Argobe

A Faixa de Argobe (em hebraico, אֶרֶץ אַרְגֹּב, Eretz Argov, ou חֶבֶל אַרְגֹּב, Hevel Argov) é uma região geográfica localizada na terra de Basã (Bashan). Esta área foi um ponto estratégico e fértil, com sessenta cidades fortificadas.

As referências bíblicas indicam que a Faixa de Argobe fazia parte do reino de Ogue, rei de Basã, um dos dois reis amorreus (o outro sendo Seom, rei de Hesbom) que os israelitas enfrentaram e derrotaram sob a liderança de Moisés antes de entrarem na Terra Prometida (Deuteronômio 3:4, 3:13-14). Após a vitória sobre Ogue, a Faixa de Argobe, juntamente com o restante de Basã e parte de Gileade, foi concedida à meia-tribo de Manassés como herança territorial. Jair, filho de Manassés, é mencionado como tendo tomado a Faixa de Argobe até as fronteiras dos gesuritas e maacatitas, e as cidades de Basã foram chamadas de “Havot Yair” (aldeias de Jair) em sua homenagem.

Posteriormente, a Faixa de Argobe reaparece na descrição da organização administrativa do reino de Salomão, sendo listada como uma das sessenta grandes cidades sob a jurisdição de um de seus oficiais, Ben-Geber, em Ramote-Gileade (1 Reis 4:13). Essa menção em um contexto administrativo régio demonstra a importância contínua da região ao longo da história de Israel.

A exata localização da Faixa de Argobe dentro de Basã é objeto de debate acadêmico, mas geralmente é associada à região do Golã. A etimologia do termo “Argov” (que se torna “Argobe” no texto) também é discutida; algumas interpretações sugerem que pode significar “terra acidentada” ou “rochosa”, o que se alinha com as características geográficas da área. A Septuaginta e a Vulgata Latina, traduções antigas da Bíblia, simplesmente transliteram o nome “Argov”, indicando que era reconhecido como um topônimo.

Gilberto Gorgulho

Gilberto da Silva Gorgulho (1933-2012), conhecido como Frei Gorgulho, foi um biblista brasileiro.

Sua contribuição para o estudo bíblico no Brasil inseri-se no movimento de leitura popular da Bíblia. Gorgulho foi um dos coordenadores, ao lado de Ivo Storniolo e Ana Flora Anderson, da edição em língua portuguesa da renomada Bíblia de Jerusalém, publicada pela Paulus em 2002 e atualizada em 2012. Além dessa obra de referência, Gorgulho foi coautor de outros livros e estudos bíblicos, incluindo trabalhos sobre os Evangelhos de Marcos e João, e o livro A Justiça dos Pobres – Mateus. Também se dedicou à preparação de “círculos bíblicos”, uma iniciativa que visava promover o estudo e a reflexão sobre a Bíblia em comunidades.

Além de sua produção bibliográfica na área da teologia e exegese bíblica, Gilberto da Silva Gorgulho foi membro do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás e da Academia Goiana de Letras (AGL), além de Conselheiro do Conselho Estadual de Cultura de Goiás e fundador da Academia Itaberina de Letras e Artes (AILA).

Joannes Stobaeus

Joannes Stobaeus (século V – desconhecido), um compilador e antologista bizantino, responsável preservação de muito da sabedoria clássica e cristã por meio de sua monumental obra, o “Anthologion” (Florilegium ou Excerpta ex libris). Este compêndio é uma coleção vasta de extratos de diversos filósofos e poetas gregos, incluindo autores cristãos. Tornou-se uma fonte valiosa para o pensamento da Antiguidade Tardia.

O “Anthologion” foi originalmente compilado para seu filho, Septimius, com o propósito de educá-lo sobre a filosofia e a moral. A obra é dividida em quatro livros, que cobrem temas como ética, política, física e teologia. Cada livro é subdividido em capítulos. Cada capítulo contém uma série de citações de diferentes autores, muitas vezes introduzidas por uma breve contextualização ou comentário de Stobaeus. A amplitude e a diversidade das fontes citadas tornam o “Anthologion” uma fonte importante para o estudo de autores antigos cujas obras originais se perderam. Sem Stobaeus, grande parte do pensamento de figuras como Eurípides, Menandro e os filósofos estoicos e platônicos seria desconhecida. A inclusão de autores cristãos no “Anthologion” é particularmente notável.

Embora Stobaeus fosse um compilador e não um pensador original, a organização e a curadoria de seu “Anthologion” demonstra uma erudição filológica digna de nota.

Teologia ectipal

A teologia ectipal, um conceito na teologia reformada, refere-se ao conhecimento análogo e derivado de Deus que é estabelecido por Ele para a humanidade.

Diferente do conhecimento “arquetipal” (o conhecimento pleno e inerrante que Deus tem de Si mesmo), o conhecimento ectipal é uma comunicação da verdade divina que é acomodada à nossa compreensão humana, finita e pecaminosa. Essencialmente, é a maneira como Deus se revela a nós, adaptando Sua verdade infinita e complexa às nossas capacidades cognitivas limitadas, por meio de Sua Palavra revelada e de Sua providência.

Essa acomodação não implica que o conhecimento ectipal seja menos verdadeiro ou confiável; pelo contrário, ele é verdadeiro e suficiente para a salvação e para o viver piedoso, pois é o próprio Deus que o comunica. Ele nos permite ter um conhecimento genuíno de Deus, embora não exaustivo. A teologia ectipal reconhece que a linguagem humana, as categorias de pensamento e as experiências são moldadas por nossa finitude, e Deus, em Sua graça, utiliza esses meios para se relacionar conosco.

Em termos práticos, a teologia ectipal se manifesta nas Escrituras. A Bíblia seria a forma principal pela qual Deus revela Seu conhecimento ectipal. Os textos bíblicos usam linguagem humana, metáforas, narrativas e conceitos acessíveis para nos ensinar sobre a natureza de Deus, Seus atributos, Seus propósitos e Seus mandamentos. A revelação natural, por meio da criação, também oferece um conhecimento ectipal de Deus, embora de forma mais geral.

Este conceito serve para ressaltar tanto a transcendência de Deus (Seu conhecimento arquetipal é inatingível para nós em sua totalidade) quanto Sua imanência e graça (Ele escolhe se comunicar conosco de forma compreensível). Ao mesmo tempo, ele estabelece uma humildade epistemológica no estudo da teologia, reconhecendo que nossa compreensão de Deus é sempre parcial e mediada. A teologia ectipal, portanto, orienta o estudo bíblico e teológico a buscar a verdade revelada com reverência, sabendo que estamos lidando com um conhecimento divino que nos foi graciosamente concedido de uma forma que podemos apreender e que é, ao mesmo tempo, fiel à natureza inefável de Deus.

Megillat Antiochus

A Megillat Antiochus (מגילת אנטיוכוס), também conhecida por nomes como Megillat HaHashmonaim, Megillat Hanukkah ou Megillah Yevanit, é um livro apócrifo que narra a história do Hanukkah e as vitórias militares dos macabeus sobre os gregos selêucidas no século II a.C.

Embora compartilhe eventos com os Livros de Macabeus, ela se distingue por sua própria narrativa e elementos lendários. A obra foi originalmente composta na língua aramaica judaico-palestino, provavelmente entre os séculos II e V d.C., com uma tradução hebraica literal surgindo por volta do século VII. Algumas fontes sugerem que sua composição visava promover a observância do Hanukkah na Baixa Mesopotâmia, possivelmente em resposta à ascensão do Caraísmo, que rejeitava as tradições orais rabínicas.

O texto da Megillat Antiochus começa com uma descrição da grandeza de Antíoco e sua campanha contra Jerusalém, incluindo a profanação do Templo e a proibição de práticas judaicas essenciais como o sábado, o Rosh Chodesh e a circuncisão. A narrativa prossegue com os atos heroicos dos macabeus, destacando figuras como João, filho de Matatias, e suas vitórias contra os generais gregos, como Nicanor e Bagris. Ao final, a Megillah relata a purificação do Templo e o milagre do azeite, que, insuficiente para um dia, durou oito, instituindo assim a festa de Hanukkah.

Apesar de sua importância cultural e litúrgica para algumas comunidades judaicas, especialmente as iemenitas e, historicamente, as italianas, que a liam publicamente no Hanukkah de maneira semelhante à leitura do Livro de Ester no Purim, a Megillat Antiochus não é considerada canônica e contém anacronismos e imprecisões históricas. Por exemplo, ela descreve Antioquia como uma cidade costeira, atribui a João, filho de Matatias, o título de Sumo Sacerdote e uma longevidade do reinado de Antíoco que não se alinha com outras fontes históricas. A presença de passagens copiadas do Primeiro Livro dos Macabeus, juntamente com a adição de lendas talmúdicas, sugere uma compilação posterior com propósitos devocionais e edificantes, e não um relato estritamente histórico. No entanto, sua ampla circulação em manuscritos e edições antigas da Bíblia hebraica demonstra seu significado na tradição judaica medieval, mesmo que as comunidades fossem advertidas a não proferir uma bênção antes de sua leitura.