Crítica das formas

A crítica da formas (formgeschichtlichen Methode e Gattungsgeschichtliche) é um método exegético diacrônico que visa reconstituir forma de transmissão das passagens bíblicas.

Há pressupostos de oralidade em grande parte da transmissão bíblica. Também é importante a compreensão dos gêneros literários — orações, aforismos, provérbios, salmos, genealogias, épicos, ciclos narrativos, códigos legais, dentre outros. Por essa razão, é muito próxima da crítica dos gêneros textuais (Gattungsgeschichtliche).

Como base metodológica, a crítica das formas tenta situar as passagens em um Sitz im Leben, o contexto de composição, para compreender a funcionalidade do texto em suas audiências originais.

A crítica das formas teve como seu grande proponente Hermann Gunkel (1862 – 1932).

Embora vários exegetas deram suas contribuições valiosas empregando a crítica das formas há vários problemas conceituais. Devido a uma então teoria literária ainda incipiente, houve muita confusão entre forma, estrutura e gênero. Isso gerou uma imprecisão sobre as distinções entre tradições orais e composições literárias. Também, a antropologia e a história oral somente viria a desenvolver seus métodos e meios de análise mais tarde. Atualmente, os adeptos da crítica das formas ajustaram o método a essas limitações.

Fornicação

Fornicação é um termo que vem do latim fornicari, “manter relações sexuais”, “copular”, “coito”. No português contemporâneo o termo fornicação adquiriu o sentido de relações sexuais entre pessoas que não são casadas entre si. Essa diferença de significado torna “fornicação” uma tradução inadequada em muitos contextos bíblicos.

Porneia (πορνεία, em grego) é um termo relacionada à prostituição forçada, mas que ampliou suas conotações no Novo Testamento. A palavra hebraica frequentemente traduzida como “fornicação” no Antigo Testamento é זְנוּת (zenut), que deriva da raiz זנה (zanah), significando “prostituir-se”, “ser infiel”, “cometer adultério” ou “desviar-se (para outros deuses)”. A abrangência de zenut é maior do que a do termo português moderno “fornicação”.

No Antigo Testamento, zenut e seus derivados podem se referir a:

  1. Prostituição: Tanto a prostituição cultual (associada a rituais pagãos) quanto a prostituição comum (Gênesis 38:15, 24; Provérbios 7).
  2. Relações forçadas: sedução de virgens (Êxodo 22:16-17) e exigia o casamento em casos de estupro (Deuteronômio 22:28-29).
  3. Adultério: Relações sexuais de uma pessoa casada com alguém que não é seu cônjuge (Êxodo 20:14; Levítico 20:10; Deuteronômio 5:18).
  4. Incesto: Relações sexuais entre parentes próximos (Levítico 18:6-18; 20:11-21).
  5. Idolatria: Frequentemente usada como metáfora para a infidelidade de Israel a Deus, envolvendo a adoração de outros deuses e a participação em seus rituais (Êxodo 34:15-16; Levítico 17:7; Números 15:39; Ezequiel 16; Oseias 1-3).

No Novo Testamento, o termo grego πορνεία (porneia) é usado com um significado igualmente amplo, abrangendo:

  1. Prostituição: (1 Coríntios 6:13-18; 1 Coríntios 7:2).
  2. Adultério: (Mateus 5:32; 19:9; Marcos 10:11-12).
  3. Incesto: (1 Coríntios 5:1).
  4. Qualquer tipo de imoralidade sexual: (Mateus 15:19; Marcos 7:21; Gálatas 5:19; Efésios 5:3; Colossenses 3:5; Apocalipse 2:14, 20-21; 9:21; 14:8; 17:2, 4; 18:3; 19:2).

Sebastian Franck

Sebastian Franck (1499-1543) foi um cronista, teólogo e editor bávaro.

Inicialmente um padre católico tornado pastor luterano, Franck produziu uma obra anti-anabatista. Contudo, eventualmente desenvolveu simpatia pelos anabatistas e em 1529 esteve refugiado em Estrasburgo, onde manteve contato com Schwenckfeld, Serveto e Bünderlin, talvez com Melchior Hoffman.

Franck foi pioneiro em utilizar fontes historiográficas e etnográficas na reflexão teológica. Em um catálogo comparativo das facções do cristianismo, criticou tanto os reformadores quanto os católicos. A partir de relatos de viagens, especialmente das nações novas aos Europeus, inclusive a América demonstrou que a apreensão da verdade seria mais complexa. Critica o sectarismo bem como a limitação dos diversos sistemas teológicos. Embora não poupasse críticas aos anabatistas, foi contado como um deles (e perseguido como tal), além de seus escritos usufruírem ampla aceitação no movimento anabatista.

Franck e outros seus contemporâneos foram chamados de pneumatici ou espiritualistas, por enfatizarem o caráter espiritual da Igreja ao invés de atribuir importância à instituição visível, aos dogmas teológicos e aos sacramentos.

Sarah Fuller Flower Adams

Sarah Fuller Flower Adams ou Sally Adams (1805-1848) poetisa, hinista e pioneira do feminismo cristão britânica. É a autora do hino Nearer, my god, to thee (Hinos de Súplicas e Louvores a Deus 454 – Cidadão Dos Céus; Cantor Cristão 283 –Mais perto quero estar meu Deus de Ti).

Filha caçula do editor Benjamin Flower, cresceu em círculos progressistas. Sua irmã mais velha, Eliza Flowers, era uma talentosa musicista e compositora. Depois da morte da mãe em 1810, Benjamin Flower criou e educou suas filhas. Apesar de possuir algum grau de surdez, teve uma breve carreira como atriz, representando Lady Macbeth em 1837.

Em 1820 a familia Flowers mudou-se para Londres, onde seu círculo social incluíam Harriet Martineau, Harriet Taylor, Robert Browning e John Stuart Mill. Casou-se, em 1834, com o engenheiro civil William B. Adams.

Em 1841 Flower Adams publicou Vivia Perpetua. Esse poema alegórico retrata o conflito entre paganismo e cristianismo, bem como defende o livre pensamento, a autonomia espiritual e intelectual feminina. No poema dramático, Vivia Perpétua é uma jovem esposa que se recusa a se submeter ao controle masculino e renunciar às suas crenças cristãs. E por isso, é condenada à morte.

Preparou um catecismo e hinário infantil, The Flock at the Fountain, publicado 1845.

Era membro da congregação unitariana de South Place Chapel em Londres, onde era ministro William J. Fox. Aconselhada por Fox, para sanar suas dúvidas espirituais levantadas em conversas com Browning, dedicou-se à leitura e escrita, compondo o hino Nearer my God to Thee, inspirada no sonho de Jacó (Gn 28:11-12). Mais tarde o hino seria associado à melodia Bethany de Lowell Mason.

BIBLIOGRAFIA

https://hymnary.org/person/Adams_Sarah

Hulcoop, Stephen. Memoirs of the family of Benjamin Flower of Harlow. Compiled from various sources including a transcript of the hymn «Nearer my God to Thee» by Sarah Flower Adams. S. H. Publishing, Harlow, 2003.

Stephenson, H. W. : The Author of Nearer, My God, to Thee, 1922.