Asafe

Asafe, filho de Berequias, ancestral dos asafitas, uma guilda de músicos do Primeiro Templo (1 Cr 16:4-5, 25). É atribuído a Asafe (ou à moda de Asafe) doze Salmos de Asafe.

Os Salmos de Asafe são numerados como 50 e 73-83 no Texto Massorético e 49 e 72-82 na Septuaginta. Apesar de variados, há em comum um tema do julgamento de Deus e como o povo deve seguir sua Lei.

Muitos desses salmos são lamentos e falam sobre a futura devastação, mas esperando a misericórdia de Deus e o poder salvador para o povo.

Outra característica desses salmos é o uso da palavra “selá.”

Artaxerxes

Artaxerxes, em hebraico אַרְתַּחְשַׁשְׂתָּא, em grego Ἀρταξέρξης aparece na Bíblia Hebraica em Esdras-Neemias (Esdras 4:7, 8, 11, 23; 6:14, 7:1, 7, 11–12, 21; 8:1; Neemias 2:1, 5: 14, 13:6). É o nome de vários governantes persas do período aquemênida:

  1. Artaxerxes I, dito Artaxerxes I Longimanus, foi rei da Pérsia de c. 464 a c. 425 aC. Filho do rei Xerxes (talvez o Assuero de Ester), foi em seu reinado que talvez Esdras (Esdras 7) e Neemias (Nemias 2) viajaram da Pérsia para Jerusalém.
  2. Artaxerxes II Memnon (404–359): em outra cronologia provável, seria o rei dos eventso de Esdras e Neemias.
  3. Artaxerxes Ochus III (359–338): reassentou alguns judeus na satrapia da Hircânia por participarem da rebelião de Sidom. Foi um rei eficiente e poderoso que reconsolidou o poder central do trono persa.
  4. Artaxerxes IV (337–336).
  5. Artaxerxes ou Besso V, o assanio de Dario III (330 bc).

BIBLIOGRAFIA
Arjomand, Saïd Amir. “Artaxerxes, Ardašīr, and Bahman.” Journal of the American Oriental Society 118, no. 2 (1998): 245–48.

Antinomismo

Antinomismo e antinomia é a designação dada a quem considera indiferente ou não aplicável a normas de condutas bíblicas, sobretudo de conteúdo moral.

Não se trata de uma autodesignação, mas geralmente o termo é aplicado pejorativamente a grupos tidos como libertinos ou que esposam a crença de salvação por graça ao invés de méritos acumulados por obras.

Anabatismo e pentecostalismo

As relações entre os diversos movimentos pentecostais e anabatistas são recorrentes. Ambos movimentos são formas populares de cristianismo, sustentam bases radicais, valorizam a vida comunitária, a ação direta do Espírito Santo e uma leitura direta das Escrituras.

Houve manifestações carismáticas nos eventos que deram origem aos anabatistas. Em 1525 um avivamento ocorreu em Zollikon e St. Gall, Suíça, com manifestações ecstáticas, profecias e falar em línguas, com várias pessoas sendo batizadas nas águas. A jovem Margret Hottinger em Zollikon pregava, proclamava o perdão dos pecados, citava a Bíblia e falava em línguas. Logo, o movimento foi perseguido.

Os chamados “Espirituais” ou “Pneumáticos” foram um ramo dos primórdios dos anabatistas que valorizavam manifestações do Espírito Santo e sua guia. No entanto, os anabatistas não desenvolveram uma teologia para explicar essas manifestações. Com o tempo, o movimento anabatista acomodou-se em expressões mais comedidas.

Nos anos 1860 houve um avivamento entre os mennonitas da Rússia, com algumas vertentes aderindo a manifestações carismáticas. Desse movimento surgiu a Igreja dos Irmãos Mennonitas.

Uma influência anabatista na origem do pentecostalismo aparece quando William Seymour foi morar em Indianápolis, onde frequentava a “Evening Light Saints”. Esse grupo anabatista de santidade, também chamado de Igrejas de Deus (Anderson) iniciada por Daniel S. Warner, possuía princípios igualitários e primitivistas, além de uma eclesiologia anti-organizacional.

Na região de Chicago, Daniel C. O. Opperman, oriundo de uma família dos Irmãos Alemães Dunkers, foi pioneiro do avivamento pentecostal.

Em 1908 um avivamento pentecostal ocorreu entre os mennonitas e Irmãos em Cristo Mennonitas em Ontário, Canadá. O canadense Solomon Eby, um dos fundadores da denominação dos Irmãos Mennonitas em Cristo (Igreja Missionária) era um mennonita influenciado pelo pietismo e pelo movimento de Santidade. Junto de outros crentes de extração anabatista, Eby deriu ao pentecostalismo em 1912, sendo ativo na Assembleia Pentecostal de Waterloo, Ontário. De forma independente, um segmento americano da Igreja Missionária formou a Pentecostal Brethren in Christ, a qual depois se fundiu com a Pilgrim Holiness Church em 1924. Vários dos crentes de origem mennonita estiveram entre os organizadores da Pentecostal Assemblies of Canada em 1919.

Nos anos 1920 aconteceu um avivamento entre os menonitas da Califórnia depois de contatos com Aimee Semple McPherson. A ocasião gerou várias controvérsias, com muitos deixando suas congregações para juntar-se às igrejas pentecostais.

Nos anos 1950 houve um avivamento pentecostal entre os jovens da igreja menonita, liderado por Gerald Derstine, pastor da Strawberry Lake Mennonite Church em Ogema, Minnesota. Nos anos 1970 apareceu a influência do movimento carismático na Igreja Menonita.

Durante o regime soviético, mennonitas, batistas e pentecostais foram forçados a se unirem na União dos Cristãos de Fé Evangélica. Dessa experiência, vários mennonitas adotaram práticas pentecostais.

No Brasil surgiram a Igreja dos Irmãos Mennonitas Renovada e a Igreja Anabatista Pentecostal, essa última sem ligações históricas diretas com os mennonitas.

Em tempos recentes, em 2013 pentecostais, carismáticos e mennonitas se uniram para formar a Mennonitischen Freikirche Österreich (MFÖ), a Igreja Livre Mennonita da Áustria.

BIBLIOGRAFIA

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Williams, George Huntston.  The Radical Reformation, 3rd ed.. Penn State University Press, 2021.