Guillaume Postel

Guillaume Postel (1510-1581) foi um linguista, estudioso e visionário francês.

Nascido em Barenton, na Normandia, Postel demonstrou habilidades intelectuais excepcionais desde tenra idade.

Estudou hebraico, árabe e siríaco em Paris, onde se tornou proficiente nessas línguas semíticas. Seu domínio das línguas o levou a se tornar uma figura influente no orientalismo renascentista. Postel acreditava que a chave para a compreensão de diferentes culturas e religiões era o estudo de suas línguas, que ele via como caminhos para a sabedoria divina.

A experiência e o profundo interesse de Postel no conhecimento esotérico e na filosofia religiosa lhe renderam reconhecimento em toda a Europa. Viajou pelo Império Otomano, Oriente Médio e Itália, onde se envolveu com estudiosos e intelectuais de seu tempo. Seus encontros com diferentes culturas e tradições religiosas moldaram sua perspectiva única sobre espiritualidade e sua visão de uma religião universal que transcendeu as divisões sectárias.

Como um escritor prolífico, Postel escreveu inúmeras obras sobre linguística, história e teologia. Seu influente tratado, “De Orbis Terrae Concordia”, propôs a ideia de uma linguagem universal que pudesse unir toda a humanidade. Ele acreditava que a linguagem era a chave para alcançar a compreensão universal e a harmonia entre as pessoas.

As visões religiosas não ortodoxas de Postel e sua busca pelo conhecimento místico o levaram a conflitos com as autoridades religiosas. Ele enfrentou acusações de heresia e passou vários anos em confinamento. Apesar desses desafios, ele permaneceu firme em suas crenças e continuou suas atividades intelectuais até sua morte.

Jean-Fréderéric Ostervald 

Jean-Frédéric Ostervald (1663-1747) foi um pastor e teólogo reformado suíço, nascido em Neuchâtel em 1663.

Ostervald estudou em Zurique, Saumur e Paris antes de se tornar pastor em vários locais. Sua abordagem ao cristianismo era moderada, enfatizando seus aspectos racionais e éticos.

Sua obra, Compendium Theologiae Christianae, foi um resumo sistemático e conciso da teologia cristã que visava tornar as complexidades da teologia acessíveis a um público mais amplo. A obra foi amplamente utilizada como livro-texto em seminários e universidades protestantes.

Ostervald defendia a tolerância religiosa e sua oposição à perseguição de minorias religiosas. Ele acreditava que a diversidade religiosa não era uma ameaça à unidade da Igreja, mas sim um sinal de sua força.

Ostervald morreu em Neuchâtel, deixando um legado como uma figura de destaque na vertente moderada e racionalista da teologia cristã. Suas obras continuam a ser estudadas e apreciadas por estudiosos no campo da teologia e estudos religiosos.

Adam Boreel

Adam Boreel (1602 – 1665) foi um teólogo e hebraísta holandês, um dos fundadores dos collegiantes. Sua influência nesse movimento primitivista era de tal modo que também foram chamados de Boreelists.

Os collegiantes rejeitaram as controvérsias religiosas entre gomaristas e arminianos, bem como entre protestantes e outras religiões, para formar um grupo religioso pautado na tolerância, no diálogo e liberdade de expressão, mantendo as Escrituras como única regra de fé.

Boreel seria o provável autor de Lucerna Super Candelabrum, um panfleto que influenciou os quakers. Também trabalhou na edição de uma versão latina do Mishnah.

Entre as pessoas envolvidas em seu movimento estavam Daniel van Breen, Michiel Coomans, Jacob Otto van Halmael e o menonita Galenus Abrahamsz de Haan, Baruch Spinoza, Jan Comenius, Rembrandt e John Dury.

Van Der Wall, Ernestine GE. “‘Without Partialitie Towards All Men’: John Durie on the Dutch Hebraist Adam Boreel.” Jewish-Christian Relations in the Seventeenth Century. Springer, Dordrecht, 1988. 145-149.

BIBLIOGRAFIA

Quatrini, Francesco. Adam Boreel (1602–1665): A Collegiant’s Attempt to Reform Christianity. Brill, 2020.

Killian Aurbacher

Killian Aurbacher (?-1534?), foi um dos primeiros líderes anabatistas em Austerlitz, Morávia.

Aurbacher argumentava que seguir a Jesus Cristo era questão de fé. Ser cristão seria uma questão de livre vontade, não uma imposição forçada. Tolerante, em uma carta a Martim Bucer em 1534 escreveu:

Nunca é certo obrigar alguém em questões de fé, seja o que for que ele acredite, seja ele judeu ou turco [muçulmano].

Mesmo que se alguém não creia de forma correta ou queira crer assim, isto é, se ele não possui ou não queira ter o correto entendimento da salvação e não confie em Deus ou se submeta a Ele, mas confia na criatura e ame-a, ele portará sua própria culpa e ninguém o apoiará no juízo.

E assim nos conduzimos de acordo com o exemplo de Cristo e dos apóstolos e proclamamos o evangelho segundo a graça que Ele nos confiou. Não obrigamos ninguém.

Mas quem está disposto e pronto, deixe segui-Lo, como Lucas nos mostra em Atos. Que isso então também é uma verdade aberta, que o povo de Cristo é constituído de pessoas livres, não forçadas e não compelidas, que recebem a Cristo com desejo e coração disposto. Acerca disso as Escrituras testificam.

Aurbacher, Hulshof, 247.

BIBLIOGRAFIA

Bender, Harold S. “The Anabaptists and Religious Liberty in the 16th century.” Archiv für Reformationsgeschichte 44.jg (1953): 32-51.

Hillerbrand, Hans J. Die politische Ethik der oberdeutschen Täufer. Ein Beitrag zur Religions- und Geistesgeschichte des Reformationszeitalters. Köln 1963. A famosa citação de Aubarcher aparece na página 22.