Teologia ectipal

A teologia ectipal, um conceito na teologia reformada, refere-se ao conhecimento análogo e derivado de Deus que é estabelecido por Ele para a humanidade.

Diferente do conhecimento “arquetipal” (o conhecimento pleno e inerrante que Deus tem de Si mesmo), o conhecimento ectipal é uma comunicação da verdade divina que é acomodada à nossa compreensão humana, finita e pecaminosa. Essencialmente, é a maneira como Deus se revela a nós, adaptando Sua verdade infinita e complexa às nossas capacidades cognitivas limitadas, por meio de Sua Palavra revelada e de Sua providência.

Essa acomodação não implica que o conhecimento ectipal seja menos verdadeiro ou confiável; pelo contrário, ele é verdadeiro e suficiente para a salvação e para o viver piedoso, pois é o próprio Deus que o comunica. Ele nos permite ter um conhecimento genuíno de Deus, embora não exaustivo. A teologia ectipal reconhece que a linguagem humana, as categorias de pensamento e as experiências são moldadas por nossa finitude, e Deus, em Sua graça, utiliza esses meios para se relacionar conosco.

Em termos práticos, a teologia ectipal se manifesta nas Escrituras. A Bíblia seria a forma principal pela qual Deus revela Seu conhecimento ectipal. Os textos bíblicos usam linguagem humana, metáforas, narrativas e conceitos acessíveis para nos ensinar sobre a natureza de Deus, Seus atributos, Seus propósitos e Seus mandamentos. A revelação natural, por meio da criação, também oferece um conhecimento ectipal de Deus, embora de forma mais geral.

Este conceito serve para ressaltar tanto a transcendência de Deus (Seu conhecimento arquetipal é inatingível para nós em sua totalidade) quanto Sua imanência e graça (Ele escolhe se comunicar conosco de forma compreensível). Ao mesmo tempo, ele estabelece uma humildade epistemológica no estudo da teologia, reconhecendo que nossa compreensão de Deus é sempre parcial e mediada. A teologia ectipal, portanto, orienta o estudo bíblico e teológico a buscar a verdade revelada com reverência, sabendo que estamos lidando com um conhecimento divino que nos foi graciosamente concedido de uma forma que podemos apreender e que é, ao mesmo tempo, fiel à natureza inefável de Deus.

Método de Correlação

O método de correlação, desenvolvido pelo teólogo Paul Tillich, é uma metodologia de produzir análises e raciocínios teológicos. Em suma, esse método busca explicar os conteúdos da fé cristã explorando a interdependência entre perguntas existenciais e respostas teológicas.

A abordagem de Tillich foi fundamentada na necessidade de um método teológico que permanecesse fiel à essência da mensagem cristã enquanto dialogava com expressões contemporâneas e questionamentos existenciais. Esse método, frequentemente considerado uma marca da teologia sistemática de Tillich, visava estabelecer uma ponte entre a fé cristã atemporal e as preocupações sempre presentes da humanidade.

As pressuposições de Tillich o levaram a propor o método de correlação, que determinou toda a estrutura e forma de sua abordagem teológica. A importância dessa abordagem reside em sua rejeição consciente de três alternativas inadequadas, conforme percebidas por Tillich.

A primeira alternativa, denominada “supranaturalista” ou “sobrenaturalista” seria sinônimo de uma teologia do alto e é comumente seguida por muitos teólogos protestantes. Segundo Tillich, essa abordagem é inadequada porque negligencia as perguntas e preocupações prementes dos seres humanos, a “situação” em que se encontram. A perspectiva supranaturalista espera que a Palavra de Deus crie a possibilidade de compreender e aceitar sua verdade sem considerar suficientemente o contexto existencial dos destinatários.

Para Tillich, a inadequação dessa abordagem reside em seu desrespeito pelas perguntas que os seres humanos realmente fazem. Enfatiza que “o homem não pode receber respostas para perguntas que ele nunca fez”. Essa rejeição da postura supranaturalista desafia tanto o fundamentalismo quanto a neo-ortodoxia de Barth. O argumento de Tillich sustenta que as perguntas certas, cruciais para compreender e aceitar a mensagem cristã, estão inherentemente presentes na experiência humana.

O teólogo também rejeita métodos humanistas ou naturalistas, fundados na confiança da razão. Ademais, rejeita os métodos dualistas ou dialéticos, como o tomismo.

Tillich ilustra o método de correlação usando o exemplo de “Deus”. Deus, neste contexto, representa a resposta à questão implícita na finitude humana. Dentro da teologia sistemática, Deus é retratado como o poder infinito do ser resistindo à ameaça do não-ser, correlacionando-se com os desafios existenciais inerentes à existência humana.

A teologia sistemática, seguindo este método, analisa a natureza da razão humana sob condições existenciais, revelando uma busca pela revelação. A revelação divina é então interpretada como a resposta às questões levantadas pela razão. Este padrão continua por toda a teologia, onde cada resposta deriva sua forma da pergunta e seu conteúdo da revelação. O método de correlação de Tillich permanece, portanto, uma contribuição profunda e duradoura para a teologia, unindo a mensagem cristã atemporal às preocupações existenciais contemporâneas da humanidade.

Portanto, o método de correlação serve como uma ponte entre as verdades eternas do cristianismo e a realidade vivida pelos indivíduos. A ênfase de Tillich em se envolver com perguntas existenciais reflete um compromisso com uma teologia que não está desconectada das preocupações da humanidade. Ao rejeitar alternativas inadequadas, buscou desenvolver um método que ressoasse com a profundidade da experiência humana, mantendo-se fiel aos princípios fundamentais da fé cristã.

Artigos de Fé

Artigos de Fé refere-se a proposições fundamentais, básicas ou fundamentais da fé cristã.

A partir do século XI, a expressão “artigo de fé” passou a ser usada como proposição lógica (sententiae) das crenças contidas ou inferidas a partir do credo apostólico pela escolástica. Tomás de Aquino usava o termo “artigos de fé” no sentido de dogma. No protestantismo os artigos de fé são declarações sucintas de crença comum. Normalmente, aparecem como títulos para confissões ou declarações de fé, como os doze “Pontos de doutrina e da fé que uma vez foi dada aos santos”.

BIBLIOGRAFIA

McGrath, Alister. Historical Theology. An Introduction to the History of Christian Thought, Blackwell, Oxford 1998.

Schneider, Theodor, ed. Manual de dogmática. Ed. Vozes, 2000.

Tomás de Aquino. Summa Theologica I, Q.1, A.8.

Uso e costumes

Uso e costumes são categorias normativas na teologia das Assembleias de Deus brasileiras. Compreendem práticas (práxis), normas de comportamento sobre caracterizações estéticas de masculinidade e de feminidade, regras sobre envolvimento com diversões públicas, mídias e entretenimento.

Similar aos “padrões de santidade” dos pentecostais e movimento holiness americanos, os usos e costumes marcam a identidade assembleiana, integrando sua tradição. Também, seus pontos específicos são controversos, levando a cismas e migração de um ministério a outro.

Há quem distinga entre a hendíade “uso e costumes” e “doutrina”. Uso e costumes seriam regras de crenças e comportamento gradativamente mais fracas ou adiáfora enquanto “doutrinas” seriam regras de crenças e normas de comportamentos vinculantes.

BIBLIOGRAFIA

de Oliveira Souza, Everson. “Usos e costumes e a origem da Assembleia de Deus e de seus usos e costumes.” UNITAS-Revista Eletrônica de Teologia e Ciências das Religiões 5.2 (2017): 676-694.