Heikki Räisänen

Heikki Räisänen (1941-2015) foi um teólogo luterano e biblista finlandês, com contribuições aos estudos do Novo Testamento.

Räisänen estudou Teologia pela Universidade de Helsinki, onde obteve seu Ph.D. em 1967. Foi pesquisador visitante em Harvard Cambridge e Tübingen; doutor honorário da Universidade de Edimburgo e da Universidade de Uppsala. Foi professor pesquisador na Academia da Finlândia de 1984 a 1994 e professor de academia de 2001 a 2006. Ocupou vários cargos acadêmicos, inclusive como professor de estudos do Novo Testamento na Universidade de Helsinki, onde desempenhou um papel fundamental na formação do departamento.

Os pensamentos teológicos e acadêmicos de Räisänen seguem um rigor na interpretação bíblica. Conduziu uma ampla pesquisa sobre a teologia paulina, concentrando-se na relação entre Paulo e o judaísmo, a ética cristã primitiva e o conceito de fé nos escritos de Paulo. Räisänen questionou as interpretações dominantes e ofereceu perspectivas alternativas, enfatizando os contextos históricos e sócio-culturais em que surgiram os textos do Novo Testamento. Foi pioneiro nos estudos históricos-críticos do Alcorão. Estudou as crenças cristãs primitivas.

Ministro ordenado da Igreja Evangélica Luterana da Finlândia, convivia com a dúvida e sentia-se agnóstico em vários pontos da fé cristã.

Escreveu livros para a popularização da Bíblia e de temas religiosos, influenciando os leitores finlandeses secularizados a lerem as Escrituras.

Mikael Agricola

Mikael Agricola (c. 1510-1557) foi um bispo finlandês, reformador e autor pai da literatura finlandesa.

Nascido na cidade de Pernå, onde hoje é a Finlândia, Agricola foi educado na Universidade de Turku e mais tarde estudou teologia em Wittenberg, Alemanha.

Inspirado pelos ensinamentos de Martinho Lutero, Agricola se tornou uma figura chave na Reforma Protestante na Finlândia e trabalhou para traduzir a Bíblia e outros textos religiosos para o finlandês.

Publicou sua tradução do Novo Testamento para o finlandês em 1548. Esse trabalho foi um marco na literatura finlandesa e desempenhou um papel importante no desenvolvimento da língua finlandesa. Agricola também escreveu uma série de outras obras, incluindo catecismos e hinos.

Johann Gerhard

Johann Gerhard (1582-1637) foi um teólogo alemão integrante da ortodoxia luterana na fase da Escolástica Protestante.

Gerhard foi Professor de Divindade em Jena (1616), sendo quatro vezes reitor lá. Escreveu copiosamente sobre teologia exegética, polêmica e dogmática. Sua Loci communes theologici (1610-1622) foi o maior texto dogmático luterano já produzido até hoje.

Gerhard discutiu sobre a bibliologia. Discorrendo sobre a sola scriptura, defendia que a leitura e meditação das Escrituras tinham um papel na salvação.
Tal posição foi contraposta por Hermann Rahtmann (1585-1628). Rahtmann era um ministro luterano em Danzig e teólogo sobre a relação entre a Escritura e o Espírito. Rahtmann atribuía ao Espírito o papela que Gerhard dava às Escrituras em relação à salvação. Rahtmann discernia entre as Escrituras e a Palavra de Deus. As Escrituras seriam um testemunho escrito da Palavra que Deus.

O Tractatus De Legitima Scripturae Sacrae Interpretatione (Steinmann, 1610) de Johann Gerhard formula intrincadamente a doutrina da Sagrada Escritura como o princípio da teologia dentro do contexto da ortodoxia luterana. Considerava as palavras divinas como os princípios primários. Salientou a fórmula a única regra e norma, e seu próprio intérprete, inspirando-se na definição aristotélica de conhecimento científico. A Escritura é o cânon ou a régua para a teologia. Segundo Gerhard, a Bíblia é a Palavra de Deus escrita pelos escribas bíblicos, sendo as palavras das Escrituras às do Espírito Santo.

Afirmava a independência da teologia. Similar à Segunda Confissão Helvética, Gerhard distingue entre Palavra revelada, pregada e escrita.

Christian Gottlob Pregizer

Christian Gottlob Pregizer (1751-1824) foi um teólogo luterano alemão conhecido por seus trabalhos sobre cristologia e ética cristã. Ele enfatizou a importância da renovação espiritual interior e da piedade prática. Ele também escreveu extensivamente sobre a teologia da cruz e do sofrimento de Cristo.

Gustaf Wingren

Gustaf Wingren (1910-2000) foi um teólogo luterano sueco que fez contribuições significativas nos campos da ética cristã e da interpretação bíblica. Ele estudou na Universidade de Uppsala e mais tarde tornou-se professor de teologia sistemática na Universidade de Lund.

Sua principal obra “The Living Word” é uma exploração teológica da natureza da Palavra de Deus conforme revelada na Bíblia. O principal argumento do livro é que a palavra de Deus não é um texto estático e fixo, mas uma força dinâmica e viva que continua a falar conosco hoje. Wingren argumenta que a Bíblia seria uma coleção de textos que foram moldados pelas experiências das pessoas que os escreveram e que esses textos podem ser lidos de novas maneiras em cada geração.

O livro é dividido em três partes. A primeira parte é uma discussão sobre a natureza da palavra de Deus e sua relação com a linguagem humana. Wingren argumenta que a palavra de Deus não é limitada pela linguagem humana, mas a transcende. Ele também examina as maneiras pelas quais a linguagem humana pode ser usada para expressar o divino.

A segunda parte do livro é um estudo da Bíblia como um texto vivo. Wingren explora a história da interpretação bíblica, mostrando como diferentes gerações abordaram a Bíblia de maneiras diferentes. Argumenta que a Bíblia seria um texto que nunca pode ser totalmente compreendido ou esgotado, e que continua a revelar novas verdades para nós hoje.

A terceira parte do livro é uma discussão das implicações práticas da palavra viva. Wingren argumenta que a Bíblia vai além de um livro de teologia, mas um guia para viver uma vida cristã. Ele mostra como a palavra viva pode informar nossas decisões morais e nossos relacionamentos com os outros.

A recepção de “The Living Word” tem sido amplamente positiva. O livro foi elogiado por sua abordagem criativa à interpretação bíblica e sua ênfase na natureza viva da palavra de Deus. Algumas críticas é que a proposta do livro seria muito subjetiva e minimizaria o contexto histórico da Bíblia.

BIBLIOGRAFIA

Wingren, Gustaf. The living word : a theological study of preaching and the church. Muhlenberg., 1949.