Baasa

Baasa (בַּעְשָׁא, baʿasha), cujo nome possivelmente significa “ousadia”, foi o terceiro rei de Israel, reinando por 24 anos (909-886 a.C.) após assassinar Nadabe, filho de Jeroboão I (1Rs 15:27-28). Originário da tribo de Issacar e de origem humilde (1Rs 15:27), Baasa exterminou toda a família de Jeroboão I, cumprindo a profecia de Aías (1Rs 14:10).

Apesar de usurpar o trono, Baasa manteve a idolatria do bezerro de ouro instituída por Jeroboão I, incorrendo na condenação divina (1Rs 16:1-4). Seu reinado foi marcado por conflitos com Asa, rei de Judá (1Rs 15:16,32). Para conter a ameaça de Baasa, Asa aliou-se a Ben-Hadad I, rei da Síria, que invadiu Israel e conquistou várias cidades (1Rs 15:18-20).

Baasa morreu e foi sepultado em Tirza, sua capital (1Rs 16:6). Seu filho Elá o sucedeu, mas foi assassinado por Zimri, que exterminou toda a dinastia de Baasa, cumprindo a profecia de Jeú (1Rs 16:8-14).

Barzilai

Barzilai (בַּרְזִלַּי, barzillai), cujo nome significa “feito de ferro”, foi um homem de Gileade que demonstrou lealdade e generosidade a Davi durante a rebelião de Absalão (2Sm 17:27). Quando Davi fugia de Jerusalém, Barzilai, já idoso (2Sm 19:32), o abasteceu com mantimentos e provisões em Maanaim (2Sm 17:27-29). Após a morte de Absalão, Davi convidou Barzilai a morar em Jerusalém, oferecendo-lhe honrarias e sustento (2Sm 19:33).

No entanto, Barzilai, reconhecendo sua idade avançada, declina a oferta, enviando seu filho Quimã em seu lugar (2Sm 19:35-37). Davi, tocado pela lealdade de Barzilai, o abençoou e o despediu com honra (2Sm 19:38-39).

Antes de morrer, Davi encomendou a Salomão que cuidasse dos descendentes de Barzilai (1Rs 2:7).

Baurim

Baurim (בַּחֻרִים, bachurim), vilarejo situado a leste do Monte Scopus, próximo a Jerusalém, na estrada para Jericó (2Sm 3:16; 19:16). Foi em Baurim que Simei, o benjamita, amaldiçoou e apedrejou Davi quando este fugia de Jerusalém durante a rebelião de Absalão (2Sm 16:5; 1Rs 2:8).

Baurim também serviu de esconderijo para Jônatas e Aimaás, mensageiros de Davi (2Sm 17:18). Além de Simei, a Bíblia menciona apenas outro morador de Baurim: Azmavete, um dos guerreiros de Davi. Há uma variação na designação dos habitantes de Baurim: em 2 Samuel 23:31, Azmavete é chamado de “barumita”, enquanto em 1 Crônicas 11:33 ele é “baarumita”.

Belial

Belial, termo hebraico que pode ser traduzido como “inútil”, “perverso” ou “sem valor”, é usado no Antigo Testamento para descrever indivíduos ímpios e ações malignas. Em Juízes 19:22, homens descritos como “filhos de Belial” tentam abusar de um levita, demonstrando sua depravação moral. Em 1 Samuel 30:22, “homens de Belial” são excluídos do despojo de guerra por sua covardia e deslealdade.

O termo “Belial” também pode ser usado como um nome próprio para uma entidade maligna, como em 2 Coríntios 6:15, onde Paulo o associa a Satanás, representando a oposição entre a luz e as trevas, o bem e o mal.

A figura de Belial evoluiu ao longo da história bíblica e da tradição judaica, passando de um termo genérico para a maldade à personificação do mal, um arquétipo do adversário de Deus e da humanidade, tal como aparece na literatura do Segundo Templo e Antiguidade Tardia como Beliar.

Beemote

Beemote, em hebraico בהמות, criatura colossal mencionada em Jó 40:15-24. O texto bíblico o descreve como um animal de força extraordinária, com ossos como barras de bronze e membros como barras de ferro. Sua dieta consiste em grama, e ele habita rios e pântanos.

Alguns intérpretes associam o Beemote a um hipopótamo, enquanto outros o veem como uma criatura mitológica, um símbolo do poder indomável da criação. Na literatura judaica extrabíblica, como o Livro de Enoque e o Apocalipse de Baruque, o Beemote é retratado como um monstro terrestre invencível, criado por Deus no quinto dia.

Em algumas tradições, o Beemote e o Leviatã (monstro marinho) serão mortos e servidos como banquete para os justos no final dos tempos.

BIBLIOGRAFIA

Ansell N (2017) Fantastic Beasts and Where to Find The(ir Wisdo)m: Behemoth and Leviathan in the Book of Job. In van Bekkum J, et al. (eds) Playing with Leviathan: Interpretation and Reception of Monsters from the Biblical World. Leiden: Brill, pp. 90-114.

Batto BF (1999) Behemoth. In van der Toorn K, Becking B, van der Horst PW (eds) Dictionary of Deities and Demons in the Bible. Leiden: Brill, pp. 165-169.