Livro de Eldade e Medade

Eldade e Medade foram escolhido com outros sessenta e oito anciãos do povo de Israel para receber o espírito de Deus ao redor da tenda de congregação. Entretanto, ambos ficaram no acampamento e começaram aprofetizar. Quando Josué tentou contê-los, Moisés rejeitou a reclamação, dizendo: “Quem dera todo o povo do Senhor fosse profeta!” (Nm 11:16; 26-30:16).

A profecia de ambos gerou várias especulações na Antiguidade Tardia. Teria sido fonte para um livro, ora perdido.

Livro de Eldade e Medade teria sido um livro tido como inspirado, porém não mencionado como Escrituras canônicas durante o primeiro milênio d.C.

Segundo uma esticometria do século IX, seria um livro curto de 400 linhas, mais longo que Efésios (312 linhas), menor que 2 Coríntios (590). Dele temos um certo fragmento. No Pastor de Hermas, na visão 3. 5 diz: “Perto está o Senhor daqueles que se voltam para Ele, como está escrito em Eldade e Medade, que profetizaram ao povo no deserto.”

Já uma tradição rabínica fala que na verdade são sete livros da Torá. A passagem Números 10:35–36, cercado no hebraico pelo sigma e antessigma (colchetes), constituiria o Livro de Eldade e Medade. ( B. Talmud Shabat fólio 116a).

Etiologia

Etiologia refere-se a um gênero de texto que visa explicar a origem ou a causa de algo. Essas narrativas detalham as razões por trás de certos nomes, situações ou eventos. O termo “etiologia” vem da palavra grega “aition”, que significa “causa” ou “razão”.

As etiologias aparecem em paronomásias (jogos de palavras) nos textos bíblicos. Em Êxodo 15:23, o nome “Mará” é usado como um jogo de palavras etiológico. Explica a origem do nome ligando-o à água amarga que os israelitas encontraram naquele lugar.

Outra forma de etiologia pode ser encontrada em narrativas que fornecem explicações para determinados eventos ou costumes. Em Gênesis 47:13-26 é dado um relato etiológico para explicar o estabelecimento de um imposto sobre a terra por José.

O relato da criação no livro de Gênesis pode ser considerado uma etiologia. Explica a origem do mundo e de todos os seus habitantes, descrevendo como Deus criou os céus, a terra e tudo o que há neles. Da mesma forma, a história da Torre de Babel no Gênesis 11 explica a diversificação das línguas entre a humanidade. Igualmente, os relatos dos patriarcas são etiologias para a origem dos povos israelitas, árabes, moabitas, edomitas e amonitas.

As etiologias também podem ser encontradas em outras partes da Bíblia, como o livro de Êxodo, que fornece explicações etiológicas para várias leis e regulamentos dados aos israelitas. Por exemplo, as leis dietéticas em Levítico podem ser vistas como etiológicas, atribuindo certas restrições alimentares a razões relacionadas à limpeza ou santidade.

Estela de Sefira

As Estelas de Sefira, também conhecida como Inscrições de Sefira, é um tratado escrito em pedra entre dois pequenos reis, Matti’el e Barga’yah por volta de 750 a.C. em aramaico antigo. É um dos mais antigos textos escritos nessa língua e oferece uma valiosa visão sobre a cultura e a política da região na época.

As estelas Sfire ou Sefire são três estelas de basalto do século VIII aC contendo inscrições em aramaico descobertas perto de Al-Safirah (“Sfire”) perto de Alepo na Síria.

O texto contém uma série de maldições e juramentos entre as duas partes, envolvendo uma disputa territorial. O texto descreve a transferência de terras de Barga’yah para Matti’el, com a condição de que ele cuide do terreno e pague uma quantia anual em grãos. Caso contrário, uma série de maldições seriam invocadas, incluindo pragas semelhantes às pragas do Egito.

O artefato é objeto de debate e controvérsia. Há possibilidade de que o texto pode ter sido falsificado ou alterado ao longo dos séculos, enquanto outros apontam que a linguagem e o estilo do texto são consistentes com a época em que foi escrito.

Edição crítica

As edições críticas de manuscritos são publicações acadêmicas que visam fornecer uma representação confiável e precisa de um texto. Essas edições são normalmente produzidas por meio de um processo de crítica textual, que envolve a comparação de diferentes versões manuscritas de um texto e a tomada de decisões editoriais sobre como apresentar o texto da forma mais precisa e autêntica possível. Acompanham notas e aparatos que subsidiam a leitura adotada.

Existem dois tipos principais de edições críticas: as diplomáticas e as ecléticas.

Uma edição diplomática é um tipo de edição crítica que visa reproduzir um manuscrito o mais fielmente possível, incluindo sua ortografia, pontuação e formatação. O editor de uma edição diplomática normalmente transcreve o manuscrito usando um sistema padrão de símbolos para representar leituras variantes, abreviações e outras características do texto. O objetivo de uma edição diplomática é fornecer aos estudiosos uma representação clara e precisa do conteúdo du manuscrito. As variantes e alternativas de leituras vão anotadas no aparato crítico. A Bíblia Hebraica Kittel é uma edição diplomática do manuscrito massorético de Lenigrado.

Uma edição eclética, por outro lado, é um tipo de edição crítica que usa uma combinação de diferentes versões manuscritas para criar um novo texto que representa o melhor julgamento filológico sobre um original imaginado. Edições ecléticas normalmente envolvem um processo de comparação e avaliação de diferentes versões manuscritas, identificação de leituras variantes e tomada de decisões editoriais sobre quais leituras incluir no texto final. Apesar dos nomes, tanto o Texto Receptus (baseado originalmente em seis manuscritos) e o contemporâneo Texto Crítico (baseado em milhares de fontes) são edições ecléticas.

Quanto à extensão, uma edição crítica classifica-se em editio minor ou edição manual e editio major. A editio minor é destinada a ser em um só volume, portanto, com menor número de notas a aparatos críticos. A Bíblia Hebraica Stuttgartensia e o Novum Testamentum Graece são exemplos de edições manuais. Uma edição maior busca reunir um número maior de detalhes, como a transformação do texto ao longo da história. Está em curso a publicação da Editio Critica Maior do Novo Testamento Grego.

Estequiometria 

Estequiometria é um termo usado em crítica textual para descrever um método de medir o número das linhas de escrita em manuscritos antigos. A palavra “esticometria” ou “estequiometria” vem das palavras gregas “stychos” (que significa “linha” ou “verso”) e “metron” (que significa “medida”).

O método esticométrico envolve a contagem do número de letras ou palavras em uma linha de escrita e o uso dessa informação para reconstruir as partes ausentes ou danificadas do texto. Ao medir o comprimento das linhas em um manuscrito, os estudiosos também podem comparar diferentes versões de um texto e identificar possíveis variações ou erros.

A esticometria é importante para a crítica textualporque pode ajudar a reconstruir o texto original de uma obra e a identificar erros ou interpolações que possam ter sido introduzidas ao longo do tempo. Por exemplo, se um manuscrito contém uma longa linha que parece ser uma interpolação, pode ser possível remover essa linha e reconstruir o texto original usando a crítica textual para determinar o comprimento correto do texto ausente.

A crítica textual é particularmente útil para estudar manuscritos gregos e latinos antigos, que muitas vezes tinham comprimentos de linha e espaçamento irregulares. Ao medir cuidadosamente as linhas de escrita e compará-las com outros manuscritos, é possível obter informações sobre a transmissão e interpretação de textos antigos.