Linn Tonstad

Linn Marie Tonstad (nascida em 1978) é uma teóloga americana e professora associada de Teologia, Religião e Sexualidade na Yale Divinity School.

A teologia construtiva de Tonstad situa-se na interseção entre teologia sistemática, teoria queer e feminista, filosofia da religião e método teológico. É autora de “God and Difference: The Trinity, Sexuality, and the Transformation of Finitude” e “Queer Theology: Beyond Apologetics”.

Método de Correlação

O método de correlação, desenvolvido pelo teólogo Paul Tillich, é uma metodologia de produzir análises e raciocínios teológicos. Em suma, esse método busca explicar os conteúdos da fé cristã explorando a interdependência entre perguntas existenciais e respostas teológicas.

A abordagem de Tillich foi fundamentada na necessidade de um método teológico que permanecesse fiel à essência da mensagem cristã enquanto dialogava com expressões contemporâneas e questionamentos existenciais. Esse método, frequentemente considerado uma marca da teologia sistemática de Tillich, visava estabelecer uma ponte entre a fé cristã atemporal e as preocupações sempre presentes da humanidade.

As pressuposições de Tillich o levaram a propor o método de correlação, que determinou toda a estrutura e forma de sua abordagem teológica. A importância dessa abordagem reside em sua rejeição consciente de três alternativas inadequadas, conforme percebidas por Tillich.

A primeira alternativa, denominada “supranaturalista” ou “sobrenaturalista” seria sinônimo de uma teologia do alto e é comumente seguida por muitos teólogos protestantes. Segundo Tillich, essa abordagem é inadequada porque negligencia as perguntas e preocupações prementes dos seres humanos, a “situação” em que se encontram. A perspectiva supranaturalista espera que a Palavra de Deus crie a possibilidade de compreender e aceitar sua verdade sem considerar suficientemente o contexto existencial dos destinatários.

Para Tillich, a inadequação dessa abordagem reside em seu desrespeito pelas perguntas que os seres humanos realmente fazem. Enfatiza que “o homem não pode receber respostas para perguntas que ele nunca fez”. Essa rejeição da postura supranaturalista desafia tanto o fundamentalismo quanto a neo-ortodoxia de Barth. O argumento de Tillich sustenta que as perguntas certas, cruciais para compreender e aceitar a mensagem cristã, estão inherentemente presentes na experiência humana.

O teólogo também rejeita métodos humanistas ou naturalistas, fundados na confiança da razão. Ademais, rejeita os métodos dualistas ou dialéticos, como o tomismo.

Tillich ilustra o método de correlação usando o exemplo de “Deus”. Deus, neste contexto, representa a resposta à questão implícita na finitude humana. Dentro da teologia sistemática, Deus é retratado como o poder infinito do ser resistindo à ameaça do não-ser, correlacionando-se com os desafios existenciais inerentes à existência humana.

A teologia sistemática, seguindo este método, analisa a natureza da razão humana sob condições existenciais, revelando uma busca pela revelação. A revelação divina é então interpretada como a resposta às questões levantadas pela razão. Este padrão continua por toda a teologia, onde cada resposta deriva sua forma da pergunta e seu conteúdo da revelação. O método de correlação de Tillich permanece, portanto, uma contribuição profunda e duradoura para a teologia, unindo a mensagem cristã atemporal às preocupações existenciais contemporâneas da humanidade.

Portanto, o método de correlação serve como uma ponte entre as verdades eternas do cristianismo e a realidade vivida pelos indivíduos. A ênfase de Tillich em se envolver com perguntas existenciais reflete um compromisso com uma teologia que não está desconectada das preocupações da humanidade. Ao rejeitar alternativas inadequadas, buscou desenvolver um método que ressoasse com a profundidade da experiência humana, mantendo-se fiel aos princípios fundamentais da fé cristã.

Imagens de Deus

As imagens preconcebidas de Deus influenciam na hermenêutica bíblica, como outras categorias e pressupostos que o leitor traz para a leitura.

No âmbito da hermenêutica, deve-se levar em conta a influência de ideias preconcebidas na leitura das Escrituras sagradas. Uma delas é a concepção de Deus. O psicólogo e teólogo Karl Frielingsdorf propôs uma tipologia de imagens de Deus. Aqui utilizamos essa tipologia para retratar as diferentes concepções que os indivíduos portam para lerem as Escrituras.

Frielingsdorf afirma que a compreensão que uma pessoa tem de Deus começa nos anos de formação. São moldadas pela socialização religiosa, experiências familiares e influências culturais. Essas primeiras imagens de Deus, sejam provedoras e protetoras ou punitivas e julgadoras, tornam-se os “Grundfolien” ou modelos fundamentais que influenciam pensamentos, emoções e ações subsequentes (Frielingsdorf 1993).

O leitor avaliará todas as representações de Deus na Bíblia de acordo com o que ele ou ela imagina. Então, este exercício eisegético afetaria mais tarde a sua percepção da realidade, da vida espiritual e da teologia.

Os quatro tipos de imagens de Deus propostas por Frielingsdorf são:

  1. O Deus da lacunas e a hermenêutica dualista: Indivíduos que percebem Deus como um substituto para necessidades não satisfeitas podem abordar a Bíblia com uma predisposição para interpretações dualistas, dividindo o texto num reino de bondade divina e num mundo humano repleto de mal. Isto pode levar a uma leitura seletiva, enfatizando passagens que reforçam um Deus benevolente e negligenciando aquelas que desafiam este imaginário reconfortante. Buscam ver milagres todos os dias ao invés de cada dia como um milagre. Possuem dificulades de verem Deus no cotidiano, no ordinário, no profano, mas somente no sobrenatural, no miraculoso, no extraordinário.
  2. O Deus Juiz Punitivo e a hermenêutica do medo: Os leitores com essa imagem de um Deus punitivo podem interpretar as narrativas bíblicas através das lentes do medo. Cada evento bíblico pode ser visto como consequência da retribuição divina, dificultando uma compreensão matizada do contexto cultural e histórico da Bíblia. São incapazes de enxergar um Deus gracioso e misericordioso. Por considerar Deus como incapaz de perdoar, vivem com medo do castigo divino, moldando suas orientações morais e éticas.
  3. O Deus Contabilista e a hermenêutica legalista: Aqueles que têm uma imagem de Deus como um contador exigente tendem a abordar a Bíblia com uma mentalidade legalista, percebendo os mandamentos e as leis como um registro meticuloso dos atos humanos. Isto pode levar a uma interpretação intransigente dos textos bíblicos. Esse leitor terá foco na adesão às regras, em vez de na compreensão dos princípios espirituais subjacentes.
  4. O Deus gestor por desempenho e Teologia Baseada nas Obras: Indivíduos que veem Deus como uma divindade que valoriza o desempenho e o sucesso podem interpretar a Bíblia através de lentes teológicas baseadas nas obras. Isto pode levar a uma ênfase na realização pessoal e na justiça a qual se sentem receptores. Gera uma concepção meritocrática da relação com Deus. Assim, é fácil negligenciar os temas centrais da graça, da misericórdia e do poder transformador da fé nas narrativas bíblicas.

BIBLIOGRAFIA

Frielingsdorf, Karl. Dämonische Gottesbilder. Mainz: Mattias Grünewald, 1993.

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Teologia dos atributos

Teologia Própria

Graus de certeza dogmática

Na teologia dogmática católica romana há um gradiente de certeza doutrinal. A prática de avaliar ensinamentos doutrinários dentro da Igreja Católica implica uma hierarquia de verdades teológicas. Essa hierarquia, enraizada na tradição escolástica, avalia cada doutrina, determinando sua proximidade com a regula fidei remota (Escritura e Tradição) ou proxima (ensino eclesiástico). O Concílio Vaticano II afirmou uma hierarquia de verdades, reconhecendo suas diversas conexões com o fundamento da fé cristã.

Graus de Certezas Dogmáticas

  1. De fide: maior grau dogmático. Compreendem duas categorias.
    • De fide divina et catholica definita (ou simplesmente de fide definita): Maior certeza com base em um julgamento solene infalível (Definição) pelo papa ou por um concílio geral.
    • De fide divina et catholica (ou de fide divina): Verdades reveladas por Deus e ensinadas definitivamente pela Igreja.
  2. Fides ecclesiastica: o que a Igreja ensina infalivelmente verdades derivadas da revelação divina, incluindo conclusões teológicas, fatos dogmáticos e verdades filosóficas.
  3. Sententia fidei proxima: afirmação provavelmente revelada e ensinada pela Igreja, embora não de forma definitiva ou infalível.
  4. Doctrina catholica: Verdades ensinadas pelo magistério ordinário da Igreja.
  5. Theologice certa (ou Sententia ad fidem pertinens, Sententia certa): Verdade internamente ligada à revelação, mas não aceita com autoridade divina.
  6. Sententia communis: Verdade unanimemente ensinada por teólogos com pelo menos aprovação implícita da Igreja, permitindo discussão teológica.
  7. Sententia probabilis: Opinião baseada em boas razões, sujeita a discussão livre entre teólogos; subdividida em Sententia probabilior e Sententia bene fundata.
  8. Sententia pia: Opinião piedosa, mas menos certa do ponto de vista doutrinal.
  9. Sententia tolerata: Tolerada pela Igreja, mas não recomendada como opinião doutrinal.

Relevância e Interpretação


A teologia católica reconhece a natureza evolutiva da linguagem e do entendimento humano na interpretação de declarações dogmáticas. Também reconhece que as verdades doutrinais podem ser inicialmente expressas de forma incompleta, mas podem ser posteriormente esclarecidas e expandidas. A Igreja visa afirmar e iluminar o que já está contido na Escritura e na tradição, ao mesmo tempo que aborda questões específicas e corrige erros. A interpretação exige considerar o contexto da linguagem, o desenvolvimento do pensamento e a compreensão em evolução de verdades atemporais.

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Teolegúmena

Sinterese

Sinterese, Sinteresia ou sintérese (συντήρησιν) é um termo teológico para descrever um aspecto da consciência de alguém pelo qual se pode julgar o certo do errado e decidir o que constitui uma boa conduta em oposição à sineidese.

Aparece no Comentário sobre Ezequiel de Jerônimo. A sinterese seria um dos poderes da alma e é descrita como a centelha da consciência (scintilla conscientiae). O conceito de Jerônimo foi debatido por Alberto Magno e Tomás de Aquino com bases aristotélicas. Boaventura a considerou como a inclinação natural da vontade para o bem moral.

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