Ottavio Tasca

Conde Ottavio Tasca (1795 – 1872) foi um reformador, exilado e polígrafo italiano que foi aclamado como poeta nacional em 1848.

Nascido em Bérgamo, Tasca inicialmente expressou apoio ao Papa Pio IX, mas mais tarde aliou-se a liberais como Carlo Cattaneo. Tasca passou oito anos exilado na França (1849-1856), durante os quais visitou Paris e Londres, estabelecendo ligações com personalidades proeminentes da época. Suas experiências no exterior, bem como leituras poliglotas em francês, alemão e inglês, influenciaram a evolução de suas ideias religiosas e políticas.

A vida de Tasca cruzou-se com várias figuras condenadas pelo Index, padres liberais e os chamados padres “Garibaldini” da Lombardia. Simpatizou e correspondeu com Garibaldi, levantando-lhe fundos em Bérgamo e Brescia. As associações e atividades de Tasca frequentemente o envolviam em polêmicas religiosas, especialmente pela sua aversão aos jesuítas.

Seus extensos escritos sobre temas religiosos podem ser divididos em duas categorias: poesia e prosa. Embora sua poesia, publicada de 1831 a 1862, inicialmente tivesse conteúdo apologético, mais tarde tornou-se satírica ou polêmica. Sua prosa, escrita entre 1861 e 1871, aprofundou-se mais diretamente nas questões eclesiásticas. Em 1866 publicou o livreto Inni Cristiani, a maioria era traduções de hinos ingleses.

Em sua pesquisa historiográfica, Tasca afirmou a independência da diocese de Milão da autoridade papal desde meados do século XVI. Também traduziu obras de teólogos alemães e ingleses críticos da Igreja Católica, refletindo a sua postura cada vez mais antipapal. As traduções e escritos de Tasca sugeriam uma simpatia crescente pelos reformadores religiosos e movimentos fora da Itália, como o Movimento de Oxford.

Notavelmente, os escritos posteriores de Tasca sugeriram a possibilidade de cisma religioso. Títulos como “Orações do Soldado” e “Ladaínhas de acordo com o uso da Igreja Católica Italiana Reformada” sugerem um afastamento da corrente principal do catolicismo. Estas obras omitiram referências ao Papa e enfatizaram lealdades nacionais e políticas, indicando uma potencial ruptura com a Igreja Católica e a emergência de um novo movimento religioso.

As ideias de Tasca coincidiram com a agitação religiosa e política mais ampla da época, caracterizada por debates sobre as igrejas nacionais e a relação entre Estado e religião. Embora o seu movimento religioso específico tenha permanecido obscuro e em grande parte confinado aos seus escritos, o trabalho de Tasca prenunciou desenvolvimentos posteriores na dissidência e reforma religiosa na Itália. Ainda que não tenha aderido a nenhuma denominação protestante, sua hinódia e escritos polêmicos influenciaram o evangelismo italiano.

BIBLIOGRAFIA

Cicchitti Suriani. “Uno scismatico lombardo: il conte Ottavio Tasca”. Bollettino della Società di studi Valdesi, LXXVIII (1960), 108, pp. 93-99.

Gallo, B. “Un cattolico riformatore risorgimentale fra Italia e Inghilterra: Ottavio Tasca dalla satira all’innografia”. Archivio storico bergamasco, III (1983), 1, pp. 139-156

Tasca, Ottavio. Tract Independence Of The Church Of Northern Italy. 1863.

https://www.treccani.it/enciclopedia/ottavio-giulio-maria-tasca_(Dizionario-Biografico)

Immanuel Tremellius

Immanuel Tremellius, ou em italiano Giovanni Emmanuele Tremellio (1510 – 1580), foi um judeu italiano convertido ao cristianismo, hebraísta e tradutor bíblico.

Tremellius nasceu em Ferrara, foi educado na Universidade de Pádua e se converteu ao catolicismo por volta de 1540 por influência do Cardeal Reginaldo Pole. Desde sua conversão esteve envolvido com os reformadores italianos, o que o levou a abraçar o protestantismo em 1541.

Tremellius ensinou hebraico em Estrasburgo e mais tarde buscou asilo na Inglaterra devido à Guerra de Esmalcada. Na Inglaterra, residiu no Palácio de Lambeth com o Arcebispo Cranmer e tornou-se professor régio de Hebraico em Cambridge.

Colaborou na tradução da Bíblia com Franciscus Junius e também traduziu o Catecismo de Genebra de João Calvino para o hebraico. Produziu uma gramática “caldaica” e siríaca.

A tradução de Tremellius e Junius do Antigo Testamento para o latim, baseada no texto original hebraico foi monumental. O projeto visava fornecer uma tradução mais precisa do que as traduções anteriores, que muitas vezes dependiam fortemente de versões gregas ou latinas, em vez de nas fontes em hebraico.

Enquanto Tremellius era o hebraísta, Junius era um polímata especialista em latim, direito, filologia e teologia. Junius neste projeto contribuiu com sua habilidade linguística e conhecimento da literatura clássica. O resultado de seus esforços foi uma versão latina que ofereceu maior fidelidade aos textos originais, ao mesmo tempo em que era acessível a leitores versados em latim, mas não necessariamente fluentes em hebraico. A tradução, publicada entre 1579-1586, é considerada uma das conquistas mais significativas nos primeiros estudos bíblicos modernos. Abriu caminho para futuros tradutores e exegetas, demonstrando a importância de retornar ao texto hebraico original ao interpretar as Escrituras. Influenciaria traduções posteriores como a Bíblia Holandesa e a King James Version.

Antonio Brucioli

Antonio Brucioli (1498-1566) humanista, editor e tradutor da Bíblia ao italiano.

Participante do círculo de humanistas de Florença, foi exilado pelos Medici. Viveu em Veneza, onde foi processado pela Inquisição e forçado a viver em prisão domicilar até sua morte.

Em 1530 Bruccioli publicou sua tradução do Novo Testamento. Mais tarde, em 1532, veio a edição de toda a Bíblia. Mas em 1555 sua tradução foi colocada no Índice de Livros Proibidos por Papa Paulo IV. Foi julgado por heresia, condenado e forçado a se retratar, apesar de nunca ter oficialmente deixando o catolicismo.

Sua versão serviu de base para a versão Diodati. Embora reivindique ter traduzido a partir dos originais, parece que utilizou as versões latinas de Sante Pagnini para o Antigo Testamento e de Erasmo para o Novo.

O Benefício de Cristo

O Benefício de Cristo, ou seu título completo no original “Trattato Ultilissimo Del Beneficio Di Geisu Christo Crocifisso”, foi um dos livros de devoção espiritual de grande circulação na Europa do século XVI, além de umas das primeiras obras teológicas da Reforma italiana.

Uma obra anônima que refletia os anseios da Reforma italiana que, entre 1541 e 1548, teve impressas cerca de 40.000 a 80.000 cópias, das quais muito poucas restam, visto que a maioria foi queimada. Depois de alguns anos, o livro foi traduzido para o inglês, francês, croata e castelhano. Foi queimado em Nápoles em 1544, colocado no índice de livros proibidos em 1549 e finalmente proibido pelo nome no Concílio de Trento. Acreditava-se que a obra estivesse completamente perdida até que uma cópia foi redescoberta na Inglaterra no século XIX no St John’s College, Cambridge.

A autoria foi erroneamente atribuída a Aonio Paleario (1503-1570), um mártir da Reforma na Itália. Contudo, registros Inquisição abertos no final do século XIX apotam que um certo Don Benedetto, seja o provável autor.

Em 1567, ao ser torturado, o humanista Pietro Carnesecchi (1508-1567) indicou o possível autor. Carnesecchi disse que o livro foi escrito por um obscuro monge beneditino, Benedetto Fontanini, também conhecido como Benedetto da Mantova (1495-1556). Depois de escrevê-lo, Benedetto passou-o para o poeta Marcantonio Flaminio (1498-1550) para uma revisão literária. Depois de revelar esses nomes, Carnesecchi foi executado.

Benedetto viveu em mosteiros em Mântua e Veneza. Foi o responsável por um mosteiro na Sicília e outro perto de Ferrara. Teria sido influenciado pelo reformador espanhol Juan de Valdes (1498?-1541) e Peter Martyr Vermigli (1499-1562).

Em 1549, foi interrogado sob acusações de heresia, mas foi liberado. Morreu por volta de 1556.

A obra foi fortemente influenciada pelas “Institutas” de João Calvino de 1539e uma teologia agostiniana. Salienta a dependência absoluta do homem em Cristo para a salvação.

SUMÁRIO

CAPÍTULO I. Do pecado original e da miséria do homem.
CAPÍTULO II. Que a lei foi dada por Deus com a intenção de que pudéssemos primeiro conhecer nosso pecado; e então, desconfiando de sermos justificados por nossas próprias obras, podemos correr para a misericórdia de Deus e a justiça da fé.
CAPÍTULO III. Que o perdão dos nossos pecados, nossa justificação e toda a nossa salvação dependem de Cristo.
CAPÍTULO IV. Dos efeitos da fé viva e da unidade ou acordo da alma com Cristo.
CAPÍTULO V. Como o homem cristão se veste ou se veste com Cristo.
CAPÍTULO VI. Certos remédios contra a incredulidade ou descrença.

Girolamo Savonarola

Girolamo Savonarola (1452-1498) foi um frade e pregador dominicano italiano que fez uma tentantiva de reformas radicais na Igreja e sociedade em Florença.

Savonarola acreditava que a Igreja havia se corrompido e que precisava retornar a uma forma mais austera e humilde de cristianismo. Pregou sermões inflamados contra os excessos e a decadência moral da época, pedindo que as pessoas se arrependessem e se afastassem do pecado. Criticou o governo da família governante Medici e seu estilo de vida luxuoso.

A influência de Savonarola em Florença cresceu e ele se tornou o líder de fato da cidade por um tempo. No entanto, suas opiniões intransigentes e métodos duros de impor suas reformas acabaram levando à sua queda. Então seria excomungado pelo Papa e, finalmente, queimado na fogueira por heresia.