do texto foi descoberta por Bryennios no códice Hierosolymitanus (datado de 1056), que também inclui 2 Clemente, Epístola de Barnabé e Didaquê. Uma cópia sobrevive no Codex Alexandrinus.

BIBLIOGRAFIA

Gregory, Andrew. “I Clement: An Introduction.” The Expository Times 117.6 (2006): 223-230.

Didaquê

Didaquê ou Didachê do grego διδαχń, “ensino”, “doutrina”, “instrução” é um livro anônimo cristão primitivo, integrante da literatura patrística.

Redigido em grego koiné, é datado por volta do ano 100, provavelmente originário da Judeia ou na Síria. A obra esteve perdida e o manuscrito foi redescoberto em 1873 pelo bispo ortodoxo grego Philotheos Bryennios, publicado dez anos depois.

Trata-se de uma literatura moral. Ensina os dois caminhos: o caminho da vida e o caminho da morte. É uma fonte valiosa a respeito do batismo, jejum, oração e santa ceia. Discorre sobre a vida da igreja, como receber apóstolos e profetas itinerantes, como celebrar o culto e escolher bispos e diáconos. Finaliza com um texto escatológico e pede vigilância quanto ao retorno de Cristo.

Didaquê 8:2 contém uma versão do Pai Nosso. Seria ou a mais antiga menção do Evangelho de Mateus 6:9-13 ou um testemunho da circulação paralela de fontes orais ou escritas.

Na época de sua composição as igrejas não parecem ter uma hierarquia mais elaborada (ofícios permentes e distintos de bispos monárquicos e presbíteros). Adicionalmente, o autor de Didaquê aparante não ter nenhum conhecimento dos escritos paulinos.

Clemente de Alexandria e Dídimo, o cego, trataram o Didaquê como escrituras.

Odes de Salomão

As Odes de Salomão são uma antologia de 42 poemas ou hinos. A autoria pseudoepígrafa é atribuída a Salomão, mas se trata de poemas compostos entre a queda de Jerusalém e o final do século II em aramaico ou siríaco.

Provavelmente, foi a mais antiga coletânea de hinos utilizada no culto cristão. Apesar disso, a origem dessa coletânea permanece desconhecida. É possível que seja de origem judaica, cristã, judeu-cristã ou gnóstica. Aparentemente, Inácio de Antioquia (m.110 d.C.) teria citado a obra, o que situa sua origem nos primórdios da era cristã.

Há muitas semelhanças temáticas com a literatura joanina. No entanto, não há menção inequívoca sobre Jesus. Esposa uma teologia do Logos e faz referências abundantes à Sabedoria.