Cânone vicentino

Cânon Vicentino é um triplo teste de catolicidade (universalidade de sã doutrina para o cristianismo) estabelecido pelo autor patrístico Vicente de Lérins (séc. V d.C.). É sumarizado pelo seguinte aforismo:

“Aquilo que é acreditado em toda parte, sempre e por todos”.

Somente as doutrinas e tradições que passarem pelo crivo desse triplo teste de ecumenicidade, antiguidade e consentimento, deveria ser aceito.

Justino Mártir

Justino (c. 100-165 dC) foi um apologista cristão durante o reinado de Antonino Pio. Morreu como mártir em Roma após sua condenação como um cristão, quando apresentou uma apologia pela fé cristã. Foi um dos primeiros filósofos cristãos.

No início de sua primeira apologia, informa que nasceu em Flavia Neapolis (a antiga Siquém em Samaria) de pais seguidores das religiões greco-romanas.

Embora vivesse em ambiente samaritano, não se interessou pela religião mosaica. Lista familiariedade com sete seitas judaicas (Trifo 80. 4). Depois de desapontar com a filosofia (Trifo 3) se converteu ao Cristianismo. Conhecia os estóicos e os platônicos dada sua educação em Éfeso.

Converteu-se ao cristianismo por volta do ano 130 e abriu uma pequena escola em Roma, onde escreveu suas Duas Apologias. Na primeira, escrita em c.155 defende o cristianismo contra a calúnia popular e o desprezo intelectual. Na segunda, escrita em c.162, responde à perseguição.

O aluno de Justino, Taciano, atribui sua morte à informação dada por Crescente, um rival cínico (Oratio 19).

Seu Diálogo com Trifo é a primeira grande obra da tipologia cristã, também um registro do embate entre o cristianismo e do nascente judaísmo rabínico. Nela, elabora sua doutrina do Logos, que, como Cristo, esteve presente em muitas epifanias do Antigo Testamento e garante a unidade da inspiração das escrituras. Por vezes, sua interpretação tipológica não faz jus ao texto citado. Acabou por influenciar o modo de recepção cristã do Antigo Testamento até o advento da exegese crítica.

Primeira e Segunda Apologias: argumenta que um ‘logos espermático’, idêntico a Cristo, instrui todo homem em sabedoria até mesmo os filósofos não cristãos prefiguraram a revelação de Cristo. Tenta demonstrar a lealdade dos cristãos às autoridades civis.

Justino menciona as “memórias” dos apóstolos as quais seriam chamadas de “evangelhos”. Seus escritos atestam que os quatros evangelhos estavam em uso e também alude ao Apocalipse. Notoriamente, não menciona Paulo ou seus escritos.

Didascalia

Didascalia apostolorum (ensino dos apóstolos) é um compilado normativo cristão.

É uma obra pseudoepígrafa, pois se apresenta como escrita pelos Doze Apóstolos na época do Concílio de Jerusalém. No entanto, a composição é do século III, possivelmente da Síria.

O Didascalia foi claramente modelado no Didaquê. Inspirou outros documentos como as Constituições Apostólicas, além de suas traduções para o latim e siríaco.

Registra tensões entre cristãos gentios e judeus cristãos. Aconselha sobre a vida cristã, martírio e cuidado dos órfãos. Normatiza as funções dos bispos e diáconos — indicando uma transição hierárquica para as igrejas, mas sem ainda distinguir claramente entre presbítero e bispo.

Faz a mais antiga menção de edifícios para culto. Admoestra a educação das crianças e alerta contra heresias. Doutrinariamente, demanda que os cristãos sejam trinitarianos, empreguem as Escrituras como dotadas de autoridade, creiam na ressurreição. Divide partes da lei a serem observadas (os dez mandamentos).

O autor aparenta desaprovar que as mulheres tenha liberdade para falar no culto, evangelizar, engajar-se no ministério e celebrar batismos. Isso permite inferir que nessa época tais papéis eram exercido por mulheres.

Atos de Paulo

Os Atos de Paulo é uma coleção de literatura patrística e apócrifa relacionada com a vida de Paulo.

Escrito na segunda metade do segundo século, provavelmente na Ásia Menor, como atesta Tertuliano (Sobre o Batismo. 17.5). São mencionados por Eusébio como um antilegômeno (Hist. Ecl. 3.25.4). Aparece no obelus perto o fim da lista no Codex Claromontanus. Epifânio não o elenca em suas diversas listas de cânon, mas referencia os Atos de Paulo e Tecla como Escrituras (Pan. 77.27.7).

Os Atos de Paulo é uma obra composta que incorpora três escritos que também circularam independentemente:

  1. os Atos de Paulo e Tecla Atos de Paulo 3-4;
  2. Correspondência entre Paulo e a igreja de Corinto ou 3 Coríntios Atos de Paulo 8 ou 10;
  3. Martírio de Paulo. Atos de Paulo 11 ou 14.