Macrina

Macrina, a Jovem (c. 327 – 19 de julho de 379) foi uma teóloga cristã no círculo dos Pais Capadócios, conhecida por sua abnegação e ascetismo. Desempenhou um papel significativo na educação espiritual de sua família.

Macrina veio de uma família rica e recebeu uma educação piedosa. Sua mãe a ensinou a ler usando a Bíblia como livro didático, estabelecendo a base para sua fé profunda. Aos doze anos, Macrina ficou noiva de um advogado, mas a morte repentina do seu noivo levou-a a rejeitar novas propostas de casamento, optando, em vez disso, por dedicar-se inteiramente a Deus.

Macrina desempenhou um papel crucial na vida dos irmãos mais novos. Ela encorajou Basílio, o Grande, a entrar em um mosteiro ao retornar da Universidade de Atenas e apoiou seu irmão Naukratios, que se tornou recluso, mas morreu jovem. Após a morte de Naukratios, Macrina convenceu a sua mãe, Emmélia, a “renunciar ao mundo”, e juntas estabeleceram-se em Amaseia.

Em Amaseia, Macrina e Emélia estabeleceram um mosteiro, onde Macrina mais tarde se tornou abadessa após o falecimento de sua mãe em 372. A devoção de Macrina a uma vida de ascetismo e caridade foi notável. Vendeu os bens valiosos do mosteiro e distribuiu o dinheiro aos pobres. Lendas sobre seus milagres, incluindo a cura de doenças e o fornecimento de alimentos durante a fome, solidificaram ainda mais sua reputação espiritual.

Contribuição Teológica

A influência teológica de Macrina estendeu-se a seu irmão Gregório de Nissa, que escreveu sobre sua vida e suas discussões. Em 379, Basílio, o Grande, que residia num mosteiro próximo, faleceu. Nove meses depois, Macrina também adoeceu gravemente. Durante sua doença, teve uma conversa profunda com seu irmão Gregório sobre a vida após a morte. Este diálogo foi documentado por Gregório em uma obra intitulada “Ta Makrinia” ou “De Anima et Resurrectione” (Sobre a Alma e a Ressurreição).

A vida devota, a dedicação a Deus e as contribuições teológicas de Macrina, o Jovem, deixaram um legado duradouro na tradição cristã primitiva, particularmente no domínio do ascetismo e da contemplação espiritual.

Bibliografia

Gregório de Nissa. Vida de Macrina.
Gregório de Nissa. Ta Makrinia ou De Anima et Resurrectione (Sobre a Alma e a Ressurreição).

Phyllis Trible

Phyllis Trible (1932- ) é uma biblista e teóloga feminista americana. Nasceu em 19 de agosto de 1932, em Evanston, Illinois, Estados Unidos.

A carreira acadêmica de Phyllis Trible começou com um diploma de Bacharel em Artes pelo Meredith College em Raleigh, Carolina do Norte. Prosseguiu seus estudos teológicos no Union Theological Seminary, onde obteve o título de Bacharel em Divindade. Mais tarde, obteve seu Ph.D. em Estudos do Antigo Testamento pela Escola de Teologia de Claremont, Califórnia.

Ao longo de sua carreira, Trible ocupou vários cargos acadêmicos, incluindo cátedras na Andover Newton Theological School, Wake Forest University Divinity School e Union Theological Seminary em Nova York. Focou-se na interpretação bíblica feminista, explorando o papel das mulheres na Bíblia hebraica e defendendo a igualdade de gênero nas tradições religiosas.

O trabalho mais influente de Trible é seu livro Texts of Terror: Literary-Feminist Readings of Biblical Narratives, publicado em 1984. Neste trabalho, examina criticamente várias histórias bíblicas que retratam a violência contra as mulheres. Faz exegese com interpretações feministas que questionam as leituras patriarcais dominantes. Sua análise chama a atenção para as experiências de mulheres marginalizadas nas narrativas bíblicas e destaca suas vozes e perspectivas.

Outras obras notórias incluem God and the Rhetoric of Sexuality, Rhetorical Criticism: Context, Method, and the Book of Jonah, e Depatriarchalizing in Biblical Interpretation.

A pesquisa de Phyllis Trible foi reconhecida com inúmeras homenagens e prêmios. Foi palestrante convidada em universidades e seminários teológicos em todo o mundo e atuou como presidente de várias sociedades acadêmicas proeminentes, incluindo a Sociedade de Literatura Bíblica e a Academia Americana de Religião.



Delores Williams

Delores Williams (nascida em 1937) é teóloga womanista norteamericana.

Williams ocupou a Cátedra Paul Tillich de Teologia e Cultura no Union Theological Seminary em Nova York,onde estudou sob influência de James Cone.

Em seu livro “Sisters in the Wilderness”, Williams aponta que a teologia negra tinha uma perspectiva masculina e percebeu a necessidade de inclusão e reconhecimento das experiências únicas das mulheres negras. Inspirando-se na figura bíblica Hagar, Williams enfatizou a importância de incluir as histórias de indivíduos marginalizados, destacando sua luta pela libertação e encontrando redenção na vida de Jesus, em vez de se concentrar em sua crucificação.

BIBLIOGRAFIA

Williams, Delores. Sisters in the Wilderness: The Challenge of Womanist God-Talk. Maryknoll, NY: Orbis, 2013.

Elizabeth da Boêmia

Elizabeth da Boêmia (1596-1662), ou Elizabeth Stuart, foi uma rainha, pensadora filosófica e teológica teuto-britânica.

Era a filha mais velha do rei Jaime I da Inglaterra e de sua esposa Ana da Dinamarca. Nasceu no Palácio de Dunfermline, na Escócia, e recebeu o nome de sua madrinha, a rainha Elizabeth I da Inglaterra.

Em 1613, Elizabeth casou-se com Frederick V, eleitor palatino, e tornou-se a eleitora palatina. O casal teve 13 filhos, mas seu reinado durou pouco. Em 1619, Frederico foi eleito rei da Boêmia, mas foi derrotado em batalha no ano seguinte pelas forças católicas dos Habsburgos. A família foi forçada a fugir, e Elizabeth e seus filhos ficaram conhecidos como a “Rainha e Rei do Inverno” devido à breve duração de seu reinado.

Elizabeth e sua família viveram no exílio em Haia, onde ela se tornou conhecida por sua inteligência, perspicácia e beleza.

Em 1660, após a Restauração da monarquia inglesa, Elizabeth voltou para a Inglaterra e recebeu uma pensão anual do rei Carlos II, seu sobrinho. Ela viveu em Londres até sua morte em 13 de fevereiro de 1662, aos 65 anos.

A inteligente Elizabeth da Boêmia tinha interesse em filosofia, teologia e ciência. Ela era uma patrona das artes e apoiou vários escritores e artistas durante sua vida. Correspondeu com alguns dos principais pensadores de seu tempo, incluindo René Descartes. Sua produção filosófica e teológica consistiu principalmente em cartas e ensaios, muitos dos quais se perderam com o tempo.

Uma das principais preocupações filosóficas de Elizabeth era a natureza da alma humana e sua relação com o corpo. Em sua correspondência com Descartes, ela desafiou sua visão dualista de mente e corpo, argumentando que deve haver uma conexão integral entre os dois. Também criticou Descartes por sua visão mecanicista do corpo e sua insistência na certeza matemática na investigação filosófica.

Elizabeth também se correspondia com teólogos como Hugo Grotius, John Durie e Samuel Rutherford. Acreditava na importância da fé pessoal e da tolerância religiosa. Em suas cartas a Rutherford, ela defendeu os direitos dos não-conformistas e defendeu uma abordagem mais inclusiva da religião.

Além de seus escritos filosóficos e teológicos, Elizabeth também se interessava pelas ciências. Ela se correspondeu com o astrônomo Johannes Hevelius e ficou fascinada com suas observações dos planetas e estrelas. Ela também apoiou o trabalho do médico William Harvey, conhecido por suas pesquisas inovadoras sobre o sistema circulatório.

Afua Kuma

Afua Kuma ou Christiana Gyane (1908-1987) foi uma teóloga leiga ganense de tradição presbiteriana, católica e pentecostal (Church of Pentecost, CoP).

Afua Kuma cresceu na Igreja Presbiteriana Ganesa, onde seu pai era um ancião. O presbiterianismo ganense é oriundo da Missão de Basel e do Avivamento Continental, valorizando experiências individuais de espiritualidade. Quando se mudou para um lugo não havia uma igreja presbiteriana, então aderiu a uma igreja católica por vários anos. Somente em seus últimos anos viria juntar-se à Igreja de Pentecostes (CoP), onde seu genro era um apóstolo

Entre 1969 e 1979 começou suas exortações públicas. Registradas em fitas de áudio, depois foram transcritas em um livreto com o título Kwaebirentuw ase Yesu: Afua Kuma ayeyi ne mpaebo / Jesus of the Deep Forest: The Prayers and Praises of Afua Kuma. Trata-se de um exemplo da complexidade da teologia oral africana e pentecostal.